CAPÍTULO 5

2954 Palavras
Já havia se passado dias que eu estava igual uma barata tonta, andando para tudo quanto é lado, em busca de algo para mim. Eu saia todos dos dias cedo, porém nada. Eu não achava nada. Eu não sabia o que iria fazer da minha vida. Para minha mãe, eu ainda estava estudando, tinha meu trabalho na lanchonete e Will estava com aulas em casa, porque as professoras estavam doentes. Sei que não poderia mentir dessa forma, mas eu não sabia como poupá-la da situação. Queria ter escondido de Will também a minha falta de emprego, mas não pude. Ele é meu amigo e meu confidente. Sei que ele não merece tudo que estamos passando, mas eu não posso deixar ele no escuro de tudo. Suspiro cansada. Tudo estava de cabeça para baixo na minha vida. E para completar, devido a essa recessão, a quebra de algumas empresas e até mesmo a falta de emprego, os pais de April resolveram mudar para Londres. Eu me despedir da minha melhor amiga aos prantos. Ela me ajudou muito e eu sentia um enorme carinho por ela. Porém, ela não podia ficar. Os pais dela estavam precisando dela para poder organizar a empresa em Londres. Então eu estava aqui sozinha. Eu me sinto sozinha. Não tenho para onde correr, não sei mais o que fazer. Fico vagando na cidade até a noite com esperança de encontrar algo, mas nada. Eu não acho nada. Eu fico me perguntando, o que eu vou fazer da minha vida. Minha cabeça fica dando voltas e mais voltas. Eu não acho uma saída para tudo que eu estou vivendo. Os remédios da minha mãe estão acabando e eu quase não tenho mais o dinheiro que April me emprestou. A luz foi cortada semCarol passada e eu tive que usar uma parte do dinheiro para pagar as três contas atrasadas. Não só isso, a água também. Eu não sei o que vou fazer. Nem os serviços básicos eu terei para manter daqui para frente. Ainda bem que comprei comida o suficiente para dois meses, porque senão, mamãe e Will não teriam nada para comer. Volto para casa depois de andar por Paris novamente. Meu corpo estava doendo, minha cabeça também. As vezes eu só queria chegar em casa e afundar em meu quarto e não pensar em nada. Não pensar que no dia seguinte, eu terei que sair para procurar um emprego, e nada acontecer. Eu estou desgastada por dentro e por fora. Estou um caco humano. Abro a porta do apto e dou de cara com minha mãe e Will sentados vendo televisão. Que bom que hoje ela está de pé. Fico feliz de vê-la bem. - Boa noite, mamãe, lindão! Dou um beijo em ambos. - Filha, você está magra demais. Com olheiras. Minha mãe diz e eu sorrio fraco. - Não se preocupe mãe. Eu estou bem. - Você não vem para almoçar tem vários dias, o que está acontecendo? Minha mãe pede. Will me olha triste por saber que eu estou andando para todos os lados para arrumar um emprego que nos sustente. - Estou entrando mais cedo na lanchonete, mamãe. Estou com fazendo horas extras. Minto. - E não tem comido por lá? - Sim mãe, não se preocupe. - Me preocupo sim. Não parece que você esteja comendo. Nunca vi você tão magra, com olheiras. Parece cansada. No final de semCarol vai descansar. Will e eu vamos cuidar de tudo enquanto você dorme. - Não precisa disso mãe. Aqui é a Sra que tem que descansar. - Eu me sinto bem minha linda. Portanto no domingo você vai dormir, vai descansar e deixar tudo comigo e Will. Sorrio. - Eu vou tomar um banho. Me levanto. - Deixei uma carne e salada para você. Will grita e eu agradeço. Tomo um banho esgotada. Começo a chorar. Fico me questionando o porque estamos passando por isso. O que nós fizemos para carregar esse fardo. E tudo parece que não terá fim. Será que algum dia eu vou conseguir que minha mãe faça um tratamento para melhorar de vez? Será que eu vou conseguir voltar Will para escola? Será que eu vou conseguir voltar para a faculdade? Choro mais. Eu tinha ido a escola de Will, e infelizmente, ele não poderá voltar enquanto não pagar as