Dante:
Apesar do que Vivian pensava, tinha agendado minha viagem pela Europa antes de ela se mudar. A maioria das marcas do Grupo Russo estavam sediadas no continente, e bloqueava um mês por ano para realizar reuniões presenciais com os chefes de nossas subsidiárias europeias.
O momento deste ano acabou de ser extremamente conveniente.
No entanto, fiz questão de ficar de olho em Luca e Vivian enquanto estava fora. Atribuí a Luca uma função de vendas em uma das lojas de varejo de nossas subsidiárias de joias. Era uma pessoa do povo, e colocá-lo em um escritório em algum lugar só significaria um desastre para ele e para a loja em questão. De acordo com o gerente da loja, teve um começo difícil, meu irmão nunca foi pontual, mas quando voltei para Nova York, parecia ter se acomodado, embora a contragosto, em seu novo papel.
Vivian, por outro lado, se acostumou com seu novo ambiente como um pato na água. Greta e Edward falavam sobre ela em todos os relatórios, e cheguei em casa para encontrar uma nova pintura na galeria, toalhas com monogramas de D&V nos banheiros e flores por toda parte.
— Dante, relaxe sua expressão. — disse Winona. — Dê-me um sorriso... é isso! Perfeito.
O obturador da câmera clicou em rápida sucessão. Vivian e eu passamos a manhã tirando fotos de noivado no Central Park. Foi tão excruciante quanto imaginei, cheio de sorrisos e abraços falsos enquanto Winona nos guiava em poses projetadas para mostrar como estávamos “apaixonados”.
— Vivian, coloque seus braços em volta do pescoço dele e se aproxime.
Endureci quando Vivian obedeceu e deu um passo hesitante em minha direção.
— Mais perto. Posso praticamente dirigir um trator entre vocês agora. — Brincou Winona.
— Faça o que ela diz para que possamos acabar com isso. — Resmunguei. Quanto mais cedo eu colocar mais distância entre nós, melhor.
— Fica mais encantador a cada dia. — A voz de Vivian era tão doce que poderia regar sobre panquecas. — A Europa realmente fez maravilhas pela sua personalidade.
— Mais perto. — Winona encorajou. Se ela percebeu nossa hostilidade, não reconheceu. — Mais um passo…
Os s***s de Vivian roçaram meu peito quando fechou o espaço restante entre nós. Meus músculos ficaram rígidos.
— Dante, coloque seus braços em volta de Vivian.
Pelo amor de Deus.
Como eu só queria acabar com a tortura, apertei minha mandíbula e coloquei minhas mãos nos quadris de Vivian. O calor queimou através da seda de seu vestido e seu maldito cheiro de maçã rastejou em meus pulmões novamente. Nenhum de nós se moveu, temendo que a menor mudança inadvertidamente nos aproximasse ainda mais.
— Recebi um telefonema interessante do meu contador quando estava em Paris. — Disse em um esforço para me distrair de nossa perturbadora proximidade. — Cem mil dólares cobrados do meu Amex em um dia, incluindo dez mil em flores. Importa-se de explicar?
— Você me deu um Amex preto, eu usei. — Disse Vivian com um elegante encolher de ombros. — O que posso dizer? Gosto de flores. E sapatos.
Tradução: Era um i****a antes de sair, e descontei na sua conta bancária.
Um ato de vingança sutil, mas mesquinho. Bom para ela. Não havia ninguém mais irritante do que alguém que não se defendia.
— Claramente. — Disse, tentando não respirar muito fundo para que o seu cheiro não me envolvesse completamente. — E as toalhas?
— Foram um presente da minha mãe.
Claro que eram.
— Avise-me com antecedência da próxima vez que sair por um mês. — Disse ela. — Quero tempo para planejar uma festa, redecorar a sala de estar, talvez fazer uma lista de compras robusta. É incrível o quanto se pode fazer sem limite de gastos.
Estreitei meus olhos. Não me importei com o uso do cartão de crédito. Luca certa vez gastou um milhão de dólares em uma ridícula banheira de ouro maciço de 24 quilates para uma festa do pijama. Cem mil não era nada.
O que me irritou foi a forma como Vivian reorganizou tudo enquanto eu estava fora. As toalhas e as flores eram apenas a ponta do iceberg. Havia arte nova nas paredes, tubos de aromaterapia através de difusores ocultos e uma sala de massagem onde costumava ser a sala de embrulhos. Saí por um mês e voltei para encontrar minha casa transformada na p***a de um Club Med11.
— Divertiu-se enquanto estive fora, não foi? — Uma corrente perigosa se enroscou em minhas palavras.
