Eu saio do apartamento deixando Laura para trás. Apavorada. E eu… eu não sei nem explicar o que estou sentindo. Não é só medo. Não é só confusão. É como se algo dentro de mim estivesse tentando encaixar peças antigas… peças que eu nunca soube que existiam. Desço as escadas rápido. O ar do corredor parece pesado. Como se o prédio inteiro tivesse ficado mais escuro depois do que Laura disse. Entro no carro e fico parada por alguns segundos, com as mãos no volante. Respirando. Tentando me acalmar. Mas não dá. Porque agora… muita coisa faz sentido. Eu sempre achei que minha infância tinha sido apenas… instável. Difícil. Triste. Mas comum. Agora eu não tenho mais certeza. Eu lembro das madrugadas. O barulho de alguém abrindo a porta. Uma luz acendendo. A pressa. A voz ba