parcelas atrasadas. Tentei conversar, mas foi em vão. E também tentei transferir o mesmo para uma escola pública, mas foi sem sucesso. a escola é longe demais para ele. Eu teria que pagar uma condução para o mesmo. E neste momento nem isso eu posso. A minha faculdade eu tranquei. Ainda bem que lá foram mais condescendente com a minha situação, pois eu não poderia trancar a mesma com prestações em aberto. Porém, eu conversei e conseguir que tudo fosse feito e eu prometi voltar e pagar os atrasados. Saio do banheiro e vou para meu quarto, onde vejo minha mãe sentada na minha cama. Droga, não quero que ela perceba que eu estava chorando. - Tudo bem, mamãe? Indaguei sorrindo para ela. - Eu que quero saber meu amor. Você não parece bem. - Impressão sua mãe. - Não é. Eu sei que depois que seu pai morreu, e eu me deixei abater, você está com um peso nas costas. Não vejo você saindo com seus amigos no final de semCarol. Não vejo seus olhos brilhando mais. Você até tenta sorrir mais é em vão. - Isso não é importante para mim no momento mãe. Tudo que quero é que a Sra e Will fiquem bem. - E vamos ficar se você ficar também. Senta aqui. Ela pede, e eu vou. Você estava chorando. Merda. O que houve? - Não é nada mãe. - Sei que tem algo sim. Por acaso se apaixonou por alguém. Sorrio fraco. - Não mãe. Não tenho tempo e nem quero um relacionamento agora. Sou sincera. - Pois devia. Você é linda Carol. Tem um coração de ouro e deve sim pensar em você e não só em seu irmão e em mim. - Mãe, neste momento eu tenho outras prioridades. - Como o que? - Concluir minha faculdade, e conseguir um emprego melhor. Tento soar verdade nas minhas palavras. Não que isso não seja verdade, porém eu tenho que arrumar um emprego novamente para poder me dedicar a faculdade. - Mas você pode fazer isso com um namorado. Pego na mão dela. - Não se preocupe mãe. Isso vai acontecer no tempo certo. - Eu tenho medo. Ela fala me deixando surpresa. - Medo de que, mãe? Pedi ainda surpresa. - Hoje você tem dezenove anos, mas depois terá mais e não terá ninguém para te amparar se eu não estiver aqui. - Parar mãe. a Sra não vai a lugar nenhum. Will e eu precisamos muito da Sra. Deito a minha cabeça no colo dela. - Eu sei que sim, minha linda. Mas eu quero que você tenha em mente em arrumar uma pessoa para você. Eu quero que você seja feliz, assim como eu fui com seu pai. E quero também está aqui para ver você voltar a sorrir. - Eu vou mãe e não preciso de ninguém para isso. Falo divertida. - Eu sei que não amor. Criei uma garota decidida, independente, mas o amor faz parte da vida, e com ele pode se sorrir mais, pode ser mais feliz. - Eu sei disso também. Dona Virgíni, mas eu não quero e nem preciso de ninguém no momento. Com disse, quando for a hora vai aparecer. - Você não namora a muito tempo. - Mãe. Levanto olhando para ela. Queria entender o motivo dela está insistindo nesse assunto. - Carol, eu só quero que você tenha alguém para te amparar quando eu for. - A Sra não vai a lugar nenhum. Eu farei de tudo para te manter aqui do meu lado. Falo firme. - Eu sei que vai. Ela me abraça. Eu só quero que você seja feliz. - E eu serei com a Sra do meu lado. Um aperto se faz presente no meu peito. Deus não pode me tirar ela também. Will e eu morreríamos juntos com ela. - Agora vai comer. Você está muito magra para meu gosto. Vou ter que ir na lanchonete um dia desses para ver se aquele seu patrão não está te dando comida. Travei com a menção dela ir a lanchonete. Isso não pode acontecer. Ela saberia de toda verdade. Dou um sorriso para ela sem graça e ela beija minha testa. Eu te amo muito, nunca se esqueça disso. Ela fala e eu abraço mais forte. - Eu também, mamãe. E farei de tudo para te dar uma vida melhor, e recuperar sua saúde. - Filha, eu nunca quis dizer a você e nem a Will, porque vocês não mereciam e nem merecem tudo que aconteceu e está acontecendo comigo. Franzo