CAPÍTULO 6

2197 Palavras
Minha decisão já estava tomada. Eu não posso voltar atrás, mesmo porque não existe mais portas abertas para mim. Levantei do sofá que estava. Olhei para meu irmão que estava com a cabeça baixa. Eu não o deixaria sofrer mais. Faria de tudo para manter nossa mãe o mais tempo viva que Deus permitisse, e faria com que ele tivesse uma vida normal para a idade dele. - Vamos Will. Digo firme e decidida. - Para onde vamos? Ele indaga ainda sentado. Seus olhos tristes me doem, e faz eu ver que nada mais importa se não for a felicidade dele. - Eu vou procurar uma pessoa que havia me oferecendo um emprego. Minto. - Tudo bem. Vamos. Ele se levanta e olha todas as nossas coisas na rua. - Deixa isso aí. Vamos pegar somente as nossas roupas. Ele suspira. Volto para dentro do prédio e peço a faxineira para arrumar uns sacos de lixo. Assim ela me arrumar com pena. Agradeço a ela e já vejo Will pegar todas as nossas roupas que estavam no chão e colocarem no sofá. Dou um dos saco de lixo para ele e vamos colocando as nossas roupas. Vou até uma gaveta que estava no chão e pego uma pasta com alguns documentos. Não demora muito e já estamos com tudo pronto para ir embora. Virar a página. Procurar outro destino. Já estava na frente da empresa dessa mulher. Estou com as sacolas de lixo com nossas roupas em uma mão e a outra segurando a mão de Will. A noite se faz presente. Respiro fundo antes de entrar. Olho novamente para o rosto do meu irmão. Ele está calado desde a hora que saímos do nosso bairro. - Caroline? Escuto a voz da mulher que vai traçar meu destino daqui para frente. Me colocarei nessa situação para salvar os meus. Minha mãe, meu pai e até mesmo Will me perdoem pela a vida que vou levar de agora adiante. Encaro a mulher a minha frente. - Sim. Sou eu. Vim conversar com a Sra. Ela me dar um sorriso enorme, que me faz estremecer de medo. - Eu já a esperava. Ela olha para Will. E esse garoto? Sua voz me dar arrepio. - Ele é meu irmão. Podemos conversar? Indaguei não deixando ela saber mais do que deveria da minha vida. - Podemos. Deixe esse garoto na recepção. Ela fala com um certo ranço na voz e isso só me faz odiá-la. - Vem lindão. Entramos. Fique aqui. Só vou conversar com ela e já volto. Ele somente assentiu. Entrei na sala que a mulher já estava me esperando de pé e parecia sem paciência. - Eu já imaginava que essa pose de santinha não iria muito longe. Olho desafiante para ela. - Eu não estou aqui porque quero. Estou aqui, porque não tenho saída, porém isso não é da sua conta, e antes de fecharmos qualquer coisa, tenho duas coisas para te pedir. - Eu não costumo ceder pedido de ninguém. Ela fala se sentando. - Pois eu não irei aceitar qualquer coisa aqui se não atender meus pedidos. Tento ser firme. - Caroline, pelo que vi ali fora, você não está em posição de pedir nada. Ou aceita ou não aceita. - A Sra tem razão, porém eu não tenho mais nada a perder. Eu estou em um dia de merda, e tudo que quero agora é poder dar um lar para aquela criança lá fora e um atendimento decente para minha mãe que está m*l no hospital. Portanto Sra, eu preciso realmente do que a Sra tem para me oferecer neste momento, mas vejo também que a Sra precisa de mim, já que está aqui ainda me ouvindo. Ela me olha firme e parece com raiva por precisar de mim. - Ok, Caroline, eu te concederei o que me pedir, mas não se acostume com isso, porque aqui eu não cedo a ninguém. - Não se preocupe, porque essa é a primeira e última vez que te peço algo. - Fale logo o que você quer. Indaga sem paciência. - Eu quero um adiantamento para alugar um apto e também para transferir minha mãe, para o hospital central de Paris. Ela fica me olhando. - Pelos sacos de lixo lá fora, vocês dois não tem onde dormir essa noite. - Isso mesmo. Afirmo. - Eu vou arrumar o adiantamento para você Caroline, porém quero que você comece o mais rápido possível. Amanhã