LAVÍNIA Eu desci as escadas com passos lentos, sem saber o que estava por vir. Meu pai andava de um lado para o outro, nervoso, e Fernanda estava no sofá, chorando como eu nunca tinha visto antes. Assim que me viu, ela levantou num pulo e me abraçou forte, tão forte que por um segundo pensei que ela nunca fosse me soltar. — Você é minha família, Lavínia, não importa o que aconteça, tá? Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, me liga. Promete? — A voz dela tremia, e eu só conseguia balançar a cabeça, sem entender direito. Meu pai não deixou aquele momento durar muito. Ele veio até nós, impaciente, e me puxou pelo braço. — Vamos, Lavínia. — A voz dele era firme, quase fria. Não deu tempo de perguntar nada, nem de contestar. Antes que eu percebesse, ele já estava me arrastando morro abaix

