Capítulo 14

1997 Palavras
11 anos atrás Andei a passos largos sabendo que não tinha muito tempo para chegar em casa, mesmo que a dor em minha barriga me impedisse de ser rápida eu precisava fazer isso, não podia mais me dar o luxo de apanhar novamente. Assim que avistei minha casa engoli a seco ao ver meu pai parado na porta com sua espingarda de caça. - Estava tentando fugir? - assim que ouvi seu tom de voz grosseiro neguei com a cabeça rapidamente parando a sua frente. - Você não teria a mesma sorte da Alison. - abaixei minha cabeça desviando de seu olhar entrando em casa imediatamente antes que ele pudesse fazer algo. Olhei para minha mãe que estava sentada no sofá assistindo a um filme, ela me encarou por um instante sorrindo fraco acentuando o corte no lábio superior que ela havia ganhado na noite passada por ousar respondê-lo, tentei caminhar em sua direção para perguntar como ela estava porém fui puxada pela mochila bruscamente. - Calma mocinha. - meu pai murmurou arrancando a mochila das minhas costas a abrindo abruptamente. - Vamos ver o que tem aqui, não queremos você com nada perigoso, não é!? - fiquei quieta esperando que ele jogasse tudo no chão como sempre fazia. Eu não o culpava, da última vez eu havia roubado uma tesoura e a usei para tentar rasgar sua garganta, infelizmente eu errei por pouco e isso me rendeu três dias sem comida e uma costela fraturada que no hospital precisei alegar que foi por conta de uma queda na escada. - O que é isso? - olhei para sua mão rapidamente ao ouvir o seu tom de voz mais áspero que o normal, olhando aquilo em suas mãos senti minha alma me abandonar enquanto silenciosamente eu estava me amaldiçoando por não ter jogado fora a carta da Sophia. - Quem é Hastings e por que ele quer te ver sorrindo? - Tom, deixa a menina... - minha mãe veio em minha direção me abraçando lateralmente para que ele me soltasse porém isso não aconteceu. - Tom, ela... - Mantenha esse tal de Hastings longe da sua vida, ou esse tal baile não vai ser a única coisa que você vai perder, não se esqueça a quem você pertence. - ele encarou minha barriga coberta por um moletom cinza largo, assenti rapidamente com a cabeça sabendo que todas as suas ameaças eram realmente cumpridas. Prendi minha respiração sentindo um calafrio percorrer todo o meu corpo, ele sabia do bebê, agora eu estava completamente perdida. Mas como? Eu escondi muito bem, a única que sabia era minha mãe pois eu lhe confidenciei isso já que não fazia ideia de como funcionava uma gravidez. - Estou indo fazer as rondas com o Jack mantenha a Alice aqui e pronta para quando eu chegar, e quero também o jantar pronto quando eu retornar. - meu pai apanhou seu chapéu e sua arma saindo de casa logo em seguida. Era irônico que um homem daqueles fosse um dos policiais mais respeitados da cidade, mas depois de tanto tempo eu já deveria estar conformada que aqueles com mais poder são os mais propensos a abusar dos mais fracos. Alison costumava dizer que um dia ela se tornaria uma policial, uma das boas, e então iria salvar a nós duas, iria fazer com que nosso pai pagasse por tudo o que ele fez conosco, mas agora eu apenas acho que era uma história para me manter positiva sobre tudo. Fui em direção ao meu quarto decidindo ignorar a minha mãe por toda a noite, eu não a odiava, mas não conseguia me manter indiferente sabendo que ela deve ter contado sobre o bebê e que não fazia nada para me ajudar, deitei-me na cama agarrando a última coisa que existia naquela casa da Alison, uma jaqueta preta que ela deixou escondida antes de fugir, fechei meus olhos pensando no que a Sophia havia escrito sobre querer me conhecer e descobrir como era o meu sorriso. Talvez ela estivesse falando sério e quisesse recomeçar, mesmo que essa não fosse a minha realidade eu poderia tentar ir ao baile e dançar uma música com ela, eu seria uma garota normal ao menos por um instante. - Se ela nos der mais bolinhos talvez a perdoemos, não é meu amorzinho!? - murmurei acariciando o pequeno montinho que a minha barriga havia formado. - Tem que ser de chocolate é claro. - deixei um sorriso escapar ao perceber o quanto eu estava sendo boba por falar com um bebê em minha barriga. Minha vida se tornou muito mais perigosa visto que eu tinha que proteger o meu bebê, mas, ao mesmo tempo, eu me sentia aliviada por ter alguém comigo. 1Dias atuais Eu não sabia o que pensar ou como proceder, em um momento eu estava chorando no meio da rua depois de ter dito a verdade para a Sophia e uma semana depois ela estava ali parada em minha porta me oferecendo uma chance. Nesse meio tempo eu deixei a casa da Alison por saber que não podia contar com ela, eu entendia que me visse como uma criminosa por não saber o que eu fiz mas ela deixou que meu filho crescesse sem um parente por perto por motivos que desconheço mas com certeza são egoístas, claro que ele tinha uma excelente mãe que lhe proporcionava tudo o que ele merecia mas mesmo assim a vida dele poderia ter sido bem diferente e eu não consigo entender o por que ela fez isso. - Você vem comigo ou não? - pisquei várias vezes despertando de meus próprios pensamentos ao ouvir a voz da Sophia. - Eu posso ver o meu filho agora? - um sorriso surgiu em meus lábios ao passo que meu coração batia descompassado porém colocando a mão em meu peito ela me empurrou levemente para dentro do quarto me fazendo ficar confusa. - Se o que estiver dizendo é a verdade, você é a mãe