37. Edgar

1271 Palavras

A noite cai de verdade por volta das sete, e o morro muda de novo. A luz fica amarela, as conversas baixam, o movimento vira mais atento. Eu tomo um banho rápido, visto uma camisa limpa, passo a mão no cabelo sem paciência e fico parado por alguns segundos na sala, olhando pro nada como se isso fosse me convencer a não ir. Não convence. Eu pego a chave do carro e saio. No caminho, a mente tenta me jogar de volta pro trabalho, pra reunião, pro bajulador, pras rotas. Eu empurro tudo pra longe. Hoje eu vou buscar uma mulher. E isso é mais difícil do que qualquer acordo, porque não tem arma, não tem ameaça, não tem medo que resolva. Só tem intenção. Chego perto da casa dela e estaciono um pouco mais abaixo, pra não chamar atenção. Desço, subo a viela a pé, sentindo o cheiro de comida e o ba

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