A espuma do shampoo.

1528 Palavras
Esperança É tarde da noite quando deixamos a casa bonita; nunca vi tanta fartura em numa mesa. Até me espantei. Foi assim, era por volta da hora do almoço quando a dona Violante me chamou para ajudar com as vasilhas de comida. _ Venha, Esperança, pegue essas baichelas de prata me ajude a levar para a sala de jantar. Ande devagar para não forçar o seu tornozelo machucado. - pediu e eu apenas balancei a cabeça em confirmação. Juro que fiquei que nem uma boba olhando tudo, nunca tinha visto tanta coisa bonita juntas num só lugar. No entanto quanto olhei para a mesa enorme meus olhos quase caíram do meu rosto. Contei até seis cadeiras, depois me perdi com os números. _ Vai chega visita? - perguntei olhando às muitas travessas. _ Não, menina, apenas o patrão vai almoçar. Por quê? _ Uai,sô, é muita comida pra um armoçar sozim. _ Senhor Florian gosta de comer bem. _ Minha nossa! Ele comi tudo isso sozim?! Me arrepiei ao ouvir uma voz de homem soar atrás do meu corpo. _ Um pouco de cada alimento preparado, senhorita. - me virei e fiquei roxa ao me deparar com um homem zarrão. Meu olhar se ergueu até a face do sujeito. Ele sorria e eu detestei o seu sorriso, porque o sorriso dos homens me machucam, eles são bichos cruéis. _ Senhor Florian essa é Esperança, a mocinha de quem lhe falei.- Dona Violante, corre e retira rapidamente travessa das minhas mãos. Quase que o arroz foi parar no chão. Após colocar a travessa na mesa, a senhora dona de bochechas rosas olha para mim. _ Esperança, esse é o patrão, senhor Florian. Eu fiquei congelada no lugar e quando ergueu a mão para me cumprimentar, olhei do seu rosto para a mão. Como não me movi, dona Violante tocou em meu ombro. _ Eu num toco em homi ninhum e não gosto que toque neu. - fecho a minha cara. Vejo o homem me olhar com espanto. _ Menina!Não seja grosseria! - ralha a senhora gorda. _ Deixe, Violante. De qualquer forma, é bom te conhecer Esperança. Violante vai lhe ensinar as regras da casa e os horários. Você tem folga uma vez na semana e a metade do sábado. - o homem com cara de principe fala. _ Sim, sinhô. - falo baixo - da licença. - peço antes de sair da sua presença e me esconder na cozinha longe dos olhos dele. O homem é alto, branco que nem leite e tem os olhos azuis como o céu e o cabelo dele brilha feito ouro. Me sento na cadeira ainda trêmula. Não demora para a senhora Violante se juntar a mim. A mulher chegou brava e com o rosto vermelho. _ Esperança, o que foi aquela sua atitude com o patrão? Você parecia um bichinho assustado, menina, deixou o homem no maior vácuo! - fala brava porém não grita. _ Num gosto de homi, são uns mardito! - fecho meu semblante. _ Para com isso, menina, nem todos os homens são iguais. O senhor Florian é um homem de bem, tem um coração enorme e bondoso.Estou chateada pela forma como o tratou. _ Só ele num querer toca neu que vai ficar tudo certo. - aviso. Dona Violante desvia seus olhos verdes de minha face. _ Vou terminar de servir o patrão e você fique aqui quietinha. - pede e logo se vai da cozinha. Respiro fundo, nervosa e impressionada. _ Ele parece um prínspe. - sussurro sozinha. Depois de muito tempo, dona Violante retornou; ajudei com a louça e a limpeza das vasilhas. Respiro o ar da noite, lembro das vezes que dormi no mato, com medo do monstro fazer alguma coisa comigo enquanto eu dormia; ele já fez e eu sofri muito. _ Minha casa é pequena, mas confortável. Senhor Florian mandou gradear o espaço para que eu tivesse mais privacidade. - ouço tudo e não falo nada. Na frente tem muitas plantas e flores coloridas, miniaturas feitas de barro, um burrinho, tartarugas e uma lagarta. Atravessamos por um caminho feito de cimento, logo pisamos numa varanda com bancos de madeira cheios de almofadas coloridas. _ A sinhora gosta de cor, né? - indago olhando quanta coisa colorida tem pendurada na parede da frente. _ Gosto de vida e alegria, cores são um prenúncio dela.- responde sorrindo, observo a facilidade que tem para sorrir. Dona Violante empurra a porta, entramos e o cheirinho de alfazema nos recebe. _ Lar doce lar. Apartir de hoje essa casa é o seu novo lar, Esperança. Aqui é a sala, vou te mostrar o seu quarto.