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1720 Palavras
- Estamos seguros aqui? – perguntei enquanto olhava ao redor. Havíamos abandonado o carro na avenida principal e seguido a pé. Ele disse que seria fácil nos localizar se continuássemos com o carro. A ideia genial dele foi seguir a pé até uma favela próxima e passar a noite por ali e no dia seguinte continuar. - Não estamos seguros em lugar nenhum – ele respondeu. Me abracei em uma tentativa de amenizar o frio, mas não deu muito certo. Minha blusa tinha ido pro p*u com aquela brincadeira ridícula. Estava toda rasgada e com manchas de sangue. Teria que me livrar dela o mais rápido possível. - Então... – comecei – Se você trabalha para uma máfia poderosa, porque não tem outras pessoas te ajudando a tirar o seu da reta? - Eu dou conta do trabalho sozinho – ele disse apenas. - Percebe-se. Ele parou na minha frente. Achei que iria se virar e me lançar um daqueles olhares mortais antes de me socar ou algo assim. Em vez disso, ele apenas forçou a porta de um barraco ao nosso lado. Observei ele entrar cautelosamente e depois fazer um sinal, indicando que era para eu segui-lo. Segui atrás dele. Estava um breu total, não dava para enxergar muita coisa, mas parecia estar vazia. Ele entrou em outro cômodo. Era o quarto. Não tinha nem cama, só um colchão de casal maltrapilha no chão. Estava um cheiro de mofo forte e eu podia ouvir insetos asquerosos andando pelo ambiente. - Isso me lembra os dias maravilhosos em que vivi na rua – pensei em voz alta. - Já viveu na rua? – ele perguntou ao meu lado. Fitei ele. - Onde acha que adquiri imunidade a idiotas como você? Ele bufou e deu meia volta, inspecionando o resto da casa. Segui ele, procurando por um banheiro. Era tudo o que eu queria agora. Achei um nos fundos da casa. Não tinha luz e nem água, mas deu para utilizá-lo de qualquer forma. Era asqueroso, mas melhor que nada. - Achei algumas roupas lá atrás – Max disse assim que saí, me jogando uma blusa – Acho que vai preferir trocar de blusa. Não agradeci, apenas entrei no banheiro novamente. Tirei a blusa rasgada e o sutiã, que também não tinha sobrevivido. A blusa que ele havia pegado era pequena demais, mas teria que servir. Ficou um pouco apertada, mas fez seu trabalho tampando o que precisava ser tampado, ainda que desse para ver o contorno dos meus s***s perfeitamente. Branco era uma desgraça. Saí do banheiro e voltei até o quarto. Eu precisava dormir. Precisava comer também, mas principalmente dormir. Max ainda estava inspecionando a casa, mas assim que me joguei no colchão ele apareceu na porta do quarto. - Vou ficar de vigília – ele disse – Durma de olhos abertos. Sorri. - Pode deixar. Virei para o lado, mas não caí no sono como eu desejava. Em vez disso, realmente dormi de olhos abertos. Não literalmente, mas eu estava atenta a tudo ao meu redor, mesmo que estivesse dormindo. Qualquer movimento e eu acordaria. Foi o que aconteceu quando senti o colchão se afundar ao meu lado. Eu sabia que era Max, então continuei de olhos fechados, pronta para voltar a dormir. Mas então eu senti sua mão em mim, abrindo caminho delicadamente até meus s***s. Eu sabia o que ele queria. Estava procurando o pen drive. Como se eu não soubesse que ele me largaria na primeira oportunidade que tivesse caso o pen drive estivesse com ele. Não estava mais ali, mas deixei que ele fosse adiante e se decepcionasse. Ele apalpou meus s***s em todos os lugares, explorando cada canto à procura do objeto. Em uma situação diferente, até que seria gostoso. Ouvi o suspiro de frustração dele e deixei um sorriso escapar. - Se você não fosse tão gostoso... – abri os olhos e encarei ele – Não teria chegado nem perto de botar as mãos aí. Ele tirou as mãos. - Onde você o escondeu? – ele perguntou. Sorri em resposta. - Está bem guardado, é só o que precisa saber – levantei – Já é o meu turno? - Você não tem um turno – ele se levantou também – Não confio em você. Eu ri. - Você não vai se livrar de mim até limpar minha barra. - Você mesma sujou sua barra. - Não interessa – retruquei – Eu e o pen drive somos um agora. Se você me perde, perde o pen drive. Se eu me fodo, ele vai junto comigo. Obrigada pela compreensão. Dei as costas e saí do quarto. Aquela seria uma noite muito longa. ... Acompanhava Max enquanto descíamos pelo morro. As pessoas ao nosso redor observavam. Sabiam que não éramos da área. - Qual é o plano? – perguntei. - Não tem um plano – ele respondeu – O plano é levar o pen drive em segurança. Revirei os olhos. - Tão específico. Ele entrou por um beco e parou, encarando uma moto vermelha na sua frente. - Olha só, a chave está na ignição – falei, olhando para a moto – Tentador, não? Observei ele olhar ao redor, em todos os