— Passei momentos maravilhosos. — Vivian enfiou os dedos pelo meu cabelo e puxou com força suficiente para doer. Sorriu. — A casa tem estado tão agradável sem todas as carrancas e grunhidos.
— Aqui pensei que sentiria minha falta. — Solto. — Estou ferido.
— Eu pediria desculpas, mas atender aos seus sentimentos não faz parte do nosso acordo. É apenas um negócio. Lembra?
Um sorriso relutante tocou minha boca. Touché.
— Olhem só para vocês dois. Tão doce. — Winona suspirou. — Dante, por que não lhe dá um beijo nos lábios? Será a foto perfeita para encerrar a sessão.
11-Club Méditerranée, é uma empresa de origem francesa que atua no setor do turismo prestando serviços de hotelaria e lazer.
Meu sorriso desapareceu.
Vivian ficou rígida em meus braços. — Isso não é necessário.
— disse rapidamente. — Nós não... não gostamos de DPA12.
— Não há ninguém aqui além de nós. — Apontou Winona.
Puxei alguns pauzinhos e reservei trechos do parque para a sessão de fotos. Odiava multidões e público. Muito barulho, muito imprevisível, muito isso.
— Sim, mas... — Vivian vacilou. Ela parecia um coelho preso nos faróis.
A sua expressão horrorizada era de irritação. Eu não queria beijá-la, mas não gostei de como agia, como se me beijar fosse o equivalente a ser mordida por uma cobra venenosa.
— Nós realmente não nos sentimos confortáveis beijando na frente de terceiros. — Vivian finalmente terminou.
Ela tentou dar um passo para trás, mas meu aperto em seus quadris a impediu de fazê-lo. Meu aborrecimento se aprofundou. Concordamos em fazer o papel de um casal amoroso em público, mas ela não estava agindo particularmente amorosamente.
— Se você não quiser, tudo bem, mas não é um ensaio de noivado sem um beijo. — Winona pareceu intrigada com nossa hesitação. — Prometo que não vou me escandalizar.
— Certo. — Vivian raspou os dentes no lábio inferior.
12-Demonstração pública de afeto.
Cristo. Se ela mordesse mais forte, teria um lugar privilegiado no menu de brunch de Sarabeth, xarope e tudo.
Em vez de esperar que tomasse uma decisão em algum momento do próximo século, abaixei minha cabeça e rocei minha boca sobre a dela. Suavemente, apenas o suficiente para ouvir o clique do obturador da câmera novamente.
O corpo de Vivian se transformou de tenso em rígido. Seus lábios se separaram em uma inspiração afiada, e provei algo doce com um toque de especiarias.
Meu sangue pulsava.
Era para ser apenas um beijo rápido para a câmera. Deveria me afastar, mas sua boca era tão quente e macia que não pude resistir a outro gosto. E outro.
Antes que percebesse, minha mão deslizou por conta própria. Meus dedos afundaram em seu cabelo e evocaram um desejo irresistível de aprofundar o beijo. Para envolver meu punho em torno de toda aquela seda e puxá-la até que sua boca se abrisse totalmente para mim, deixando-me explorar e saquear à minha vontade.
Meu sangue pulsava mais alto. Culpei minhas ações sem sentido no mês de intervalo. Ausência fez o coração crescer mais afeiçoado e toda essa porcaria. Era a única razão plausível pela qual beijar a filha de Francis Lau não me fez querer esfregar alvejante em todo o corpo.
Vivian inclinou um pouco o queixo para cima, me dando melhor acesso. Meu...
— Conseguimos a foto! — A voz de Winona nos separou tão repentina e violentamente como se alguém tivesse disparado uma arma.
Num segundo, estávamos nos beijando. No seguinte, minhas mãos se foram do quadril e do cabelo de Vivian, seus braços caíram do meu pescoço e meu coração estava acelerado como se tivesse acabado de completar um Ironman Triathlon13.
Vivian e eu nos encaramos por um segundo congelado antes de rapidamente desviar o olhar. O beijo durou menos de um minuto, mas minha boca ficou com a marca de seus lábios. O peso caiu sobre minha pele como um cobertor de cashmere quando Winona se levantou de sua posição agachada.
— Vocês dois podem ser o casal mais fotogênico com quem já trabalhei. — Sorriu. — m*l posso esperar para que vejam as fotos finais.
— Obrigada. — disse Vivian, com o rosto rosado. — Tenho certeza de que estarão ótimas.
— Terminamos? — Tirei minha jaqueta e ignorei seu olhar de reprovação. Tínhamos feito o maldito ensaio. O que mais ela queria?
