O silêncio daquela manhã parecia mais alto que qualquer grito. Eu andava pela casa como quem carrega um segredo nas mãos — e dentro de mim, o segredo crescia, pulsando junto com o medo. O teste que havia trazido da casa da minha mãe estava guardado no fundo da gaveta, como uma bomba-relógio pronta pra explodir. Passei a madrugada inteira encarando aquele objeto pequeno e terrível. Um pedaço de plástico que decidiria o rumo da minha vida. O corpo não mentia. O atraso, os enjoos, o cansaço constante. Mas uma parte de mim ainda se agarrava à negação, como quem tenta impedir o inevitável. Peguei outro teste novo com as mãos trêmulas e fui até o banheiro. O coração batia rápido, como se quisesse fugir antes de mim. Sentei no chão frio e fechei os olhos por alguns segundos, tentando re

