CAPÍTULO 02

555 Palavras
Foi um período muito penoso e triste para Melphier, que não sorria muito, mas… tudo se agravou. Ela agora passava longas horas ao lado dele treinando, como se fosse para provar o que todos sabiam desde cedo, Melphier é notável! Agora a pequena cria que Narly criou desde que nasceu, a qual lhe chamava de amil estava sofrendo de uma forma horrenda. Mas ela não podia fazer nada para apaziguar. _ Tem certeza de que ficará bem? - perguntou Narly, abraçando-a, fazendo o corpo tão jovem estremecer com o contato. _ Sim. - respondeu ela quase num sussurro. Como Narly desejava retirar toda aquela dor daquele ser tão forte, mas, ao mesmo tempo, tão frágil. Doía o seu coração ao vê-la daquela forma. _ Não demore. - Narly lhe pediu ao beijar a cabeça da sua cria e saiu lentamente. Mesmo longe, ao caminhar de volta para sua cabana que fica no alto da montanha, Narly podia ver a figura solitária no alto da grande planície. Sabia que não podia fazer nada, mas era por demais doloroso ter aquela visão. Narly viu quando a sua cria se ajoelhou diante do túmulo e jogou a cabeça para trás num grito de pura dor e desespero. Ainda podia ouvir o eco daquele grito nos seus ouvidos, trazendo lágrimas aos seus olhos e dor ao seu peito. Melphier só tinha Narly agora! E ela sabia disto, o que a fazia se perguntar o que podia fazer para ajudá-la? Desde pequena, eram notórios os dons que ela tinha. Melphier tinha plena consciência disso, que são além dos limites, o que pode ser chamado de comuns entre o seu povo, causava grande distúrbio e desconforto entre todos. Muitos desconheciam os fatos reais do nascimento dela, mas os que sabiam quiseram bani-la ou matá-la para evitar problemas futuros. Mas, graças à generosidade de Gorfon, ela foi salva e trazida para este lugar, sendo criada então como sua yeldë. Entre o seu povo, que somente por saber que é sua yeldë de Gorfon seria protegida sem questionamentos. Gorfon conhecia os fatos de toda a história de Melphier, mas diante do desenrolar dos últimos acontecimentos, se pergunta se fizeram certo em lhe esconder fatos importantes da sua existência. Mas preferiu levar para seu túmulo todo aquele segredo do que ver magoada aquela pequena cria que roubou o seu coração. Narly, a sua pequena Phier, era como a chamava, não retornou para a cabana naquela noite. Ainda podia enxergar a pequena figura solitária diante do túmulo, mas ao amanhecer ela havia desaparecido. O ancião que ainda se encontrava na cabana delas, sim, agora é somente elas, pediu para que Narly não se preocupasse, pois os ohtars que moram ao redor estão cuidando do bem-estar de Melphier. Ele tinha dado ordens para vigiá-la. Os outros jovens com quem ela tinha um laço também estavam próximos, caso ela precisasse de algo. Todos da aldeia estão cientes e prontos caso precisem agir. Foi-lhe aconselhado pelo ancião que a deixasse livre por alguns dias, até a dor passar um pouco. Assim foi feito, mesmo Narly não gostando de saber que a sua pequena Phier está sofrendo sozinha em algum lugar longe dos seus cuidados, mas conhecia muito bem aquela natureza selvagem que ela possui. Só que Narly não esperava que não fosse a ver mais… por vários ciclos.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR