CAPÍTULO 7

2413 Palavras
Eu estava já na loja que a Sra me disse para ir. Tinha uma garota já me esperando. Parece que ela também trabalhava para essa mulher. - Vou te dar um conselho. A garota chamada Viviene me diz. - Pode falar. - Pela sua cara é a primeira vez, e não é tão r**m assim. Somos respeitadas como Acompanhantes. Claro que você pode pegar um rico metido a idiotia que acha que pode fazer tudo com você, mas não pode. A Sra não deixa ninguém nos tratar m*l, mesmo porque no outro dia temos que está impecável. Portanto não se preocupe muito com que você está fazendo. Eu costumo fingir que não sou eu ali. - Você está nessa a muito tempo? Indaguei experimentando um dos muitos vestidos que a vendedora trouxe para mim. - Sim. Uns seis anos já. Suspiro. Não quero ficar esse tempo todo como Acompanhante. Eu quero parar assim que completar a minha faculdade e arrumar um emprego dentro da minha área. Eu devia ter saído, mas eu gosto do que eu faço. Fora que o dinheiro que ganhei aqui me trouxe muitos ganhos. Eu tenho um carro, um apto luxuoso, pago as minhas próprias contas, e ainda terminei minha faculdade de Arte. - Não quis exercer sua profissão? Ela balança a cabeça em negação. - Eu fiz por hobby, e não porque queria exercer algo. Como disse, eu gosto do que eu faço e não pretendo sair desse vida, há não ser que, encontre meu príncipe encantado. Sorrio dela, pois a mesma suspira ao falar. - Então, você está procurando um príncipe encantado? Perguntei divertida. - Não estou procurando, mas não acharia r**m aparecer. Ela diz sorrindo e eu acabo sorrindo também. E você tem, tem alguém? - Sim. Minha mãe e meu irmão. - E está fazendo isso por eles? - Sim. Eles são tudo que eu tenho e farei qualquer coisa por eles. - Muito nobre da sua parte. Eu não tenho ninguém. Minha mãe morreu no parto do meu irmão, que acabou morrendo logo depois por insuficiência respiratória. Meu pai não aguentou e acabou com a própria vida. Ele bebeu até não aguentar mais e ter um coma alcoólico, ele não saiu mais do hospital e eu fiquei sozinha aos quinze anos de idade. A minha história não se compara a dela. - Eu sinto muito. - Eu superei e dei a volta por cima. Eu não sinto vergonha do que eu faço. Pelo contrário, eu estou aqui, linda, pago as minhas contas e não dependo de nenhum homem que queira mandar em mim. Ela tem uma força que é linda. - Você é a força em pessoa. Digo olhando para ela. - Você também é. Todas nós somos, ao nosso modo. Mas não vá para esse mundo achando que tudo é r**m, porque não é. Seu corpo, suas regras. Eles nos pagam para nos manter do lado deles. Eles assinam um contrato com a Sra para nos preservar. Se falarmos não é não. Como a Sra gosta de dizer, não somos prostitutas de rua, não quer ver a gente marcadas, e nada pode acontecer com a gente, porque senão, eles pagaram um alto preço e também nunca mais se envolverá com as garotas dela. - Já aconteceu algo com alguma garota? - Não por culpa da Sra, mas sim por culpa da garota. Viviene fala olhando para o nada. - O que houve? Vejo ela suspirar. - Paty era louca. Queria viver o momento e nada mais importava para ela. Se envolveu com coisa errada. Achou um cliente que usava merdas, e foi na dele. Morreu de overdose na banheira de um hotel. Deixou uma filha de dois anos que foi para o lar adotivo já que a família nunca quis saber dela e da menina. - Que triste. Digo. - Sim, mas ela sabia os riscos que estava correndo. A Sra conversou com ela. Tirou ela do catálogo, até a mesma voltar ao seu normal, porém o cliente teve contato com ela por telefone, coisa que não é permitido aqui. - Vocês não podem passar o número de vocês para os clientes? Indaguei querendo saber até onde eu posso ir com isso. - Não. Todo contato deles é feito pelo site da empresa. E a Sra nos liga ou manda mensagem nos informando onde devemos nos encontrar. Assinto. E foi assim que Paty morreu. Mas acredito que ela fez uma escolha, assim como você está fazendo agora. - Concordo. - Chega dessa história triste. Essa noite você tem que está mais linda do que já é para sua estreia, e como disse não faça disso algo r**m. Os ganhos são imensos aqui, e também sua vida muda com esse dinheiro. Você só não pode ficar deslumbrada. Porque temos que manter