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3155 Palavras
Ele abriu a porta do carro e me puxou com força lá de dentro. - Mais que droga! – puxei meu braço do seu aperto – Eu sei andar com meus próprios pés, obrigada. Ele me olhou de cara feia e se virou de costas, seguindo pela garagem até o elevador. Entrei logo atrás dele e por alguns segundos tive a chance de respirar. - Eu preciso do pen drive – ele falou ao meu lado. - Ah, você precisa do pen drive? – olhei cínica para ele – Eu não estou nem aí. O pen drive vai ficar comigo. Ele bufou ao meu lado. - Sem chances. Ele veio com a mão em direção aos meus s***s. Dei um tapa nela e me afastei. - Não é assim que funciona, cretino – sorri, irônica – Um pouco mais de romantismo antes de pegar nos meus s***s. - Isso não é uma brincadeira – ele veio na minha direção. - Eu estou vendo que não! É por isso que vai ficar comigo até meu traseiro estar seguro. Ele fechou os olhos e respirou fundo. Em um impulso repentino, ele veio para cima de mim, abrindo caminho em direção aos meus s***s. - Não toca em mim! – tentei me defender. - Eu preciso da droga do pen drive! – ele gruiu. Ele era muito mais forte que eu, de modo que já estava quase conseguindo o que queria quando as portas do elevador se abriram e uma mulher entrou, nos olhando assustada. Ele me largou e se afastou, pigarreando. Me escorei na parede do elevador e cruzei os braços. As portas se fecharam e a mulher, desconfortável, lançava olhares de um para o outro. Em um momento que senti seus olhos nas minhas pernas nuas, perdi minha paciência e olhei para ela de cara feia. - Perdeu alguma coisa aqui?! Ela se virou novamente e não olhou mais até descer no último andar. O cara me segurou firme pelo braço e me puxou para fora, me conduzindo pelo corredor. Suspirei e resolvi desistir de tentar explicar a ele que eu sabia me locomover sem sua ajuda. Quando ele abriu a porta de um apartamento e me jogou lá dentro, me soltei e saí apressada atrás de um banheiro onde eu pudesse me trancar. - Aonde você vai?! – ele perguntou – Eu preciso do pen drive! - E eu preciso ir ao banheiro! – gritei por cima do ombro e segui em frente. Não foi uma missão fácil achar o banheiro. O apartamento mais parecia uma mansão, com múltiplos corredores e cômodos que lembravam um labirinto. Assim que encontrei, me tranquei no banheiro e tirei o pen drive de dentro do sutiã. Fiquei encarando ele por um tempo, me perguntando o que tinha dentro daquela coisinha que podia ser tão importante. Fosse o que fosse, era importante o suficiente para homens armados irem atrás dele e importante o suficiente para o cretino do lado de fora me ameaçar. Enquanto eu não soubesse no que eu tinha me metido, aquilo com certeza iria ficar comigo, e não seria mais dentro do sutiã. Olhei ao redor procurando qualquer coisa que se parecesse com um fio. Abri o espelho. Havia várias escovas idênticas enfileiradas, assim como pasta de dente e fio dental. Não era o que eu tinha em mente, mas iria servir. Peguei o fio dental e tirei um bom pedaço dele, depois passei pelo buraquinho na ponta do pen drive e dei um nó, como se fosse uma cordinha. Abaixei a calcinha e abri as pernas. Respirei fundo. Eu não acreditava que estava prestes a fazer isso, mas em qualquer outro lugar ele seria encontrado e, enquanto eu não tivesse certeza que estava limpa e poderia voltar para casa, aquilo não iria sair da minha posse. Posicionei ele na entrada da minha v****a e dei de ombro. Se cabeças podiam sair e pênis entrar, então o pen drive não seria problema. Engano meu. Tinha certeza que era mais confortável que uma cabeça saindo, mas nem de longe era mais confortável que um pênis entrando. Aquilo não era macio e machucava. Mas eu não tinha muita opção, não era? Me recompus e saí do banheiro cautelosamente, olhando ao redor. Não sabia onde o brutamontes estava e não queria ser surpreendida com ele me atacando novamente. Quando vi que o perímetro estava limpo, aproveitei para dar uma bisbilhotada em seu apartamento. Entrei no primeiro quarto que achei. Era enorme, com uma cama de casal, uma escrivaninha, computador, outro banheiro e um guarda roupa grande que ocupada uma parede inteira. Fui até o guarda roupa e abri uma de suas portas. Havia um trilhão de ternos pretos enfileirados. Na outra parte havia sapatos de todos os tipos. Botas, tênis e... saltos! Havia sapato de mulher. Enruguei a testa enquanto procurava uma bota feminina com meu número. 