biológica dele mas o Theo não é o seu filho, você não o criou, não passou os últimos dez anos o protegendo e amando. - engoli a seco ao vê-la tão próxima do meu rosto falando entredentes. - Você primeiro vai fazer um teste de DNA, e depois vai me contar cada detalhe da sua vida na última década pois eu não vou submeter meu filho a nada que possa machucá-lo. - assenti com a cabeça erguendo minhas mãos em defesa, ela encarou meus lábios por um tempo antes de se afastar parecendo nervosa. - Eu farei tudo o que você quiser, desde que eu possa participar da vida dele. - apesar da raiva, eu entendia o por que ela estava sendo cautelosa e protetora, o Charlie definitivamente estava em boas mãos. De certo modo, eu me sentia aliviada por ter desistido do plano, de tantas pessoas no mundo o meu filho acabou ficando com a mais incrível que havia, infelizmente ela me odiava agora. - Quero saber tudo sobre o pai dessa criança também! - ela passou a mão em seus cabelos nervosamente, mordi o lábio inferior abaixando minha cabeça para não olhá-la nos olhos. Eu estava tão ocupada com tudo que acabei esquecendo completamente que haveria um momento em que ela iria precisar saber sobre quem era o pai do Charlie, isso não deveria acontecer tão cedo, eu não me preparei pra falar disso. - Ele não será um problema. - foi tudo o que eu consegui murmurar enquanto encarava meus próprios pés. - Segundo a adoção velada você também não seria um problema! - a ouvi falar furiosa. - E outra, você mentiu para mim dizendo que nunca havia se relacionado com ninguém, então como você fez uma criança Alice? - me encolhi diante do seu grito respirando fundo para não chorar, a encarei tentando responder algo para não irritá-la mais ainda porém nada saia. - Droga... - ela falou baixinho desfazendo sua expressão de brava. - Não chora, por favor. - E-Eu... sinto muito. - falei respirando fundo tentando não me desmanchar em lágrimas mas estava falhando miseravelmente. - Não... Eu que sinto muito. - ela se aproximou de mim me envolvendo em um abraço apertado. - Me desculpa ter gritado com você Alice, não chora. - funguei tentando parar de chorar ao passo que afundava meu rosto em seu peito. Ela não me soltou nem por um segundo, manteve seus braços firmes em torno do meu corpo enquanto sua mão fazia carinho em meus cabelos, assim como na primeira vez em que ela me viu chorar. - Desculpe ter gritado com você, eu só não quero ser pega de surpresa depois por um cara querendo reinvidicar a guarda do filho que é dele ou então... - Você não precisa se preocupar. - murmurei baixinho levando minha mão ao seu braço, me afastei um pouco a olhando nos olhos. - O Charlie não tem um pai. Por longos segundos ela me encarou confusa, seus olhos se abaixaram indo de encontro a algumas cicatrizes que eu tinha expostas por conta da regata, quando voltaram a se fixar nos meus novamente ao invés de confusão havia compreensão. - Eu sinto muito. - ela me abraçou ainda mais apertado, eu podia sentir seu coração acelerado e conseguia ouvir as fungadas baixinhas que ela dava. - Vai ficar tudo bem, eu vou assegurar para que você sempre esteja bem e segura de agora em diante. - Sophia segurou meu rosto em suas mãos olhando nos meus olhos. Era inacreditável que mesmo depois de mentir para aquela mulher e partir seu coração ela ainda se importava comigo. - Nós vamos ficar bem. - murmurei de volta levando minha mão a sua nuca, encarei seus lábios por um instante antes de voltar a olhá-la nos olhos, me aproximando mais um pouco selei nossos lábios em um beijo calmo que ela não hesitou em corresponder até que de repente me afastou bruscamente. - Desculpe... - ela pediu dando mais dois passos para trás. - Eu não posso fazer isso. - Não, eu acabei me deixando levar pelo momento. - me chutei mentalmente por ter estragado as coisas. - Eu me apaixonei por você e eu estou tentando entender tudo isso e agir do melhor modo possível. - ela desabafou. - Mas o meu filho está no meio disso tudo, e eu não quero que ele se machuque, então é melhor esquecermos o que vivemos e focarmos na situação de agora. - assenti concordando com ela mesmo que eu não quisesse esquecer nada. - Ele vem em primeiro lugar. - Tudo bem. - me limitei a dizer. - Agora vamos. - franzi o cenho não entendendo para onde iríamos. - A Alison está na minha casa e eu... - A Alison? - a interrompi sentindo meu sangue ferver imediatamente. - Não me leve a m*l mas eu não dividirei o mesmo espaço que aquela egoísta! - falei exasperada. - Ela poderia ter adotado o Charlie mas não, ela preferiu continuar sei lá aonde fazendo não sei o que e meu filho foi parar no sistema. - É por isso que ela está lá. - a encarei ainda mais confusa com tudo. - Ela nunca soube da existência do seu bebê até que ele estivesse prestes a ser entregue a mim. - não acredito que a Alison inventou uma mentira tão horrível assim para escapar do fato que ela foi egoísta. - Ela acredita que alguém burlou o sistema para que o bebê nunca fosse entregue a um familiar, e que também a manteve presa por mais tempo que deveria. - Como ela o achou então? - semicerrei os olhos não me dando por convencida. - Quem faria isso comigo? - perguntei novamente. - E, se alguém queria mesmo me manter presa e manter o Charlie longe dos Griffin's qual seria a sua motivação? Ela me olhou de cima abaixo por um instante antes de responder. - Apagar as provas de um abuso.
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