- ando mancando atrás da mulher de bochechas cor-de-rosa. Aqui nessas atrás dessas portas estão os quartos, o banheiro e no final do corredor é a cozinha. _ Num tem medo?- pergunto. _ Medo de que? _ De enfiar na sua casa, uma muié que não cunheci? Dona Violante sorri, seus olhos também. _ Não, menina, porque vejo que você está mais assustada do que um filhote de passarinho que caiu do ninho. Pessoas assim trazem consigo uma carga de sofrimento que não podemos dimensionar. _ Pode expricar mior o que falo? Ela suspira e abre a porta que tem um anjo pregado em cima do portal. _ Que você é uma pessoa sofredora. Abaixo meus olhos, tanto de tristeza quanto de vergonha. Se ela soubesse que sou uma criminosa não estaria me estendendo a mão. _ A vida judiou deu, dona.- me limito a falar. _ Quer conversar? Apenas balanço a cabeça em negação. Falar não vai mudar nada do que me aconteceu. _ Pode ir deitar, descansar; amanhã saímos cedo para o trabalho, o senhor Florian gosta de pão fresco todos os dias e eu preciso sovar a massa, acender o forno.... O banheiro é naquela porta de cor branca, tem tudo o que precisa para tomar um banho. Vá e se refresque.- aponta na direção do cômodo. Não me faço de desentendida, sei que estou precisando mesmo de um banho, por isso não demoro a entrar e fico impressionada com a quantidade de produtos, sozinha e com a minha curiosidade em alta, pego algumas embalagens abro e sinto o cheiro. O perfume é doce, uma delícia, os cremes são tantos que nem sei para que serve. Tento ler o rótulo. _ Crê....e...crê...me...p...pa...ra o....ros...rosto! É isso! Cremi de pô na cara!- dou uma cheirada no produto- Hummm, cheira bom. Fecho a tampa e o devolvo para o lugar. Lá em casa o banho era com sabão em barra, shampoo não tinha e o creme era óleo de cozinha. Nunca tive luxos. Escuto pancadas na porta e levo um susto. _ Tudo bem, Esperança? - a voz da dona Violante soa abafada. _ Sim! - largo tudo no mesmo lugar e decido parar de espiar as coisas da senhora. Tiro minha roupa e me jogo debaixo do chuveiro. A água cai morna, uma delícia, sorrio, eu gosto da água. _ Pode usar os produtos do nicho! Lave bem os cabelos!- ela fala alto e eu fico muito agradecida por poder usar shampoo e condicionador. Sempre quis ter esses luxos em casa, nunca podíamos. _ Agradicida, dona Violante. - berro. _ Vou arrumar sua cama, menina, acho que tenho algumas coisas que podem te servir aqui. Vou procurar. Corri até o vidro de Shampoo enchi a mão e tasquei na cabeça esfreguei amando o cheirinho de frutas que o produto emana. _ Oh, diacho, quanta espuma! Num caba não? - falo sozinha, porque quanto mais a água cai e eu esfrego mais espuma faz. Entro em pânico achando que não deveria ter usado raio de shampoo nenhum! Depois de uns cinco minutos de agonia a espuma vai-se pelo ralo. Respiro normal, mais calma. Olho para o condicionador com receio. Pego o frasco uso pouco do produto. Esfrego meu corpo com o sabonete, retiro a espuma. Puxo a toalha e me seco o meu corpo. _ Esperança, tem um pijama aqui para você. - abro a porta e vejo dona Violante - Olha, menina, eu arrumei nas sacolas que separei para levar para a doação na igreja, você é magrina vai te servir. Pego a peça macia com estampa de gato. _ Pra eu? _ Sim, para você. É seu agora. _ Brigada dona Violante, é bonito. - fico feliz com a roupa porque as que eu trouxe são muito velhinhas. _ Vista-se, a cama te espera.- avisa- Ah, já ia me esquecendo, tem escova de dentes nova na gaveta e creme dental, escove seus dentes. Sabe que barata gosta de entrar na boca de quem não faz uma limpeza direita dos dentes.- avisa. Retorno ao banheiro, visto o pijama e escovo os dentes, penteio meu cabelo. Vejo os pequenos cachos querendo se formar. Organizo a minha bagunça; depois de deixar o cômodo, ando até a cozinha com a minha roupa suja em mãos. _ Onde posso lavar? _ Não precisa lavar, a máquina fará isso. Estou aqui fazendo uma lista de compras das coisas que preciso na casa do senhor Florian, quer me ajudar? - indaga e eu balanço a cabeça em afirmação. Continua.....
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR