Capítulo 7

1529 Palavras
o lentamente comandado por outro grupo de bruxos mais velhos e ardilosos. - O Grupo dos Poderosos. Sei disso. - Há um ano descobriram que Angel conseguia falar com cobras. E não só isso. Para um menino da idade dele, é extremamente habilidoso com magia. Alguns dos meninos da gangue reportaram a novidade para os antigos comensais, agora denominados Grupo dos Poderosos. A notícia foi recebida com festa. Aparentemente, há uma profecia... - É, eu sei sobre essa profecia. Harry finalmente se sentou, mas longe de mim. Tinha a expressão angustiada e preocupada. Era como se eu já nem estivesse ali, tão imerso ele estava em seus próprios pensamentos. Resolvi continuar mesmo que não mais estivesse sendo ouvido. - Bem, eu não sei as palavras exatas, nem Alfred. Mas os Poderosos acham que ela tem a ver com Angel. A profecia fala de uma criança com poderes fenomenais, poderes esses, porém, que sempre pertenceram a bruxos das trevas. De acordo com alguns, Angel é apenas um recipiente. Até que complete doze anos, sua alma está aberta e é propensa a... possessões. Mas a magia para isso é muito perigosa e impensável. Quando Alfred soube o que pretendiam fazer com o irmão, fugiu. Ele acredita que sabe o que será usado no ritual para trazer Voldemort de volta. Harry deu uma risadinha amarga. - Não é Voldemort, Malfoy. Voldemort não pode mais voltar. - Como pode ter tanta certeza? - Porque eu tenho. Fui eu quem o derrotei, não foi? Além disso, não é Voldemort quem eles querem de volta. Não é Voldemort quem eles têm adorado nos porões da casa de Matilda Junian. Houve uma pausa aterradora. - Então sua ida à casa de Matilda foi proposital... O movimento que Harry fez com a cabeça foi quase imperceptível. Senti-me mais do que i****a. Achava que estava ajudando Harry, e que sabia algo que ele não fazia ideia. Que poderia fazer com que ele precisasse de mim. Como eu fora tão inocente? Tão o****o? Mas agora eu tinha um trunfo. Pois pela surpresa no rosto de Harry dessa vez, tinha certeza de que ele nunca soubera da importância de Angel na equação. - Então eles escolheram Angel... Vou precisar levá-los pra longe daqui, Malfoy. - Eles não estão em perigo aqui. - Como pode ter certeza? - Uma vez, se você bem se lembra, a Mansão já foi usada pelo próprio Lorde das Trevas como Quartel General. Harry fez uma careta. - Como eu poderia me esquecer? Mesmo assim... - Por que não age como Fiel do Segredo então? Estou disposto a fazer isso agora se for para convencê-lo das minhas intenções. Harry me olhou por um bom tempo, como se estivesse tentando ler minha mente. Estava com um leve pressentimento que ele tentava Legilimência pra cima de mim. - Está perdendo seu tempo. Seria mais educado se você me pedisse para abrir minha mente. Não me recusaria. – comentei quase casualmente. Outra careta. - Não estou querendo ler sua mente... - Ah, então esse olhar fixo em mim só pode ser pela minha beleza radiante. – brinquei. Harry levantou-se e veio se postar a minha frente mais uma vez. - Beleza? Você continua com um ar de morto vivo. – ele declarou. - E você continua galante como sempre. Dessa vez eu me levantei. Ficamos frente a frente, olhos nos olhos. Eu era um pouco mais alto o que pareceu irritá-lo. Senti algo diferente no ar. Havia tensão, mas não era a mesma de sempre. Eu com certeza me senti tentado a me inclinar um pouco pra frente e tocar meus lábios com os dele. Harry, porém, parecia estranho. Eu esperava que ele fosse se afastar e fazer algum comentário ácido. No entanto, ele se aproximou ainda mais. Pareceu involuntário, como se dois pólos não pudessem negar a atração de um pelo outro. Não ousei criar expectativas, mas quem disse que é possível barrar nossas ilusões? - Potter... Foi o que bastou pra quebrar o encanto. Ele se afastou imediatamente. - Nem pense em usar Legilimência comigo, Malfoy. – disse ele. Ah, então era o que ele pensava que eu estava fazendo. Menos m*l. Era melhor ser acusado de usar magia contra ele ao invés de sedução barata. - Não era a minha intenção... – A minha intenção era muito pior, na verdade. - Escute, vou mandar mais alguns Aurores pra cá. Nesse meio tempo, tome muito cuidado. Como sempre, Harry ia saindo sem dizer adeus. Cruzei os