Narrado por Isadora
Eu estava deitada ao lado dele. O calor do corpo de Cael me ancorava na realidade, mas minha mente... estava em outro tempo.
Vi um campo aberto, árvores ancestrais ao redor, uma lua cheia que queimava o céu. Estávamos cercados por criaturas — não homens, nem animais — algo entre os dois. E eu... eu não tinha medo.
Tinha poder.
Sentia-o nas mãos, nos olhos. Minha voz ecoava em uma língua esquecida.
E então acordei com um grito preso na garganta.
— Isadora! — Cael me segurava pelos ombros. — O que você viu?
— Não era um sonho... era como se eu estivesse... revivendo algo.
— Você está começando a se lembrar — murmurou ele, mais para si mesmo. — O sangue antigo está despertando.
Me afastei, ofegante.
— Que sangue é esse, Cael? O que eu sou?
Ele hesitou. Pela primeira vez, vi medo nos olhos dele.
— Eu ainda não sei. Mas sei onde podemos descobrir.
**
Na mesma noite, Cael me levou floresta adentro. Subimos por trilhas que não existiam no mapa. Cruzamos riachos, sentimos o vento mudar de temperatura.
E então chegamos.
Um círculo de pedras, antigas, cobertas de runas. A energia ali vibrava.
— Este é o Círculo de Sangue da Alcateia — ele disse. — Nenhum humano pode entrar aqui. E se você for só humana... seu corpo vai rejeitar. Vai doer.
— E se eu não for? — perguntei, a voz trêmula.
— Então você vai se lembrar de quem realmente é.
Olhei para ele. Para seus olhos de prata, para seu peito marcado por batalhas, para o homem que era fera e ainda assim me tratava como algo precioso.
Dei o passo.
E tudo mudou.