Narrado por Cael
Quando a vi pela primeira vez, meu lobo parou de respirar.
Era como se o mundo inteiro tivesse desaparecido — exceto ela. Cabelos castanhos, pele morena, olhos dourados que queimavam feito sol em meu peito. A respiração dela se prendeu quando nossos olhares se encontraram. A dela... e a minha também.
Ela era minha.
Minha companheira.
O lobo dentro de mim explodiu, uivando em triunfo, dominando meu corpo como não fazia há anos. Senti a fera empurrar contra meus limites, rosnando, possessiva, faminta. Ele não queria esperar. Não queria conversar. Queria se aproximar, sentir o cheiro dela, tocar, marcar.
— Calma — murmurei para mim mesmo, os punhos cerrados ao lado do corpo.
Mas era tarde.
Dentro de mim, a parte racional estava sendo engolida. Nas primeiras vinte e quatro horas após o Reconhecimento, o lobo assume.
Ele precisa garantir que a companheira esteja segura, próxima, protegida.
E eu, o homem, já tinha resistido tempo demais a esse desejo.
Ela deu um passo para trás quando avancei. Nada agressivo — só instintivo. Um passo silencioso pela terra, sem desviar o olhar dela por um segundo sequer.
— Não tenha medo — falei, a voz grave saindo mais rouca do que eu queria.
Ela não respondeu. Estava hipnotizada, lutando com algo dentro dela que nem sabia nomear.
Senti quando o cheiro dela me atingiu em cheio: morna, suave, doce como mel silvestre.
Dei mais um passo. O lobo dentro de mim vibrava.
Ela era real.
Depois de anos. Depois de ter desistido.
Ela era minha. E eu... não ia deixá-la ir.