O Toque que Queima

1253 Palavras

A manhã amanheceu cinza — e eu também. Depois da fuga, tudo parecia mais pesado. A casa, o ar, o silêncio. Até o som dos passos dos empregados parecia diferente, como se todos soubessem que algo tinha acontecido. Tomei banho devagar, tentando apagar o toque das mãos dele no meu braço, a forma como me puxara, o olhar que queimava mais do que qualquer grito. Mas não consegui. Aquela lembrança grudou na pele como fogo. Quando desci, encontrei-o na sala, de terno, pronto pra sair. O rosto sério, o controle de sempre. Mas os olhos... estavam diferentes. Cansados, sombrios. — Dormiu bem? — perguntou, a voz baixa. — O senhor está fingindo cortesia agora? — Estou tentando manter a paz. — Engraçado. Ontem o senhor chamou isso de controle. Ele suspirou, tirando o relógio do bolso. — I

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