E por que estava tão quente no meio de outubro?
— Sim, vou lhe enviar um e-mail com um link para a galeria em duas semanas. — Disse Winona, imperturbável pela minha resposta curta. — Parabéns novamente pelo seu noivado.
Vivian agradeceu novamente enquanto eu passava por ela em direção às escadas que davam para o Bethesda Terrace. Precisava
13-Campeonato na modalidade triatlo.
colocar mais distância entre nós imediatamente. Infelizmente, Vivian logo voltou a me acompanhar e caminhamos em silêncio em direção a uma das saídas do parque conforme me xingava pelo meu lapso de julgamento.
Não apenas o beijo, mas a sessão de fotos como um todo. Deveria ter contratado alguém para nos colocar no Photoshop no parque. Dessa forma, não teria que lidar com... isso.
Inquietação zumbiu sob minha pele. O aperto dos meus músculos quando o seu cheiro flutuou no meu nariz. A memória de sua boca na minha. Não era sobre o beijo, o que tínhamos que fazer se não quiséssemos levantar suspeitas de Winona. Era sobre o fato de eu ter demorado.
Vivian finalmente falou quando passamos pela saída para a Avenida 79. — Sobre o beijo lá atrás...
— Foi para a foto. — Não olhei para ela.
— Eu sei, mas...
— Está com fome? — Acenei para o carrinho de comida na esquina da rua. Prefiro me banhar em ácido do que discutir o que aconteceu.
Vivian suspirou, mas abandonou o assunto. — Poderia ter um pouco de comida. — Admitiu. Suas sobrancelhas se ergueram quando parei na frente do carrinho de comida. — O que está fazendo?
— Comprando café da manhã. — Tirei uma nota de vinte da minha carteira. — Dois cafés e bagels exclusivos. Fique com o troco. Obrigado, Osmar.
Enquanto queria ficar longe de Vivian o mais rápido possível, eu estava com muita fome. Acordamos cedo demais para o café da manhã e não podia comprar comida sem levar para ela também. Eu era um i****a, não um i*****l.
Virei-me para encontrá-la olhando para mim como se eu tivesse brotado chifres e penas no meio da Quinta Avenida.
— O quê?
— Está em uma base do primeiro nome com o proprietário.
— Obviamente. — Enfiei minha carteira de volta no bolso. — Corro aqui de manhã quando tenho tempo, e experimentei todos os carrinhos de café da manhã ao redor do parque. Omar é o melhor.
— E eu aqui pensando que só comia caviar e corações humanos.
— Não seja ridícula. Caviar tem um gosto horrível com corações humanos.
A risada de Vivian evocou uma sensação estranha no meu peito. Azia? Investigar mais tarde.
Peguei a comida e entreguei um dos copos de papel e bagels embrulhados para ela. — Pago pela qualidade, não pelo preço. Caro nem sempre é bom, especialmente quando se trata de comida.
— Por uma vez, concordamos. — Ela me seguiu até um banco próximo e enfiou o vestido sob as coxas antes de se sentar. — Devemos verificar a temperatura no inferno.
O canto da minha boca puxou para cima, mas o abaixei antes que ela percebesse.
— Um dos meus restaurantes favoritos antes de fechar era este pequeno lugar na Chinatown de Boston. — Vivian disse hesitante, como se estivesse decidindo se deveria ou não compartilhar a informação comigo mesmo quando as palavras saíram de sua boca. — Se você não estivesse procurando por isso, perderia. A decoração parecia algo do início dos anos noventa e os pisos eram suspeitosamente pegajosos, mas tinham os melhores bolinhos que já provei.
A curiosidade levou a melhor sobre mim. — Por que fechou?
— O dono morreu e seu filho não quis assumir. Ele o vendeu para alguém que o transformou em uma oficina de conserto de eletrônicos. — Uma nota melancólica entrou em sua voz. — Minha família e eu comíamos lá toda semana, mas acho que teríamos parado de ir mesmo que estivesse aberto. Eles só vão a lugares com estrelas Michelin agora. Se me vissem comendo em um food truck, teriam um infarto.
Tomei um gole lento de café enquanto processava o que disse. Assumi que Vivian estava totalmente sob o controle de seus pais, mas a julgar pelo seu tom, nem tudo era perfeito na família Lau.
— Meu irmão e eu costumávamos ir a esse lugar no centro da cidade quando éramos crianças. — Disse. — Moondust Diner. O bairro era uma armadilha para turistas, mas a lanchonete tinha os melhores milkshakes da cidade. Dois dólares, copos quase tão grandes quanto nossas cabeças. Íamos lá toda semana depois da escola até nosso avô descobrir. Estava furioso. Disse que os Russos não frequentavam restaurantes baratos e designaram alguém para nos levar para casa logo depois da escola. Nunca mais voltamos depois disso.