mesmo farei seu book e divulgarei as suas fotos em nosso site. - Tudo bem. Eu só vou me organizar na parte da manhã e a tarde estarei aqui a sua disposição. - Não precisa ficar triste, aqui você vai ganhar muito dinheiro. E será a solução dos seus problemas. Não digo nada. Ela pega sua bolsa e tira uma chave de lá. Vá até a sua mesa e abre uma gaveta com a mesma. Vejo ela tirar um bolo de dinheiro dessa gaveta. Aqui tem cinquenta mil Euros. - Eu não preciso disso tudo. - Precisa sim, mesmo porque, você vai se mudar para a parte central de Paris. Respiro fundo. Meus clientes se concentram aqui Caroline. E outra o hospital central, não é barato, e dependendo do tratamento da sua mãe, pode custar mais caro, então esse valor vai cumprir todos os seus gatos. - E como eu pagarei esse valor para a Sra? Não quero ficar devendo ela nada. - Não se preocupe, em uma semana de acompanhante eu consigo que você me pague esse valor. Fico estática com essa informação. Meus clientes não pagam menos de oito mil para minhas meninas, e você, não acho que eles pagaram menos de doze mil. - Qual é o meu ganho desse valor? Ela sorrir para mim. - Eu não tiro mais que trinta por cento desse valor. O resto é seu. Assinto não me deixando maravilhada com esse valor. Não era o que eu queria para minha vida. - E a hora que quiser sair disso? Ela me olha, e eu não sei decifrar seu olhar. - Você pode sair quando quiser, desde que não me deva valor algum? Assinto novamente. - Tudo bem. Eu vou indo. Amanhã estarei aqui na parte da tarde. Pego o dinheiro que estava na mesa dela. - Te espero. Sair com o coração apertado com essa decisão, mas ao ver Will triste sentado no sofá, eu não podia submeter ele a mais sofrimento. - Vamos lindão? Pedir dando um sorriso para ele. - Para onde vamos agora? - Procurar um hotel para dormir essa noite, e amanhã procurar um apto para alugar. - Você tem dinheiro para isso, Carol? Ele questiona e eu agacho um pouco para ficar do tamanho dele. - Eu consegui um adiantamento para sanar as dívidas, e alugar o apto. Minto. - De que você vai trabalhar? Ele pede olhando para mim com os olhos brilhando. Respiro fundo antes de responder essa pergunta. - Ela me ofereceu um emprego para acompanhar sua mãe algumas noites. Minto de novo. Ele não precisa saber o que a irmã fará para ganhar dinheiro. - Tipo de enfermeira? Assinto. Que legal! Vejo esperança em seus olhos. Me dói mentir para ele, e vai me doer mais mentir para minha mãe, mas não tem jeito. - Vamos agora. Já está tarde. Você precisa comer. - Você também. Sorrio para ele. - Não se preocupe. Eu estou sem fome. Ele não diz mais nada. Fomos os dois para um hotel perto dali mesmo. O Hotel era simples e servia ainda a refeição da noite. Agradeci a Deus por não ser muito caro, por mais que seja só essa noite, eu não quero gastar. Tenho outras prioridades. Will tomou um banho e depois comeu algo. Deixei o mesmo comendo e fui tomar meu banho. Deus me ajude que agora minha vida se resolva. Eu não pretendo ficar muito tempo nessa vida, mas o tempo que eu ficar, que o Sr me dê forças. Me dê perseverança para lutar pelo o que eu quero. Respiro fundo. Saio do banho devidamente vestida com um pijama. Will já está deitado em sua cama. - Carol, mamãe não vai mais voltar para casa? Meu irmão me questiona. - Sim meu amor. Ela só vai ficar até está mais forte. - Mas ela não tem cura né? Engulo em seco e sento perto dele. - Eu lamento Will, ela não tem mais jeito, mas amanhã eu vou trazer ela para o hospital central de Paris. Lá podemos ver uma segunda opinião e tentar fazer ao máximo que ela fique bem, seja o tempo que ela ainda estiver com a gente. O abraço. - Eu não queria perder ela também. O aperto em meus braços. - Nem eu lindão. Porém, não depende da gente. Tudo é no tempo de Deus! Vamos dormir, amanhã é outro dia, e tudo pode melhorar. Falo beijando a cabeça dele. - Você precisa