O Destino que Nos Roubaram

1572 Palavras

Eu não relaxo. Nem quando Alice me deixa em casa. Nem quando peço ao meu motorista que a leve em segurança. Nem quando fecho a porta atrás de mim e o silêncio tenta fingir que tudo está sob controle. Não está. Mantenho Helena afastada. Bloqueada. Camadas firmes, precisas. Faço tudo certo, do jeito que sempre fiz. Disciplina acima de impulso. Controle acima de vontade. Ainda assim… por segundos. Segundos mínimos, traiçoeiros. O bloqueio oscila , não cai, mas cede o suficiente para que eu sinta. O desejo dela. Não o dela por mim. O dela por outro. É rápido. Um lampejo quente, íntimo, carregado de intenção. O suficiente para atravessar como lâmina. Meu corpo reage antes que a razão intervenha. O peito aperta. A respiração falha por um instante. Isso me machuca. Não é ciúme comum.

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