Narrado por Isadora
Os sonhos voltaram.
Mas não eram apenas visões — eram chamados.
Uma caverna oculta no norte da floresta, um lago n***o e espesso como azeviche... e algo sob a água me chamando por meu verdadeiro nome. Um nome que ainda não conhecia.
Cael me levou até lá, mesmo com a tensão no ar e as patrulhas triplicadas.
— Se o sangue te chama, não posso te impedir — ele disse. — Mas algo nesse lugar me dá arrepios. Como se os mortos ainda andassem aqui.
Descemos pela trilha esquecida, a vegetação abrindo passagem como se reconhecesse minha presença.
E então o vi.
O Espelho de Sombra.
Um círculo de obsidiana suspenso sobre o lago, envolto por raízes e marcas rúnicas. Meus dedos arderam ao tocá-lo.
Imediatamente, uma luz saiu de dentro dele. Me envolveu. Me queimou e curou ao mesmo tempo.
E uma voz sussurrou:
“Herdeira do Véu, escolha. O poder... ou o equilíbrio.”
Caí de joelhos. E vi imagens.
— Isadora! — Cael me segurou.
— Eles usaram isso... séculos atrás. Para selar a guerra entre os clãs de lobos e os sangues antigos.
— O quê exatamente é isso?
— Uma relíquia criada pelo primeiro vínculo entre um Alfa e uma Feiticeira. Uma união de alma. Como a nossa...
Ele arregalou os olhos. A conexão era clara.
Mas então, uma nova visão me atingiu: se o Espelho for ativado, vai exigir sacrifício. De um Alfa. Ou de sua companheira.
E eu soube: para vencer a guerra... um de nós teria que morrer.