FERNANDA Engravidei muito nova, com só 14 anos. Meu mundo virou de cabeça pra baixo quando o Gustavo nasceu. Era só eu e ele, e a gente foi crescendo junto, aprendendo junto. Eu não sabia nada da vida, mas aprendi na marra. Com 23 anos, conheci o Ramon. Ele era um homem bom, trabalhador, e tava destruído por dentro. Tinha acabado de perder a esposa e tava criando a Lavínia, uma menininha de 2 anos. Foi amor à primeira vista, não só pelo Ramon, mas por aquela garotinha de cachinhos dourados e olhar curioso. Quando a gente se juntou, eu sabia que assumir o papel de mãe da Lavínia ia ser difícil. E foi. Por mais que eu tentasse, ela nunca me chamou de mãe. Sempre foi "tia", "Fernanda" ou só "Nanda". Não era falta de carinho, eu sabia disso, era a personalidade dela, forte e determinada