a testa. - Do que a Sra está falando? Indago ainda em dúvida. - Minha saúde não vai melhorar. Me levanto sem entender. - Espera mãe. O médico disse que a Sra tem uma depressão por causa da morte do papai. - Eu pedi a ele para dizer isso. Meus olhos enchem de lágrimas. - Porque? Ind,aguei deixando minhas lágrimas saírem. - Porque você ainda estava nova. Você nem tinha dezessete anos Carol. E Will então? Novo demais para saber e entender que a mãe tem uma saúde debilitada. Eu não acredito nisso. - O que a Sra tem? Ela me olha e me chama com sua mão. Me sento na cama novamente e ela pega em minha mão. - Filha... Eu nunca te contei, mas eu nasci com um problema respiratório, onde fui submetida a um transplante de pulmão. Choro mais. - Por isso da cicatriz? Pedi sabendo a cicatriz que ela tem no corpo, porém ela sempre me disse que caiu e se machucou quando criança. - Sim, minha vida. Eu sei que é duro para você, mas a verdade é que esse pulmão está lutando por mim sozinho. - A Sra só tem um pulmão? Pedir em desespero. - Sim. Filha, eu sei que é muito para você saber. Não deveria está contando isso para você assim e agora, mas eu quero que você entenda, que precisa viver a sua vida. - Não. Digo chorando mais. Eu sei que as pessoas que tem um pulmão podem viver naturalmente. - Sim, e eu vive anos. Anos felizes com seu pai. Eu tive você e Will, que são as minhas riquezas. - E agora a Sra está desistindo? Meu choro está angustiante. - Não meu amor. Se tivesse uma chance, uma única chance, eu lutaria, mas não tem mais nada que ser feito. Franzo a testa. - Porque? O que tem mais? - Eu apresentava uma infecção no pulmão retirado, e agora esse também está apresentando o mesmo problema. Balanço a cabeça em negação. - Não aceito isso mãe. Me ajoelhei perto dela. Olho para ela limpando minhas lágrimas. A gente pode ver no hospital uma doação de pulmão. Isso mãe, a gente pode ver com o médico que está te tratando uma transplante. - Carol, não. - Mãe... Podemos ir lá amanhã. Falo com esperança. - Filha, não. Olho para ela. Ela está chorando igual eu. Vejo ela suspirar. Eu não conseguiria passar por mais um transplante. Balanço a cabeça mais uma vez em negação. - Não, mãe. Eu não quero te perder. Falo chorando mais. - Nem eu, mãe. Olho para trás e Will estava na porta chorando. - Me perdoa meus filhos. Minha mãe chama o Will e ele corre para os braços dela chorando muito. Nós três ficamos abraçados chorando muito. Isso não pode está acontecendo. Eu preciso de mais tempo ao lado dela. Eu quero ela mais comigo. Eu farei tudo que tiver ao meu alcance para isso. Não vou desistir dela nunca. Essa noite foi a pior da minha vida. Eu não consegui dormir nada. Essa situação da minha mãe estava a mil na minha cabeça. Eu tinha que conseguir alguma coisa urgente, pois ela me disse que os remédios que estão dando força para ela se manter do nosso lado, porém isso não é para sempre. Os remédios só estão remediando o inevitável. Choro de desespero por dentro. Eu não quero perder ela e nem muito menos quero trazer mais essa dor para Will. Ele é tão novo para passar por tudo isso. Ele não merece. Duas semanas havia se passado e eu cheguei na porta do prédio que eu morava, e vi Will na porta. Estranhei, porque ele não era de ficar fora do apto, mesmo porque nossa mãe poderia precisar de algo. - O que você faz aqui, Will? Indaguei franzido a testa. - Estava te esperando. Ele fala angustiado. - Aconteceu alguma coisa com mamãe? Pedi já em desespero. Entro no prédio, porém a voz de Will me trava. - Ela foi para o hospital, Carol. Ela passou muito m*l e eu pedir a um dos vizinhos para ligar para emergência. Meus olhos minam lágrimas automaticamente. - Em que hospital? Peço chorando. Ele me dar o papel e assim vamos nós dois para o hospital. Pego o último dinheiro que tenho e pago um táxi para chegar mais rápido. Vou abraçada a Will e pedindo