Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Esta obra é uma ficção nascida de uma noite sem dormir e de uma mente que não sabia descansar.
Se você gosta de histórias intensas, fique comigo até o fim dessa jornada.
E não esqueça de adicionar à biblioteca isso ajuda muito a autora a continuar escrevendo.❤️
Já ouviu falar em demônio?
Ciara já tinha escutado aquela palavra muitas vezes, mas nunca entendeu de verdade o que significava. Como entenderia? Ela tinha apenas quinze anos. Ainda havia algo de criança dentro dela, algo que se recusava a morrer.
Mesmo que o mundo inteiro dissesse que sua família era uma maldição. Uma praga que contaminava tudo o que tocava.
Talvez fosse verdade.
A cidade onde Ciara nasceu era tomada pelo crime. Famílias mafiosas controlavam ruas, negócios e pessoas. O medo fazia parte da rotina. Todo mundo sabia quem mandava e quem fingia mandar.
Mas também existia o outro lado.
A lei.
O poder.
Homens de medalhas e farda que prometiam limpar a cidade.
Entre eles havia um nome que aparecia em todos os jornais, em todas as manchetes. Um homem que muitos admiravam como se fosse um salvador.
Coronel Vladimir.
Para muitos ele era um herói.
Para a família de Ciara, ele era o inimigo.
Foi por causa dele que tudo começou.
O pai de Ciara, Kilian Bórgia, decidiu sequestrar o filho do coronel.
Quando Kilian levou Ciara até o sótão da propriedade, as pernas dela já estavam tremendo. A escada de madeira rangia sob seus pés, e o cheiro no ar era pesado. Ferro, suor, sangue seco.
Ela queria voltar.
Mas sabia que não podia.
Quando entrou no cômodo, viu o rapaz.
Ele estava amarrado a uma cadeira no centro do sótão. Os braços presos atrás das costas, as pernas firmemente atadas. Havia cortes espalhados pelo corpo dele. Alguns ainda sangravam devagar.
Ciara não precisou perguntar quem tinha feito aquilo.
O próprio pai.
Mesmo machucado, o rapaz mantinha a cabeça erguida. Os olhos dele eram escuros e intensos. Não havia medo ali. Nem desespero.
Aquilo deixou Ciara ainda mais nervosa.
— Filha, olha o presente que tenho para você. O filho daquele lixo.
A voz de Kilian estava cheia de satisfação.
Ciara olhou para o rapaz por alguns segundos. Ele parecia mais velho que ela. Talvez tivesse uns vinte anos.
Os olhos dele pararam nela.
Firmes. Frios.
O coração de Ciara acelerou.
— Papai… isso é errado.
Assim que falou, ela quis voltar atrás.
Kilian odiava fraqueza.
Entre todos os filhos, Ciara sempre foi a que menos se parecia com um Bórgia. Ela era a irmã do meio, mas também era a única que nunca se acostumou com a crueldade da família.
Talvez fosse exatamente por isso que ele a trouxe ali.
O olhar de Kilian ficou duro.
— Errado?
Ele soltou uma risada curta.
— O pai dele está destruindo meus negócios. Está desmontando tudo que levei anos para construir.
Ele apontou para o rapaz amarrado.
— Estamos prestes a perder poder. Então vou usar o filho favorito dele.
Ciara conhecia aquele ódio. Não era algo recente. A rivalidade entre os Bórgia e o coronel Vladimir existia muito antes de ela nascer.
Era uma guerra antiga.
De repente o rapaz começou a rir por trás da fita que prendia sua boca.
Um riso baixo. Debochado.
Kilian virou a cabeça lentamente.
— Do que está rindo?
Ele avançou e chutou o rapaz com força. Um golpe. Depois outro.
O corpo do rapaz se curvou com o impacto, mas o rosto continuou estranho. Calmo demais.
Aquilo irritava Kilian.
Ele arrancou a fita da boca dele.
O rapaz respirou fundo antes de falar.
— Me diz uma coisa, Kilian… essa pequena v***a é sua filha?
Ciara sentiu o rosto esquentar. Os olhos escuros dele estavam fixos nela, como se estivesse avaliando alguma coisa.
Kilian agarrou o cabelo do rapaz e puxou sua cabeça para trás.
— Não te interessa o que ela é.
Ele aproximou o rosto do dele.
— Se preocupe com o seu futuro, Adrian.
Ciara repetiu o nome dentro da cabeça.
Adrian.
O nome parecia combinar com ele.
Kilian soltou o cabelo do rapaz e se virou para a filha.
— Ciara, hoje eu te trouxe aqui para aprender uma coisa.
Ele pegou algo sobre a mesa.
Um chicote.
Quando colocou o objeto nas mãos dela, Ciara sentiu o couro úmido.
Havia sangue nele.
Os dedos dela ficaram frios.
O coração batia rápido demais dentro do peito. Ela sabia exatamente o que o pai queria.
Ela precisava provar que era uma Bórgia.
Se recusasse, o castigo viria depois.
E seria pior.
Ciara olhou para Adrian. Ele estava observando ela com atenção. Não havia medo no olhar dele. Só curiosidade.
Aquilo deixava tudo ainda mais difícil.
Ela não queria machucar aquele homem.
Mas também sabia que, se não obedecesse, Kilian faria algo ainda pior com ele.
Ciara levantou o braço.
O chicote cortou o ar antes de atingir a pele de Adrian.
O estalo ecoou no sótão.
Adrian soltou uma pequena risada.
— Isso é tudo?
O estômago de Ciara se apertou.
— Você se considera uma Bórgia?
Ele inclinou a cabeça enquanto a observava.
— Uma pequena v***a Bórgia.
