Quando deu a hora, peguei o celular, guardei no bolso e foquei na coisa mais simples do mundo: buscar minha filha e seguir a vida. Intuição às vezes é só trauma com roupa nova, e eu não queria estragar meu dia por causa de sensação. Na saída, Alice veio correndo como sempre, contando mil coisas ao mesmo tempo, sem respirar. — Mamãe, hoje eu pintei com tinta! E eu brinquei de roda! E eu quase caí, mas eu não chorei! — Você foi corajosa — eu respondi, apertando a mão dela. Ela sorriu, orgulhosa de si mesma. — Eu sou forte. — É mesmo — eu confirmei. Edgar chegou logo depois, o carro encostando devagar. Ele desceu, cumprimentou a Alice primeiro, do jeito que ele sempre fazia, como se aquilo fosse regra. — E aí, pequena. Como foi? — Eu tô forte! — ela anunciou, como se fosse relatório.

