– Acreditei por muito tempo que não conseguia falar – admiti enquanto passeávamos por um corredor o qual não fazia ideia de onde ela iria me levar. – Eu gosto do silêncio, embora não possa praticá-lo mais nesse lugar. Aqui todos falam mais que o necessário e prefiro escutar a minha voz, do que os grasnados de certas gralhas – ela diz com a sua simplicidade atual, diferente do vestido rose e luxuoso que caia perfeitamente no seu corpo, feito sobre medida e deixando delineado cada curva que ela apresentava ter. O que eu havia feito com ela? Aquilo não deveria estar acontecendo, ela merecia mais do que ser uma boneca de porcelana com vestes claras e finas. A vontade de colocar nela um hábito religioso faz-me retorcer internamente. Panos, Maria necessitava de panos grossos e não aquela porca