braços e resisti ao impulso de fazer bico como uma criança mimada. - Se não é o Lorde das Trevas, Potter, então quem é? – perguntei. Harry parou com a mão na maçaneta. Não olhou pra mim quando disse: - Não é da sua conta. - Tente de novo. – disse com frieza. – Porque eu ainda sei de algo que você não sabe. Consegui a total atenção de Harry. Ele soltou a mão da maçaneta e se virou para me encarar. - Duvido muito. - Eu sabia de Angel. - Porque eles estão aqui. O que mais você pode saber? - Alfred sabe o que eles estão procurando. Sabe do que eles precisam para realizar o ritual de magia n***a. - Então eu mesmo pergunto ao Alfred. - Não acho que ele vá dizer nada a você, Potter. Sei que é difícil aceitar, mas não é o herói de toda criança e adolescente bruxo. – disse com escárnio. – Por que simplesmente não aceita a minha ajuda? - Porque não consigo me livrar da impressão de que estou vendendo minha alma ao d***o. Ouch. Essa doeu, e muito. Por que ele tinha que ser tão brutalmente honesto? - Não sou o d***o, mas obrigado pelo elogio... Parece assim tão estranho que eu queira ficar informado do que está acontecendo? - Vai jogar na minha cara mais uma vez que os meninos confiam mais em você do que em mim? - Não... – suspirei. – Mas gostaria que você confiasse em mim. Harry passou a língua dos lábios. Minha boca se encheu d'água. - Por mais que seja estranho, Malfoy, eu estou confiando em você, não? Não me peça mais do que isso. Não sei o que está pretendendo. Não somos amigos. Não podemos ser amigos. Você sabe disso. Há muita coisa entre nós... - Eu sei. – eu o interrompi antes que ele jogasse na minha cara todos os meus erros passados. – Eu sei. Mas talvez... Talvez eu esteja querendo me redimir pelo que aconteceu. E você não foi nem um santo, Potter. Não comigo. Nunca me deu uma chance. Desde o começo... Ele arregalou os olhos como se não estivesse acreditando em seus ouvidos. - Então é isso? Você quer reviver o passado? Sabe que foi um i****a, Malfoy. Desde o começo! Se não tivesse insultado a primeira pessoa com quem eu havia feito amizade... Se tivesse sido um pouco menos arrogante... Desta vez fui eu a dar-lhe as costas. Escondi minha vergonha, minha humilhação. Porque mesmo depois de tanto tempo, ainda não conseguia simplesmente dizer 'sinto muito'. Ainda era orgulhoso ao extremo. Ainda detestava os Weasleys, agora mais do que nunca. Porque eles tinham Harry. Eles sempre tiveram Harry... Senti uma falta de ar terrível. A vontade de me esconder no meu quarto voltou com força total. Senti meus olhos se encherem de lágrimas, e o quão humilhante seria chorar na frente de Harry Potter? Já o fizera uma vez, com resultados catastróficos. Mordi o lábio com força. - Acho que não sabe de mais nada, Malfoy. Só está tomando meu tempo... – disse Harry num murmúrio. Pude ouvi-lo se afastar e abrir a porta. Também notei quando ele hesitou em ir embora. Foi o suficiente para que eu me virasse e dissesse: - Eles querem o Livro dos Mortos. É assim que pretendem trazer o Lorde das Trevas de volta. Vão usar a magia n***a mais antiga de todas. - Não acredito. E quantas vezes preciso dizer que não é Voldemort quem eles querem trazer de volta? – ele praticamente rosnou. - Quem é então? Será que não tenho o direito de saber, droga? Eu abri minha casa pra você! Estou confiando em seus homens! - É Slytherin, Malfoy! – ele soltou como uma bomba. – O maior canalha que já existiu. Slytherin. Alguém muito pior do que Voldemort, porque Slytherin foi um louco mais sensato, se é que isso faz sentido. Mas é claro que isso nunca vai acontecer. Além disso, o Livro dos Mortos é uma lenda. - Claro que é... Como dragões e gigantes... - Você me entendeu! - Se eu descobrir a localização desse livro... - Acha mesmo que vai conseguir isso? – ele perguntou descrente. - Se eu o encontrar, Potter, quero sua palavra de que vai me deixar ir com você buscá-lo. - Está louco? Mesmo se isso fosse uma possibilidade real, mesmo que esse livro realmente não fosse obra de ficção, você m*l se aguenta em pé! - Se eu souber onde ele está, Potter, eu vou junto. - Você está louco, Malfoy. É só o que posso dizer no momento. E dizendo isso, Harry saiu batendo a porta.
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