MEMÓRIAS QUE NÃO ME PERTENCEM

288 Palavras
Narrado por Isadora Eu estava deitada ao lado dele. O calor do corpo de Cael me ancorava na realidade, mas minha mente... estava em outro tempo. Vi um campo aberto, árvores ancestrais ao redor, uma lua cheia que queimava o céu. Estávamos cercados por criaturas — não homens, nem animais — algo entre os dois. E eu... eu não tinha medo. Tinha poder. Sentia-o nas mãos, nos olhos. Minha voz ecoava em uma língua esquecida. E então acordei com um grito preso na garganta. — Isadora! — Cael me segurava pelos ombros. — O que você viu? — Não era um sonho... era como se eu estivesse... revivendo algo. — Você está começando a se lembrar — murmurou ele, mais para si mesmo. — O sangue antigo está despertando. Me afastei, ofegante. — Que sangue é esse, Cael? O que eu sou? Ele hesitou. Pela primeira vez, vi medo nos olhos dele. — Eu ainda não sei. Mas sei onde podemos descobrir. ** Na mesma noite, Cael me levou floresta adentro. Subimos por trilhas que não existiam no mapa. Cruzamos riachos, sentimos o vento mudar de temperatura. E então chegamos. Um círculo de pedras, antigas, cobertas de runas. A energia ali vibrava. — Este é o Círculo de Sangue da Alcateia — ele disse. — Nenhum humano pode entrar aqui. E se você for só humana... seu corpo vai rejeitar. Vai doer. — E se eu não for? — perguntei, a voz trêmula. — Então você vai se lembrar de quem realmente é. Olhei para ele. Para seus olhos de prata, para seu peito marcado por batalhas, para o homem que era fera e ainda assim me tratava como algo precioso. Dei o passo. E tudo mudou.
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