cantos. Nem sinal de alguém por ali. Ele ficou tenso e pude ver o sinal de perigo soando em sua mente. - Tem alguma coisa errada – ele falou – Eu conheço a moto. É uma das nossas. Olhei novamente para a moto. - Como assim? Ele fez um giro de 360º, olhando em cima das construções. Seu corpo estava totalmente alerta, o instinto o guiando. - Lembra que você perguntou sobre não mandarem ninguém para ajudar? - Lembro. Nesse momento eu já estava tão alerta quanto ele, olhando em todos os cantos. Botei a mão no cano da arma dentro da calça, pronta para utilizá-la caso fosse preciso. - Aparentemente alguém foi mandado – ele concluiu. - Mas esse alguém não está aqui – completei. - Não – ele tirou uma arma de dentro da blusa – E duvido muito que abandonaria o veículo desse jeito – ouvi o barulho da arma sendo destravado por ele – Nos acharam. Ele m*l acabou de falar e jogou o corpo para o lado, prevendo que o tiro viria logo em seguida em sua direção. Não fiquei para trás. Assim que ouvi o primeiro tiro, me atirei no chão. Um segundo de hesitação e eu estaria morta. Eu estava com a mira na cabeça. Max se escondeu atrás de um contêiner. Fiz o mesmo, destravando minha própria arma, pronta para usá-la. - Você ao menos sabe usar isso? – ele perguntou enquanto mais tiros soavam. - Como você acha que sobrevivi às ruas por cinco anos? Virei de costas, levantando lentamente, pronta para atirar a qualquer movimento. O tiro veio rapidamente na minha direção. Retribui. Não havia mirado direito, tinha apenas apontado na direção de onde os sons vinham. Ainda não havia visto nenhum deles. - Em cima do prédio vermelho – Max disse ao meu lado, olhando para cima e apontando. Olhei naquela direção. Havia um cara vestido de terno com um revólver na mão. Nós tínhamos uma visão perfeita dele, mas ele não tinha de nós. Max apertou o gatilho. O tiro foi certeiro na cabeça dele. Observei enquanto ele caía para trás. A bala alojada em sua testa. Mais tiros foram disparados em nossa direção. Por alguns minutos tudo que pudemos fazer foi ficarmos abaixados. - Não dá para ver o outro cara – Max disse ao meu lado. Olhei para cima, procurando por todos os cantos. Ele não estava em cima de nenhum prédio ao nosso redor, pelo menos não no nosso campo de visão. Os tiros pararam por alguns minutos. As balas haviam acabado. Ele estava trocando o pente da arma. Max aproveitou a oportunidade para se levantar e correr até o outro lado, se agachando atrás da parede de um dos prédios de esquina. A localização era mais perigosa, mas dali ele poderia ver melhor. Ele apontou a arma para cima e depois disparou. Esperei alguma reação de sua parte para poder levantar e sair dali. - Ele estava dentro do apartamento – ele disse, enquanto levantava e se dirigia até a moto. Olhei para o prédio à nossa frente. Havia uma janela no terceiro andar quebrada e uma pequena parte da mão de alguém aparecia por ela. - Suba na moto – ele ordenou – Tenho certeza que não mandaram só dois deles. Subi na moto. Ele m*l deu partida e mais tiros começaram a soar. Abaixei a cabeça, me escondendo atrás dele enquanto nos tirava dali. Não demorou muito até os sons ficarem distantes. As ruas já estavam desertas. As pessoas pareciam já ter corrido rapidamente para dentro de suas casas em um intuito de se proteger. Do lado de fora só havia nós e os caras que queriam nos matar. Descemos o restante do morro à cem por hora. Quando pegamos a avenida principal, ele acelerou ainda mais. A certa altura, achei que já tivéssemos nos livrado deles. Mas eu estava errada. Às minhas costas, tão rápidos quanto nós, dois carros pretos apareceram. Em um deles, um cara colocou a cabeça para fora e apontou uma arma para nós. - Cuidado! – gritei quando o primeiro tiro soou em nossa direção, acertando o carro ao lado. Max olhou para trás brevemente, pisando ainda mais fundo no acelerador e correndo entre os carros, cortando todos eles com destreza. A nossa vantagem era que estávamos de moto e o trânsito estava um pouco r**m. Mas os tiros ainda podiam nos alcançar e os motoristas ao redor começaram a se desesperar. Estávamos passando por uma ponte quando o tumulto realmente começou. Alguns carros tentaram parar e sair do caminho. Outros pisaram no acelerador, causando batidas em todos os cantos. As buzinas começaram a soar junto com os gritos. - Você sabe nadar?! – Max gritou para que eu pudesse ouvir. - O que?! – gritei de volta. Tinha ouvido a pergunta, só não achava que iria gostar do que aquilo significava. Ele não perguntou de novo. Ele nem avisou. Tudo que fez foi cortar os carros ao lado e se jogar para o canto da pista. A ponte já estava terminando quando ele lançou a moto para fora dela.
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