A casa parecia outra. Ou talvez fosse eu quem tivesse mudado. As paredes, antes silenciosas, agora ecoavam tudo o que eu não conseguia dizer em voz alta. Fazia dois dias desde a conversa que destruiu o pouco que ainda restava entre nós. Dois dias sem uma palavra dele, sem sequer um olhar. Leonardo Valença, o homem que dominava salas de reunião com um estalar de dedos, agora fingia que eu era invisível dentro da própria casa. Mas o silêncio não apaga uma verdade. E dentro de mim, a vida seguia crescendo. Naquela manhã, acordei com o som da chuva fina. O mesmo som que acompanhou nossa primeira noite. O mesmo som que agora embalava o fim. O espelho refletia uma mulher que já não sabia se chorava ou se respirava. Meus olhos estavam fundos, as olheiras denunciavam as noites sem sono