Nunca contei a ninguém sobre o restaurante, mas desde que ela compartilhou sobre a loja de bolinhos, senti-me compelido a retribuir. O beijo realmente tinha fodido com a minha cabeça.
— Milkshakes de dois dólares? Seria o pesadelo de um dentista. — Brincou Vivian.
— O meu também não era meu maior fã.
O Moondust Diner ainda existia, mas eu não era mais criança. Meu desejo por doces havia desaparecido, e não tinha tempo para viagens pela estrada da nostalgia.
Comemos em silêncio por mais um minuto antes de eu dizer
— As coisas devem ter mudado um pouco depois que os negócios do seu pai decolaram.
Sempre poderia usar mais informações sobre o Laus, e se alguém conhecia bem Francis, era sua filha. Pelo menos, essa foi a razão que me dei para não sair, mesmo depois de terminar minha comida.
— Isso é um eufemismo. — Vivian traçou a borda de seu copo de café com o dedo. — Quando tinha quatorze anos, minha mãe me sentou para a palestra. Não era sobre sexo; era sobre as expectativas de quem eu deveria e poderia namorar. Era livre para estar com quem quisesse, desde que atendesse a certos critérios. Esse também foi o dia em que descobri que era esperado que tivesse um casamento arranjado se não encontrasse ninguém “adequado” dentro de um certo tempo.
Suspeitava disso. Famílias de dinheiro novo como os Laus normalmente tentavam melhorar seu status social por meio do casamento. As famílias ricas também faziam isso, mas eram mais sutis.
— Acho que seus pais não eram fãs de seus ex. — Se fossem, Vivian e eu não estaríamos noivos.
— Não. — Uma sombra passou por seu rosto. — E você?
Alguma ex com quem pensou em se casar?
— Não estava interessado em casamento.
— Hum. Não estou surpresa.
Lancei um olhar para ela. — E isso significa?
— Significa que é um maníaco por controle. Provavelmente odiava – e ainda odeia – a ideia de alguém entrar e destruir sua vida. Quanto mais pessoas na casa, mais difícil é controlar o ambiente.
Meu choque deve ter sido evidente porque Vivian riu e me deu um sorriso meio provocador, meio presunçoso.
— É bastante óbvio na maneira como administra sua casa. — Disse. — Além disso, durante as refeições, é obsessivo sobre seus alimentos não se tocarem. Coloca a carne no lado superior esquerdo do prato, os vegetais no canto superior direito e os carboidratos e grãos na parte inferior. Fez isso na casa dos meus pais e na minha primeira noite na sua casa, antes de partir para a Europa.
Ela tomou um gole de café, conseguindo parecer majestosa mesmo enquanto bebia em um copo de papel. — Maníaco por controle. — Resumiu.
Admiração relutante tomou conta de mim. — Impressionante.
Desde criança que sou muito exigente com a minha comida. Não sabia por quê; a visão e a textura dos alimentos misturados apenas faziam minha pele arrepiar.
— Isso vem com o trabalho. — Disse Vivian. — O planejamento de eventos requer muita atenção aos detalhes, especialmente quando se está lidando com os tipos de clientes que tenho.
Ricos. Intitulados. Carentes. Não precisava dizer isso para eu saber o que queria dizer.
— Por que planejar um evento em vez do negócio da família?
— Estava genuinamente curioso.
Vivian deu de ombros. — Gosto de joias como consumidora, mas não tenho interesse no lado corporativo do negócio. — Disse.
— Dirigir a Lau Jewels não seria um empreendimento criativo. Seria sobre acionistas, relatórios financeiros e mil outras coisas com as quais não me importo. Odeio números e não sou boa com eles. Minha irmã Agnes é quem gosta dessas coisas. É a chefe de vendas e marketing da empresa e, quando meu pai se aposentar, assumirá o cargo de CEO.
Não haverá uma empresa para assumir depois que eu terminar.
Uma pequena reviravolta de desconforto puxou meu intestino antes que a dispensasse. Seu pai merecia o que estava vindo para ele. Vivian e sua irmã não, mas ruína e danos colaterais andavam de mãos dadas. Era o custo de fazer negócios.
— E você? Já quis fazer outra coisa? — Perguntou Vivian.
— Não.
Passei minha vida inteira me preparando para assumir o Grupo Russo. Seguir outra carreira nunca passou pela minha cabeça.
