95. Edgar

1342 Palavras

Depois que ele saiu da reunião tentando manter pose, eu fiquei parado mais uns minutos, olhando a porta fechada, sentindo aquele tipo de silêncio que vem antes do fim. Não era raiva gritando. Era certeza. Eu já tinha dado chance, já tinha cortado, já tinha avisado. E o cara era do tipo que só entende uma língua: a que não dá margem pra ele se levantar de novo. Entrei no carro sem pressa. No banco da frente, um dos meus já estava no volante, sério, esperando só meu sinal. Dentro do carro era outro mundo: "lá fora" tinha barulho, tinha gente, tinha movimento; ali dentro era só o motor e minha respiração. Eu encostei as costas no banco, olhei pro vidro e disse, baixo: — Vai. O carro deslizou pela rua como se fosse mais um. Eu não fui atrás dele correndo, eu fui atrás dele como quem vai bus

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR