Na manhã seguinte, a mansão estava tomada por um silêncio diferente. Não era o mesmo silêncio frio de sempre. Era o tipo que vem depois de algo que não deveria ter acontecido — e aconteceu. Eu ainda sentia o toque dele na pele. Mesmo depois de dormir m*l, de tomar banho duas vezes, de tentar esquecer, ainda estava ali — o fogo que ele deixou. Desci as escadas devagar, tentando parecer normal. Mas normal era uma palavra que não existia mais entre nós. Leonardo estava na sala, de costas, falando ao telefone. Terno cinza, gravata escura, voz firme — o CEO em seu habitat natural. Mas, quando me viu, a voz falhou por um instante. — Sim, eu resolvo isso depois. — Desligou. — Dormiu bem? — Dormir é difícil quando se vive em uma casa onde o ar pesa. — Talvez o problema não seja a casa.