— Meu pai se recusou a assumir a empresa, então cabia a mim continuar a tradição Russo. — Disse. — Abnegar nunca foi uma opção.
— Seu pai podia, mas você não? Parece injusto.
— Não existe justiça no mundo dos negócios. Além disso, meu pai teria sido uma merda como CEO. Ele é o tipo de cara que se preocupa mais em ser amado do que em fazer o trabalho. Destruiria a empresa em poucos anos e meu avô sabia disso. Foi por isso que não o pressionou a assumir um papel executivo.
As palavras saíram por vontade própria.
Não sabia por que estava contando a Vivian sobre minha família. Uma hora atrás, preferia pular do Empire State Building do que passar mais um minuto brincando com ela. Talvez o beijo tenha causado um curto-circuito no meu cérebro, ou talvez fosse porque este era meu primeiro momento de semipaz desde que meu avô morreu.
Os últimos meses tinham sido dor de cabeça atrás de dor de cabeça. Os arranjos do funeral, a chantagem de Francis, as tretas de Luca, o noivado e a viagem à Europa e as obrigações regulares de negócios e sociais que tinha que cumprir. Foi bom sentar e respirar por um minuto.
— Falando em meus pais, eles gostariam de conhecê-la. — Disse. Apresentar Vivian a eles era uma dor de cabeça que esperava evitar, embora soubesse que as chances de afastá-los por
um ano ou o tempo que levasse para romper o noivado eram pequenas. — Estamos passando o Dia de Ação de Graças com eles.
De acordo com o relatório de Christian, os Laus não eram grandes no Dia de Ação de Graças, então Vivian não deveria estar muito chateada por perder o feriado com sua família. Não que me importasse se estivesse.
— Tudo bem. — Fez uma pausa, obviamente esperando por mais informações. Quando não forneci nenhum, perguntou — Seus pais moram em Nova York?
— Um pouco mais longe. — Joguei meu copo de café vazio em uma lata de lixo próxima. — Bali.
Por enquanto. Meus pais não passavam mais de três meses consecutivos em um lugar em décadas.
A boca de Vivian se abriu. — Quer que a gente voe para Bali
para conhecer seus pais no Dia de Ação de Graças?
— Estaremos lá por uma semana. Saímos no domingo anterior e voltamos na segunda-feira seguinte.
— Dante. — Parecia estar lutando para manter a calma. — Não posso ir a Bali por uma semana com menos de dois meses de antecedência. Eu tenho um emprego, planos...
— É um fim de semana de feriado. — Disse impacientemente.
— O que está planejando? O Desfile de Ação de Graças da Macy's?
Ela amassou sua embalagem de bagel com uma mão branca.
— Eu tenho que estar de volta na segunda-feira de manhã para uma reunião com o cliente. Estarei cansada, com jet lag...
— Então, em vez disso, sairemos no sábado. — Foram meus pais que insistiram que ficássemos uma semana. O trabalho de Vivian me deu uma boa desculpa para sair mais cedo. — Vamos pegar meu jato e ficaremos na casa dos meus pais. Não é grande coisa. Vamos para Bali, p***a. Todo mundo quer ir para Bali.
— Essa não é a questão. Deveríamos nos consultar sobre esse tipo de coisa. Você é meu noivo, não meu chefe. Não pode simplesmente me dizer para pular e esperar que eu pule.
Deus, isso era tedioso. — Considerando que fui eu quem pagou pelos seus sapatos e flores, acho que posso fazer exatamente isso.
Sabia que era a coisa errada a dizer no segundo em que as palavras saíram da minha boca, mas era tarde demais para voltar atrás. Vivian levantou-se abruptamente. Uma brisa soprou sua saia em torno de suas coxas, e um corredor que passava ficou boquiaberto até que o afastei com um olhar.
— Graças a Deus mostrou suas verdadeiras cores novamente.
— Disse, suas bochechas coradas. — Estava começando a pensar que era humano. — Jogou fora o copo e a embalagem. — Obrigada pelo café da manhã. Nunca mais faremos isso.
Ela se afastou, seus ombros rígidos.
Atrás de seu carrinho, Omar balançou a cabeça e franziu a testa para mim. Eu o ignorei. Quem se importava se isso tinha sido uma coisa i****a de se dizer? Já tinha baixado a guarda mais do que deveria naquela manhã.
Vivian era filha do inimigo, e me faria bem em lembrar disso.
Fiquei no banco por mais um tempo, tentando recuperar a magia de antes, mas a paz se foi.
Quando voltei para casa, encontrei um cheque esperando na minha mesa de cabeceira de exatamente cem mil dólares.