Edgar ficou um tempo em silêncio, só respirando, como se estivesse tentando colocar o coração de volta no lugar certo. Eu também. A casa tava quieta, e isso deixava tudo mais alto: a nossa respiração, o barulho do relógio, o peso do que a gente sentia sem dizer. Ele foi o primeiro a se mexer. Não com pressa, mas com decisão. Tirou a camisa devagar, como quem tá cansado de ficar duro por dentro, e veio até mim. Parou a um palmo, a mão grande subindo pro meu rosto, segurando meu queixo com firmeza, sem machucar. — Vem comigo — ele disse, baixo. Eu não respondi com palavra. Só segurei o pulso dele um segundo, sentindo aquela força que me irritava e me acalmava ao mesmo tempo. Edgar entendeu do jeito dele: me puxou pela mão, sem delicadeza demais, mas com cuidado suficiente pra eu saber que