comer. Vou para minha cama e arrumo a mesma para me deitar. - Eu estou sem fome. Não precisa se preocupar. Agora durma. Descansa. Vida nova a partir de amanhã. Apago os abajur e a luz. Fecho meus olhos e durmo. Minha manhã passou rápido. Eu tinha escolhido um apto mobiliado perto do centro de Paris. Deixei nossas coisas lá. Will e eu fomos para o hospital saber da nossa mãe. Questionei ao médico sobre uma possível transferência para o Hospital de Paris. Ele me olhou parecendo não acreditar. Porém, eu não dei muitas explicações. Ele me disse que eu poderia transferi-la. Não iria ocorrer nada com ela. Assim eu fiz. Will pode vê-la sendo transferida. Ele pode conversar com ela, mesmo a mesma inconsciente. Depois de tudo feito, eu fui para meu destino. Deixei Will sozinho no apto. Sei que ele não pode ficar sozinho, mas eu não tinha outro jeito. Será assim até eu ter um dinheiro para pagar uma pessoa para ficar com ele e mamãe. - Está pronta? A Sra indaga. - Sim. Vamos fazer o que a Sra desejar. Falo e ela sorrir para mim. - Que ótimo. Vamos então começar a sessão de fotos que já arrumei para você. Venha comigo. Vou com ela e nas próximas horas, fui maquiada, arrumaram meus cabelos, troquei de roupas várias vezes e ainda fiz fotos com perucas loiras e ruivas. Tudo ao gosto do cliente dela. Eram sete horas da noite e eu estava exausta. Todas as fotos ficaram maravilhosas. Hoje mesmo coloco no meu site. Assinto não dizendo nada. Me passa seu número de telefone. Droga, me esqueci desse detalhe - Desculpe, eu não tenho celular. Digo e ela respira fundo. - Vou te emprestar esse, até você comprar o seu. Vamos manter contato por esse daqui. Amanhã mesmo já deve aparecer um cliente louco para sair com você, então esteja atenta ao seu celular. Assinto. E outra, aqui é uma agência de luxo. Amanhã esteja nessa loja, terá uma pessoa te esperando para comprar algumas roupas para todas as ocasiões que virá. - Tudo bem. Mais alguma coisa? - Não. Só isso. Tudo está conforme eu quero e planejei. Não digo nada. - Eu vou indo então. Tenha uma boa noite! - Você também! Sair e antes de ir para casa eu fui até o hospital. Queria saber se mamãe tinha tido alguma reação. No hospital, estava aguardando o médico plantonista aparecer para me dizer como minha mãe estava. Eu vou amanhã comprar um celular para deixar com Will também. Não quero ele desprotegido. Não posso deixar ele o tempo todo sozinho, sem nenhuma notícia. Ainda mais agora, pois meu trabalho será a noite. Como farei com ele? Não posso deixar o mesmo sozinho. - Boa noite, Srta Durand! - Boa noite! Seu nome é? Indaguei para o médico a minha frente. - Sou o Dr Fillipi Morel. Estou acompanhando o quadro clínico da sua mãe. - E como ela está, Dr Morel? - Está igual. Não há melhora, mas também não há piora. Continua estável. Assinto. - Tem algo que possa fazer para melhorar a qualidade de vida dela? - Fora os remédios, não podemos fazer mais nada. Há, quando ela for para casa, vamos mandá-la com um balão de oxigênio. A cada dia que passa a respiração dela está mais fraca, e com o balão de oxigênio, ela vai ficar melhor. - Isso é muito caro? Indaguei querendo já colocar isso no meu orçamento. - O hospital aluga para todos os pacientes. Assinto. - Lipi, estava te procurando. Um outro médico aparece. Desculpa, não queria atrapalhar. - Não atrapalha, eu já estava indo embora. Falo. Dr Morel, eu posso vê-la? - Claro que sim. Vamos, eu te acompanho até o quarto. Assinto. Lambert, vamos que já pego o caso que você quer me passar. - Me salvou cara. - Sei. Escuto ambos falando até chegar no quarto da minha mãe. Entregue Srta. Espero ter tirado suas dúvidas. Essa noite eu acompanharei ela, e se quiser tirar alguma dúvida, esse é meu número. Ele me passa seu cartão. - Obrigada Dr. - De nada! Abro a porta do quarto e entro deixando os dois lá fora.
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