A VOZ DO SANGUE

303 Palavras
Narrado por Cael  Ela gritou assim que entrou no círculo. Seu corpo arqueou, os joelhos cederam. Mas não caiu. Não desmaiou. Resistiu. O chão sob seus pés brilhou. As runas acenderam como fogo líquido. — O que está acontecendo com ela? — murmurou Rhian, que nos seguira em silêncio. — O sangue dela... está reconhecendo o chamado. Ela pertence a algo muito antigo. ** Isadora abriu os olhos. Não estavam mais castanhos. Nem dourados. Estavam prateados. Como os meus. Mas com algo mais. — Eu... lembro — ela sussurrou. — Lembro de uma mulher. Minha avó. Mas não era humana. Ela era... guardiã. — Guardiã do quê? — perguntei, me ajoelhando diante dela. — Do limiar entre os mundos — disse Isadora, a voz carregada por algo que não era só dela. — Sangue de loba. Magia de sangue. É por isso que eu não sou só humana. E por isso o seu lobo me reconheceu antes mesmo de mim saber quem eu era. Meu coração rugiu dentro do peito. A resposta estava ali o tempo todo. Ela era uma loba adormecida. Herdeira de uma linhagem perdida. E agora, completamente desperta. ** Mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma flecha cravou-se na árvore atrás de nós. — Acha mesmo que vão aceitá-la, Cael? — a voz vinda da floresta era familiar. Fria. Cheia de veneno. Era de um dos conselheiros da alcateia. Um traidor. — Vão chamá-la de aberração. Bruxa. Maldição. — Eu a chamo de minha companheira — rosnei, os olhos já transformados. Isadora ergueu-se, o corpo emanando poder. E pela primeira vez, não fui eu quem ficou entre ela e o perigo. Ela rugiu. Literalmente. E o inimigo fugiu. ** Eu a vi em sua forma real naquela noite. Não totalmente loba. Não totalmente humana. Mas rainha entre predadores.
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