os pés no chão. - Eu não pretendo ficar muito tempo nisso, Viviene. Eu quero ajudar minha mãe com sua saúde, colocar meu irmão de novo na escola que ele estudava e concluir a minha faculdade. - Você faz faculdade de que? - De Administração. Eu tive que trancar a mais de um mês atrás, mas eu quero voltar e concluir a mesma. Depois exercer a minha profissão. - Isso é muito bom. Espero que você consiga tudo que almeja. E tenha os pés no chão para realizar tudo que você quer. - Eu terei. Afirmo, porque eu quero concluir tudo que desejo para voltar a minha vida. Experimentei roupas e mais roupas. Mais exatamente vestidos para todas as ocasiões. Depois Viviene e eu almoçamos juntas. Como eu havia deixado algo pronto para Will, eu não me preocupei com ele. Mas fui em sua escola e paguei todas as mensalidades atrasadas. Sei que não poderia está gastando o dinheiro enquanto não estivesse já trabalhando, porém, eu não posso deixar o mesmo em casa sem fazer nada. Ele gosta de estudar. Quero voltar a dar isso a ele. Ele voltaria amanhã mesmo a estudar. E farei de tudo para ele continuar nessa escola, e para nunca mais ele sair dela. Vou até o hospital para saber da minha mãe, antes de ir para casa. Já havia passado pela recepção e vou até o quarto da minha mãe. Ela está na mesma. Dou um beijo na testa dela. - Will e eu estamos com saudades mamãe. Espero que você saia dessa logo. Sentimos a sua falta. Te amamos muito. Beijo novamente sua testa e vou saindo, porém encontro um outro médico na porta. Já iria procurar o médico responsável pela minha mãe. Falo e ele sorrir para mim. - Sou o Dr Smith. Silvio Smith. Ela está bem. Vamos deixar passar hoje para tirá-la da intubação. Fico feliz com isso. - Amanhã então eu estarei aqui. Posso trazer meu irmão para vê-la? - Sim, pode. Ele sorrir para mim. - Obrigado Dr. Eu vou indo. O agradeço e saio com esperança que minha mãe saia desse hospital e vá para casa. Cheguei em casa e Will estava vendo televisão. - Oi Lindão, tudo bem por aqui? - Sim. E você, está bem? Almoçou? Sorrio da preocupação dele. - Sim. Eu almocei e está tudo bem comigo. Tenho três coisas para te dizer. Me sento perto dele e o mesmo se vira para olhar para mim. - A primeira é que, talvez eu tenha que ir trabalhar essa noite. Talvez tenha que começar essa noite. E você terá que ficar sozinho até eu chegar. - Tudo bem. Eu já imaginava. Não se preocupe, eu prometo que vou me comportar. - Eu tenho certeza disso. Sorrio. Agora, amanhã o Sr irá voltar para escola. - Sério? Ele pede super empolgado pulando no sofá. - Sim. Eu fui lá hoje e resolvi tudo. E melhor, aqui está mais perto da escola para você, então aqui passa o ônibus escolar, você poderá pegá-lo. - Eu te amo Carol. Obrigada por fazer isso por mim. Ele me agarra. Gargalho da empolgação dele. - Eu também te amo meu lindão, e faria qualquer coisa para você. - Você disse que eram três notícias. Falta uma. - Eles vão tirar a mamãe da intubação amanhã. Então assim que você chegar da escola e almoçarmos vamos lá vê-la. - Essa é a melhor notícia. Eu sinto falta dela. - Eu também. Mas ela daqui a pouco vai está com a gente e tudo vai ficar bem. Mais tarde, estávamos nós dois sentados no sofá. Vejo o celular tocando e eu atendo. Era a Sra me dizendo que tinha já um cliente interessado em mim. Respirei fundo e me arrumei com uma das roupas que havia comprado na loja com Viviene. Will quando viu o monte de sacolas me perguntou do que se tratava. Eu disse que era uns vestidos que April havia me dado. Fico muito m*l por mentir para ele. Me arrumei toda. O cliente estaria me esperando em um bar no centro de Paris. Fui para sala e Will estava vendo tv. - Você está muito gata, Carol. Meu irmão diz e eu sorrio. - Muito obrigado! Mas olha nada de ficar até tarde na televisão. Amanhã cedo você tem aula. - Tudo bem. Eu não vou ficar até tarde. - Deixei a lasanha no micro-ondas. Dois minutos já está quente. - Pode ir tranquila irmãzinha. Eu vou ficar bem. Dou um beijo nele. - Boa noite para você. Desço e tem um carro me esperando. A Sra me disse que esse carro viria sempre para me pegar. Ela mantinha as garotas em sigilo total. No bar, eu cheguei e perguntei pelo cliente. Uma host já me encaminhou para a mesa que ele estava. - Boa