36, 37, 38... Havia sapatos de todos os números ali. Estranho... Será que ele tinha mais de uma mulher? Várias namoradas? Ele parecia bem solteiro no dia que jogamos, mas nunca se sabe. Peguei uma bota 37 para mim. Ainda estava descalça e só de calcinha, ele não tinha o direito de reclamar sobre eu pegar roupas. Abri outra porta à procura de roupa feminina e olhei sem entender. Se estava estranho até ali, então imagine abrir a parte feminina do guarda roupa e só encontrar ternos femininos pretos. Olhei ao redor do quarto e só então percebi. Ele era o mais simples possível. Nada de pertences pessoais. Nada decorativo. Aquele apartamento não era dele, nem ao menos de alguém. Era uma espécie de apartamento coorporativo. Mas eu duvidava que ele fazia parte de uma corporação. Isso tudo cheirava a merda. Peguei uma calça de um dos terninhos e a vesti, colocando as botas logo em seguida. Não iria descobrir nada ali, seminua e com um pen drive na v****a. Saí do quarto e fiz o caminho de volta para o cômodo principal, onde havia deixado o cara que, só agora, tinha me tocado que nem tinha falado seu nome. Ele estava apoiado no balcão, sem camisa, com um kit de primeiros socorros aberto, fazendo algo no braço que sangrava. - Você foi baleado? – perguntei. Ele me fitou, depois me olhou de cima a baixo. - Você já foi bisbilhotar o que não é da sua conta? – ele jogou uma gaze no lixo e se levantou, tampando a caixa e a jogando de lado – Parece que você é ótima nisso. Revirei os olhos e resolvi ignorar seu comentário, me jogando no sofá ao meu lado. Minha v****a doeu com o movimento brusco. Pen drive filha da p**a! - Vou pegar outra camisa para mim – ele me encarou, sério – Não saia daí. Dei um sorriso debochado para ele e o observei passar por mim e entrar pelo corredor. - Nada m*l – comentei para mim mesma enquanto observava seu corpo. Nada m*l era um eufemismo. Ele era muito bom. A tatuagem tribal no braço direito e o medalhão no pescoço só o deixava mais sexy. Pena que era um babaca. Suspirei e olhei ao redor, inspecionando o ambiente. Foi quando meus olhos pararam em um celular em cima do balcão. Olhei para trás, apenas para me certificar de que ele não estava por ali, e me levantei para pegá-lo. Eu precisava falar com Melissa e avisá-la que eu estava bem, mas não sabia o número dela de cor, então teria que contar com a sorte e mandar uma mensagem para o meu próprio celular, que havia ficado na cozinha. Comecei a discar o número quando o celular foi tomado da minha mão. - O que você pensa que está fazendo? – ele perguntou. Resmunguei, revirando os olhos. - Será que você pode ter o mínimo de decência e me emprestar a droga do seu celular para eu avisar a minha amiga que estou viva. Ele olhou para a tela do celular e depois para mim. - Você ia ligar para o seu celular? Dei e ombros. - Eu não sei o número dela. - E resolveu ligar para o seu celular que ficou dentro da sua casa que foi invadida pelos caras que estão atrás da gente e que, provavelmente, roubaram o seu celular e tem todos os seus dados agora? – ele curvou as sobrancelhas. Encarei ele, tentando processar o que ele estava dizendo. A frase atrás da gente pesou na minha cabeça. Quando tinha falado sobre minha cabeça estar à prêmio, ele não estava querendo apenas me assustar, ele estava falando sério. Tinham me visto com ele e agora tinham meu nome e meu endereço. Eu tinha me envolvido. Eu estava na mira. Uma pequena vontade de vomitar me dominou. Fiz uma careta. - Eu estou fodida, não estou? – perguntei. - Agora você está entendendo o que estou dizendo – ele jogou o celular em cima da bancada de novo – Eu preciso do pen drive. Ainda atordoada, olhei para ele e bufei. - E então o que? – falei – Eu te entrego o pen drive e você me joga para os lobos? - Eu não mandei você roubá-lo – ele atacou – Arque com as consequências. - O c****e que eu vou! – passei por ele, esbarrando em seu ombro com força – Eu não sabia que a droga de um pen drive inútil iria causar isso