Acordei com o corpo mole e uma calma estranha, como se alguém tivesse desligado um alarme que vivia tocando dentro de mim há anos. A luz da manhã entrava por uma fresta da cortina do motel e desenhava faixas claras no lençol. Edgar estava do meu lado, deitado de costas, um braço por cima da cabeça, respirando pesado, como se finalmente tivesse permitido ao próprio corpo descansar. Por um segundo, eu só fiquei olhando, sem coragem de mexer, lembrando em flashes de uma noite longa demais pra caber em palavras e curta demais pra tudo que a gente segurou por tanto tempo. Eu me sentei devagar, puxando o lençol para me cobrir, e senti uma dorzinha boa no corpo e um peso bom no peito. Não era culpa. Era... realidade. Eu estava ali. Eu tinha escolhido. E ninguém tinha me machucado por isso. Ed