As palavras eram provocação pura.
Mesmo assim Ciara não respondeu. Ela levantou o braço novamente e desceu o chicote pela segunda vez.
Dessa vez ela fechou os olhos no momento do impacto.
Quando abriu, o olhar dela caiu no peito dele.
Um colar pendia no pescoço de Adrian.
O pingente brilhava discretamente sob a luz fraca do sótão.
Aquilo chamou a atenção dela.
— Por que parou, Ciara?
A voz do pai veio impaciente.
Ciara se aproximou.
Ela se inclinou e tocou o colar com cuidado. O metal estava frio contra seus dedos.
Adrian aproximou o rosto do dela. Tão perto que ela sentiu a respiração dele tocar sua pele.
— Gostou dele?
A voz saiu baixa.
Antes que Ciara pudesse responder, Kilian avançou e empurrou ela para longe.
Ciara caiu com força no chão. O impacto fez o ar sair de seus pulmões.
Quando tentou se apoiar, percebeu que estava ajoelhada em uma poça de sangue.
As mãos dela ficaram vermelhas.
Mesmo assim ela voltou a olhar para Adrian.
— Por que ele brilha?
Adrian sorriu.
Não era um sorriso gentil.
— Espere e verá.
Kilian gritou antes que ela perguntasse mais alguma coisa.
— O que você está dizendo para a minha filha?
Adrian apenas encostou a cabeça na cadeira.
— Não tenha pressa.
Ele sustentou o olhar de Kilian.
— Seu presente já está chegando.
Um arrepio percorreu a espinha de Ciara.
Algo dentro dela gritava para sair dali.
Era um instinto forte. O corpo inteiro ficou tenso.
Sem fazer barulho, Ciara recuou.
Nem Kilian nem Adrian perceberam quando ela saiu do sótão.
Ela correu pelo corredor escuro da casa até chegar a uma parede antiga.
Ali havia uma passagem secreta.
Ciara descobriu aquele lugar quando era criança, enquanto brincava pela propriedade. Ninguém mais sabia da existência dela.
Somente ela.
Ela empurrou a tábua solta e entrou no espaço estreito atrás da parede.
O lugar era apertado, cheio de poeira e madeira velha. Mesmo assim Ciara se encolheu ali.
Sempre fazia aquilo quando sentia perigo.
As palavras de Adrian martelavam sua mente.
Espere e verá.
Então os tiros começaram.
O primeiro disparo fez o corpo dela estremecer.
Depois vieram outros. Muitos.
Os tiros ecoavam pela casa inteira. O som parecia atravessar as paredes e vibrar dentro do peito dela.
Ciara tapou os ouvidos.
Mesmo assim ela escutava os gritos.
Gritos de dor. De surpresa. De morte.
Ela se encolheu ainda mais, tentando desaparecer.
Depois de algum tempo, o silêncio voltou.
Ciara respirava rápido.
Com cuidado, ela se aproximou de um pequeno buraco na parede.
A a******a dava visão para o sótão.
Ela colocou um olho ali.
E quase caiu para trás.
Todos estavam mortos.
O pai dela. Os homens do pai. Corpos espalhados pelo chão, mergulhados em sangue.
Não havia ninguém vivo.
Exceto Adrian.
Ele estava de pé no meio dos cadáveres.
Calmo.
Como se aquilo fosse apenas mais um trabalho.
Um homem ao lado dele acendeu um cigarro e entregou a Adrian.
Outro homem falou:
— Estão todos mortos, senhor. Finalmente conseguimos extinguir o clã dos Bórgia.
Ciara parou de respirar.
Adrian soltou a fumaça devagar.
— Sim. Bom trabalho.
Ele tocou o colar no próprio peito.
— Esse dispositivo de GPS no colar foi uma ótima ideia. Kilian realmente acreditou que tinha me sequestrado.
Um dos homens riu.
— O chefe fez um trabalho excelente. Seu pai vai ficar orgulhoso.
Ele olhou ao redor.
— Qual é o próximo passo, chefe?
Adrian continuou fumando.
Então levantou o olhar.
Direto para a parede.
Direto para o lugar onde Ciara estava escondida.
O coração dela disparou.
Por um segundo, ela teve certeza de que ele podia enxergar através da madeira.
Mas Adrian apenas disse:
— Vamos embora. Nosso serviço terminou.
Os homens começaram a sair.
Passos ecoaram pelo corredor. Depois silêncio.
Ciara permaneceu escondida por muito tempo.
Quando finalmente saiu, o corpo dela ainda tremia.
Ela tinha quinze anos.
E agora estava completamente sozinha.
Mas precisava sobreviver.
Ciara foi até o quarto do pai e pegou tudo que tinha valor. Dinheiro, joias, documentos.
Depois saiu da casa e caminhou até uma parte isolada da propriedade.
Ali havia uma caixa enterrada.
Kilian tinha mostrado aquele lugar aos filhos uma vez.
As palavras dele voltaram à memória dela.
— Se algo acontecer comigo, isso vai salvar vocês.
Dentro da caixa havia documentos.
Contas bancárias no exterior.
Muito dinheiro.
Dinheiro sujo.
Ciara segurou os papéis nas mãos.
Ela poderia negar muitas coisas sobre sua família.
Mas uma verdade era impossível negar.
Ela era uma Bórgia.
Quando terminou, voltou para a frente da propriedade.
A casa estava em chamas.
O fogo subia alto contra o céu escuro da noite.
Ciara observou tudo em silêncio.
Depois virou as costas.
Ela começou a caminhar.
E fez uma promessa silenciosa.
Ela iria sobreviver.
Porque sua história começava ali. 🔥