PERFUME DE PERIGO

262 Palavras
Narrado por Isadora Fechei a porta da varanda como se isso pudesse me proteger do que acabara de ver. De quem acabara de ver. Apoiei as mãos na madeira e respirei fundo. Era só um homem. Um estranho. Que me olhou como se eu fosse... Não. Eu estava impressionada. Só isso. Talvez o vinho tivesse me subido à cabeça. — Tá tudo bem? — perguntou Ana, surgindo atrás de mim. Assenti com a cabeça, tentando soar convincente. — Vi alguém lá fora. Um homem. Alto. Acho que estava só passando. Ana franziu o cenho. — Alguém da cidade? — Não sei. Não falou nada. Só... me olhou. — Você tá meio pálida. — Eu tô bem — respondi, talvez rápido demais. — Deve ter sido só um caipira curioso. Vai ver queria alugar o chalé, sei lá. Não era verdade. Aquela presença não era de um “curioso”. Ele não tinha me olhado como um estranho olha outra pessoa. Tinha sido diferente. Profundo. Como se ele estivesse me despindo com os olhos, mas não de um jeito vulgar — e sim como se já me conhecesse. Como se me possuísse. Fui dormir tarde, mas o sono não veio. Fechei os olhos e sonhei com ele. Sonhei com mãos firmes segurando minha cintura. Com dentes roçando minha pele. Com um calor que nascia entre minhas pernas e se espalhava pelo corpo todo, arrepiando cada centímetro. Acordei suando, o corpo em chamas, o coração disparado. Meus olhos foram direto à janela. Ele estava lá. De pé na beira da floresta. E sorria.
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