O café esfriava sobre a mesa, intacto. As cortinas estavam abertas, mas eu não via a luz. Fazia horas que eu encarava a tela do notebook sem conseguir digitar uma única palavra. Os números dançavam, as reuniões se acumulavam, os e-mails explodiam — e nada importava. Nem o lucro recorde, nem as ações em alta, nem os contratos milionários. A empresa estava crescendo. Mas eu estava encolhendo. Carlos entrou sem bater, como sempre. Camisa dobrada nos braços, olhar cansado e o mesmo tom direto que eu fingia odiar. — Você parece um homem em luto. — E o que exatamente eu perdi, Carlos? — perguntei, sem erguer os olhos. — A humanidade, talvez. Soltei uma risada seca. — Drama logo cedo? Ele se aproximou, jogou um jornal sobre a mesa. “Valença Group: Sucesso nos negócios, ruína em casa