noite! Digo mais calma que eu possa parecer, porque por dentro estou super nervosa com isso. - Boa noite! Ele se levanta e fica me olhando. Suas fotos no site não é nada comparada com sua imagem pessoalmente. Você é muito linda. - Obrigada! Agradeço sem graça. - Sente-se. Ele puxa a cadeira para mim. Me sento nervosa. Parece nervosa. - Eu pouco. Ele sorri para mim e eu forço um sorriso. - Uma bebida para você relaxar. - Por favor, só água. - Não quer algo mais forte? - Não. Eu não costumo beber. Falo sendo sincera. - Tudo bem. Ele faz sinal para um garçom. O mesmo aparece em segundos. Uma água para a Srta. O garçom se vai. Não precisa ficar nervosa comigo. Hoje eu só quero uma companhia. Preciso conversar com alguém. Relaxo um pouco. - O que o Sr quer conversar? Peço. - Não me chame de Sr. Me chama de você ou Pablo. - Desculpe. - Sem problemas. Você não é a primeira garota que pego para poder conversar. Sempre entro no site pedindo uma para desabafar, já que no meu meio, as pessoas são hipócritas demais. Não digo nada. Eu sou Gay. Me surpreendo com isso. E para eu me assumir, envolve muitas coisas, uma delas é a empresa que hoje está sob o meu comando. - Você tem medo de perder o comando dessa empresa? - Não tenho medo, porém, se eu perder, quem assumirá é um babaca, e eu não estou disposto a ceder o comando a ele. - Você acha que vale a pena? Ele me olha parecendo querer que eu conclua meu raciocínio. Você tem uma vida, tem uma carreira. Sei que a empresa é importante para você, mas e sua vida? Sua vida pessoal? - Eu não sei o que faço. As vezes tenho vontade de jogar tudo que conquistei até agora para alto. - Mas isso é uma imposição de alguém? Se você se assumir, você perde o comando da empresa? Indaguei querendo que ele se abra mais. - Não, mas eu não sei como meu avô vai reagir ao saber da minha sexualidade. Eu não quero magoá-lo. E também a sociedade pode ser muito c***l. - Eu sinto muito. - Eu sinto mais, porque estou prestes a perder a pessoa que tanto amo e amei na minha vida. - Te pergunto de novo. Vale a pena? Ele olha para o nada. Como disse, percebo que a empresa é importante para você, mas e sua vida pessoal? Você vai abrir mão da sua vida pessoal para acatar essa sociedade ridícula? E seu avô pode ficar magoado por um tempo, mas acredito que ele possa aceitar com o tempo. - Você entrou nessa vida porque? Mudamos bruscamente de assunto. - Porque necessito. Eu não tive escolha. - Como assim? Você parece engajada. Se expressa bem. É linda, poderia está aí fora ganhando o mundo. - Eu tentei ganhar o mundo como você assim diz. Mas as coisas não estão fáceis aí fora. Eu tenho uma família que depende de mim. Não posso virar as costas para os meus. - Eu também não posso virar as costas para os meus. Assinto. - Entende. Você se sente na obrigação de se anular para poder fazer o que seu avô deseja. Mas diferente de você, minha mãe e nem mesmo meu irmão sabem disso aqui que estou fazendo por eles. E se soubessem tenho certeza que não aprovariam. - Se eu te contratar para sair comigo algumas vezes para poder despistar toda sociedade e mídia, você aceitaria? - É meu trabalho. E eu te ajudo que você quiser para você poder ficar com seu namorado, e quem sabe toma coragem para se assumir. - Está falando sério? Topa mesmo ser usada para se passar por uma possível namorada. - Sim. Posso fazer isso. Digo sendo sincera, quem sabe ele não resolva se assume de vez. - Eu te agradeço. E diferente das outras meninas que já conversei, você me ouviu de verdade. Ficamos mais algum tempo conversando e depois o carro que a Sra havia mandado para mim, estava me esperando. Pablo se despediu me dizendo que nós iriamos nos ver de novo. E que nosso arranjo iria dar certo. Eu não me importo de ajudá-lo, só me preocupo que com isso ele não se assuma nunca e perca seu namorado. Cheguei em casa quase as onze da noite. Tudo estava escuro. Fui para o quarto tirando minhas sandálias. Passei no quarto de Will e ele estava dormindo. Dei um beijo de boa noite nele e fui para meu quarto. Assim que me deitei, fiquei aliviada por passar pelo dia de hoje. Sei que nem todos os dias serão assim, mas agradeço a Deus por ter sido tranquilo.
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