Nanda terminou de guardar a comida em potes, anota com caneta o horário do próximo antibiótico num papel e cola na parede com fita. Faz tudo sem me perguntar, como quem entende que, em dias assim, a cabeça da gente falha. — Qualquer coisa, grita — ela diz, já calçando o chinelo. — Eu tô logo ali. E dorme um pouco se der. — Obrigada — respondo, acompanhando ela até a porta. — Por tudo. Ela me puxa pra um abraço rápido, apertado, daqueles que não pedem permissão. — Tu é forte pra c*****o, Rubi. Só esquece disso às vezes. Vejo ela descer a viela e fecho a porta devagar. A casa volta a ficar silenciosa, mas não vazia. O cheiro de comida fresca, o som da respiração da minha filha e o sol entrando torto pela janela me mantêm ancorada no agora. Vou até o colchão e acordo Alice com cuidado.