tudo. - É porque não é um pen drive inútil! – ele veio atrás de mim. - E como eu ia saber?! – gritei, me virando para ele. Ele se calou, apenas me encarando com aquele olhar mortal. - Você não sabe o que está em jogo aqui – ele disse depois de um tempo. - A sua cabeça e a minha, aparentemente. Ele riu, debochado, e balançou a cabeça. - Você realmente não entende. Isso vai muito além de você e eu. Cruzei os braços. - Eu não entendo, hã? – eu andava de um lado para o outro – Então que tal você começar a me explicar? Ele suspirou e passou a mão no rosto, impaciente. - Eu não tenho tempo para isso. Eu preciso do pen drive. - E eu preciso da minha cabeça fora da mira dos seus amiguinhos! – gritei, depois respirei fundo para me acalmar – Eu estou com o pen drive e eu não vou te entregar ele até você resolver isso e eu estiver fora de perigo, sã e salva. Ele sorriu. - Já lidei com assassinos profissionais. Você não é nada para mim. Se não me entregar o pen drive, eu vou pegá-lo de você. - Então boa sorte tentando achá-lo – dei um sorrisinho de lado – Aposto que não consegue. Ele suspirou, pronto para abrir a boca e falar, mas não deixei. - Não sou uma assassina profissional, mas eu não me subestimaria se eu fosse você. Tenho meus meios e pode ter certeza que se eu queimar, eu queimo a droga do seu pen drive junto comigo. Ele me olhou sério. Eu não estava brincando, nem um pouco. Ele sabia disso, podia ver nos meus olhos. E eu sabia que ele tinha muito a perder para arriscar tudo. - Você não sabe no que está se metendo – ele disse – Isso não é um jogo de cartas. Você está lidando com gente perigosa aqui. Muito perigosa. Parei de andar, encarando ele. - Quão perigosa? – perguntei. Ele suspirou, parecendo se render. - Tudo bem, você quer saber, então vou te contar – ele me encarou sério – Mas eu vou te dar um último aviso. Se você entrar nessa, não vai conseguir sair mais. Você está comprometida para sempre. Ponderei sobre o que ele disse e balancei a cabeça. - Acho que me meti nessa no momento em que roubei o pen drive do seu bolso. - É, você está certa. Encarei ele. - Manda. Ele estalou o pescoço e voltou a me encarar. - Eu faço parte da máfia. Meu primeiro impulso foi rir. O meu segundo foi revirar os olhos. Máfia?!Qual é...! Isso era coisa de filme. Mas eu estava olhando nos olhos dele e sabia que não estava brincando. - O que?! – foi o que saiu – A máfia? – ergui uma sobrancelha, sem acreditar. Ele confirmou. Balancei a cabeça diversas vezes, tentando engolir aquilo enquanto voltava a andar de um lado para o outro. - E o pen drive? – perguntei. - O pen drive pertence a uma pessoa muito perigosa – ele começou a andar, acompanhando meus movimentos – Um magnata traficante de drogas. Aqueles caras no seu apartamento não são um terço do que ele vai fazer se não entregar esse pen drive nas mãos certas. Fitei ele, parando de andar. Ele me imitou. - Quem é as mãos certas? - Meu chefe – ele disse com tanta naturalidade que até parecia que estava brincando – Fui enviado por ele para trabalhar como espião na casa do Huberman, pegar o pen drive e levá-lo até ele em segurança – ele me encarou – Estava fazendo isso quando você apareceu. Revirei os olhos e o ignorei. - E esse tal de Huber alguma coisa? – falei – Ele é o magnata? - Sim. - E o que tem no pen drive? Ele deu de ombros. - Não faço a mínima ideia. Bufei, não acreditando. - Por favor, conta outra... - Meu dever era pegar o pen drive e levá-lo em segurança, não olhar o que tinha dentro. Quando somos mandados, não questionamos. Encarei ele com as sobrancelhas erguidas. - Você realmente não sabe nada sobre o pen drive? - Não sei do conteúdo que tem dentro, mas sei que é importante o suficiente para Huberman mantê-lo guardado à sete chaves. Seja o que for, quem o tiver, tem Huberman em suas mãos também. - Então é tudo uma questão de poder? - Tudo é sempre uma questão de poder – ele me fitou – Mais alguma coisa que você queira saber? Olhei ele de cima a baixo. - Seu nome. - Não trabalho com nomes. - Vai começar a trabalhar com nomes agora – falei, ameaçadora. Ele bufou. - As coisas não acontecem só porque você quer. - Eu estou com o seu pen... Fui interrompida pelos sons dos tiros destruindo as janelas