Ao chegar em casa, larguei a mochila no canto da sala e fui direto para a cozinha. Fernanda estava saindo, com aquela animação de quem vai passar no salão pra fazer as unhas. — Já almocei, mas deixei comida pra você no micro-ondas. É só esquentar, tá bom? — Ela disse, saindo com a bolsa no ombro. — Tá bom, obrigada. — Respondi, vendo-a sair pela porta. Abri o micro-ondas, peguei o prato e me sentei à mesa. O silêncio da casa era até bom, uma pausa depois do dia cheio na escola. A comida estava boa, mesmo requentada. Comia tranquilamente quando ouvi a porta se abrir com força. Tavão entrou, a expressão fechada e o olhar sombrio. Ele nem me cumprimentou. Já o conhecendo, percebi que algo estava errado. — O que foi? — Perguntei, levantando a sobrancelha enquanto ele atravessava a sala at

