Entro no hotel com a certeza tranquila de quem decidiu o rumo da noite. Fui eu quem escolheu o lugar. Eduardo já entendeu , não apenas aceitou, entendeu , que agora estou no comando. Na recepção, damos nomes falsos. Um hábito antigo, quase automático. Algo que faz parte de um passado que conhecemos bem demais. Ainda assim, o gesto não tem o mesmo peso de antes. Subimos em silêncio. Quando a porta do quarto se fecha atrás de nós, sinto o olhar dele sobre mim com mais atenção do que durante todo o jantar. Eduardo percebe. Ele sempre percebeu quando algo em mim mudava, mesmo que nunca soubesse exatamente o quê. Estou diferente. Não há hesitação. Não há expectativa. Há intenção. A postura é outra. O jeito de andar, de ocupar o espaço, de sustentar o olhar. Não peço nada, não explico na