e acabando com tudo ao redor. O cara, que eu ainda não sabia o nome, se jogou em cima de mim, me levando para o chão enquanto mais tiros cortavam o ar acima das nossas cabeças. - Droga! – ele praguejou enquanto rolava pelo chão e olhava pelo lado de fora. Tinha um helicóptero. Tinha a droga de um helicóptero do lado de fora, com os caras do meu apartamento dentro, cada um com uma metralhadora apontada para nós. Meu coração disparou e a adrenalina percorreu minhas veias. A gente tinha que dar o fora dali imediatamente. O cara que eu já estava cansada de chamar de cara sacou uma pistola e começou a atirar. Fiquei olhando indignada. Como eu não tinha visto que ele estava armado até agora. Não tinha visto o helicóptero também, então... - i****a! – gritei e dei um murro em seu braço para que pudesse me escutar – Não sei se percebeu, mas essa pistola ridícula não vai dar conta disso! Ele me ignorou e se levantou rapidamente, correndo até ficar atrás de uma pilastra, longe das janelas. Revirei os olhos. Eu estava realmente morta se dependesse dele. Assim que tive a oportunidade, corri em sua direção e me agachei perto dele. - Eu preciso de uma dessas! – falei, apontando para a arma. Ele ainda fazia tentativas frustradas de acertar algum cara no helicóptero enquanto eles acabavam com todo o apartamento. - Segunda porta à direita! – ele gritou. Saí correndo pelo corredor, rezando para não ser morta ali mesmo. Entrei na segunda porta à direita e quase tive um ataque quando vi a quantidade de armas e munições. Não hesitei antes de me armar até os dentes. Voltei para a sala com duas granadas nas mãos. Me aproximei do cretino, que estava trocando o pente. Os tiros haviam cessado por algum tempo, mas eu sabia que os caras no helicóptero ainda estavam atentos a qualquer sinal de vida. Se um rato passasse, eles começariam a atirar de novo. Me encostei na parede ao seu lado. - Você me garante que esses caras são seres humanos horríveis que merecem queimar no fogo do inferno? – perguntei. Ele me olhou sem entender, a testa enrugada. - O que? Revirei os olhos e suspirei. Eu iria para o inferno de qualquer jeito. Tirei o pino das duas granadas e saí correndo, passando pela janela estilhaçada. Tive tempo apenas o suficiente para ver os três caras no helicóptero levantarem novamente suas armas em minha direção. Em um movimento rápido, lancei as duas granadas e me joguei no chão, deslizando até bater minha cabeça na parede do outro lado. Os cacos no chão arranharam minha pele. Eu já estava sangrando quando os tiros começaram novamente. Me encolhi atrás da parede e esperei pela explosão. Dois segundos depois ela aconteceu. Tampei os ouvidos quando o barulho estridente ameaçou me deixar surda. Só voltei a destampá-los quando vi que tudo havia ficado calmo novamente. Me arrastei pelo chão e olhei pela janela. O helicóptero estava pegando fogo no chão. As pessoas ao redor estavam correndo e gritando desesperadamente. Ao longe, já podia ouvir o som das sirenes. Ouvi os passos do cretino ao meu lado. Ele olhou para baixo, para o helicóptero caído, e depois para mim. Em vez de falar algo, ele apenas me puxou, me ajudando a ficar em pé. - A gente tem que sair daqui – ele disse por fim. Lancei um sorriso debochado para ele. - Obrigado por arriscar sua vida para salvar nossa pele, Paola – falei, cínica – De nada, cretino. Ele me encarou e enrugou a testa. - Cretino? - É o seu apelido até me dizer seu nome – dei um sorriso de lado. Ele balançou a cabeça, bufando, e me puxou com ele ao se dirigir para fora do apartamento. - É Max – ele disse assim que saímos. Olhei para ele. - Essa é sua forma de agradecer? Ele gruiu ao meu lado. - Não faça eu me arrepender de já não ter te matado. Soltei meu braço de seu aperto. - Sei andar sem a sua ajuda, fofinho. Ele me ignorou e abriu a porta que dava acesso às escadas. Descemos o mais rápido possível até a garagem. Ele entrou no mesmo carro que tinha roubado para vir até aqui. Entrei do outro lado. - Eu realmente espero que esse pen drive esteja seguro e guardado com você – ele comentou enquanto ligava o carro. - Ele está – sorri – Não se preocupe. É o meu pescoço que está em perigo.
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