silenciosamente que ela esteja bem. Ela não pode nos deixar. Isso não. No hospital dou o nome dela e me falam que tenho que aguardar na recepção, porque o médico vai falar com a gente. Will e eu vamos para a recepção. Ficamos os dois abraçados. Estava nervosa do que viria pela frente. - Eu não quero perder ela também, Carol. Will me tira dos meus pensamentos. Beijo a cabeça dele sem dizer nada. Eu não tenho palavras para ele. Eu não sei o que será de nós dois se ela também se for, assim como papai. - Virgíni Durand? O médico aparece. - Somos filhos dela. Digo de pé com Will. - Tivemos que entubá-la. Começo a chorar forte. A respiração dela estava muito fraca. - Ela vai sair dessa? Meu irmão questiona chorando muito. O médico fica olhando para ele e depois olha para mim. - São só vocês dois? Ele pede e nós assentimos chorando. Ela vai ficar assim e vamos acompanhar a evolução. Olha, vai ali pegar uma água para sua irmã. O médico pede a Will. O mesmo foi. - A sua mãe está com insuficiência respiratória. O caso dela não tem mais jeito. O Pulmão dela está infeccionado. - Ela tem tomado os remédios direito. - Mesmo assim. Não há remédios que fará ela se curar. Os remédios só estão retardando o que de fato irá acontecer. Eu sinto muito. Will chega com o copo de água e me dar. Fico paralisada. - O que eu posso fazer para ela? Indaguei ainda sem chão com tudo isso. - Neste momento nada. Mas quando ela sair daqui, ela terá que continuar tomando os remédios conforme te falei. Assinto. - Obrigado! Falo. - Podem ir para casa. Vocês não poderão ficar com ela. - Podemos vê-la? Pedir. - Você pode entrar, mas ele não. - Eu quero ver minha mãe. Will diz firme. O médico vem até ele - Eu sinto muito garotão, mas não é permitido crianças no leito que sua mãe está. Suspiro. - Eu volto mais tarde. Não vou deixá-lo aqui sozinho. - Se quiser, pode ir, eu fico com ele. - Não. Preciso conversar com ele. Falo. Eu te agradeço. Vamos Will. Saímos os dois e eu o levei até o Pie da Marina. Nos sentamos vendo o mar. - Ela vai morrer não vai? Ele pede olhando para o nada. - Eu sinto muito. Limpo minhas lágrimas. Eu só quero que você saiba que eu estarei aqui sempre por você e para você. Quero que você saiba que tanto papai e mamãe nos amou muito e independente do que acontecer daqui para frente, eu sempre estarei aqui para você. Eu te amo muito. - Eu também. Ficamos os dois ali em silêncio. Nada mais precisava ser dito. Assim como eu, Will crescerá cedo demais e criará responsabilidade demais para a idade dele. Eu não queria isso. Não queria vê-lo sofrer. Fomos para casa. Assim que chegamos na porta do prédio, parecia haver alguém mudando. Porém percebo que se trata das nossas coisas. - Que bom que chegou, Caroline. O Zelador fala com ironia. - O que está acontecendo? Peço vendo todas as nossas coisas na rua. Sofá, cama, televisão. Nossas roupas jogadas na porta, como se fossem trapos. - Você não imagina? Já tem meses que você não paga o aluguel do apto, e eu te avisei que não dava mais para segurar, então estamos te despejando. - Não, por favor não. Eu estou sem trabalho, minha mãe está doente. Me dê mais tempo. Eu preciso de mais tempo. Peço chorando. - Não. Eu não posso. Eu te disse as semanas atrás, que isso iria acontecer. Pode chamar um caminhão ou sei lá o que para pegar suas coisas. - Não. Por favor não. Digo chorando. Will está abraçado a mim. E agora? O que vou fazer? Estava a meia hora sentada no sofá na porta do prédio. Will e eu não tínhamos para onde ir e nem sabíamos o que poderíamos fazer. Vejo um cartão no chão e pego o mesmo. Olho e se trata do cartão que a mulher me deu. Eu não queria me submeter a isso. Mas não vejo como nos tirar dessa situação e nem dar uma vida melhor para minha mãe até a hora que Deus a levar. Eu vou procurar essa mulher e serei a Acompanhante.
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