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O Amor Que Nos salvou

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família
drama
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Sinopse

Uma mulher marcada por perdas, dor e segredos encontra no amor uma chance de sobreviver ao próprio passado — mas esse amor nasce cercado de perigo, traições e escolhas impossíveis.

Isabela nunca teve uma vida fácil. Entre perdas devastadoras e relações intensas que desafiam o destino, ela se vê no centro de uma história onde amar também significa resistir. Ao lado de Adrian, um homem apaixonado, intenso e quebrado por dentro, ela tenta construir algo que o mundo insiste em destruir.

Mas a paz nunca é simples.

Entre fugas, ameaças, perdas irreparáveis e recomeços forçados, um grupo de pessoas improváveis acaba unido por um mesmo fio: sobreviver juntos ou cair separados.

No meio do caos, laços se formam, amores se transformam e a família deixa de ser sangue para virar escolha.

E quando tudo parece perdido, a vida ainda encontra um jeito de recomeçar — mesmo depois do fim.

Uma história sobre amor, dor, sobrevivência e o que sobra quando o mundo inteiro tenta separar aquilo que nasceu para ficar junto. :::

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1
Isabela Silva estava deitada na cama, fraca, com o corpo pesado, como se até respirar exigisse esforço. Assim que a ligação foi atendida, ela falou primeiro, sem rodeios: — O formulário da cirurgia de aborto precisa da assinatura de um familiar. Venha ao hospital. Do outro lado da linha, houve meio segundo de silêncio. Então, a voz grave do homem soou, carregada de uma impaciência m*l contida: — Desde quando você engravidou que eu não fiquei sabendo? Isabela, até para ser mimada existe limite. — Você vem ou não vem? A palavra "mimada", dita daquele jeito, fez a raiva subir de uma vez. O peito de Isabela ardia. — Hoje eu realmente não tenho tempo para discutir com você! Diante da irritação dela, Cristiano Pereira fazia esforço para manter o tom controlado, mas a falta de paciência ainda transbordava pelas palavras. Foi naquele instante que o sangue de Isabela pareceu gelar por completo. Ela não respondeu mais nada. Afastou o celular da orelha. No exato momento em que estava prestes a desligar, uma voz feminina surgiu ao fundo da ligação, clara e profissional: — A cesariana foi um sucesso. — Disse a voz feminina ao fundo, profissional e clara. — São gêmeos, um menino e uma menina. O mundo de Isabela mergulhou na escuridão. Ele também estava naquele hospital. Mas estava ali para acompanhar a cunhada, celebrando o nascimento de gêmeos. Enquanto isso, o filho que deveria ser deles enfrentava uma cirurgia de aborto. Sem hesitar por um segundo sequer, Isabela apertou o botão e encerrou a ligação. Uma médica de óculos de armação preta entrou no quarto e parou ao lado da cama. Ela puxou a prancheta e escreveu rápido, o som da caneta riscando o papel preenchendo o silêncio. Sem erguer muito o olhar, perguntou com seriedade: — Quando o seu marido chega para assinar? A sala de cirurgia já está pronta. Isabela segurava a raiva com dificuldade. — Essa assinatura precisa mesmo ser dele? A mão que preenchia o formulário parou no meio do movimento. Isabela olhou para ela. O olhar havia se tornado frio, cortante. — Ele está ocupado acompanhando a cunhada no parto. — A voz saiu baixa, controlada. — Esse documento… Eu posso assinar sozinha? A frase que ouvira ao telefone, "gêmeos, um menino e uma menina", ainda ecoava dentro dela como um espinho cravado fundo no peito. Nos olhos da médica passou um lampejo de compaixão. Em seguida, ela estendeu o formulário já preenchido. — Pode. Isabela pegou a caneta e assinou o próprio nome sem hesitar, com movimentos rápidos e firmes. A médica então lhe entregou um comprimido. — Depois de tomar isso, em meia hora vamos iniciar a cirurgia. Isabela recebeu o remédio e o colocou direto na boca. Ela sempre odiara coisas amargas. Mas, naquele momento, deixou que o gosto forte e áspero se espalhasse por toda a boca, como se a dor já não fizesse mais diferença. No começo da noite. Depois de terminar o período de observação pós-cirurgia, Isabela dirigia sozinha de volta à mansão onde morava com Cristiano. Assim que entrou, Débora, a funcionária responsável pela limpeza, levou um susto ao vê-la tão pálida. — Dona Isabela, o que aconteceu com a senhora? Isabela ergueu o olhar, frio e distante, ao ouvir a voz da empregada. O rosto ainda estava sem cor, mas ela forçou um leve sorriso. — Débora… Estou com fome. Desde cedo naquela manhã, Cristiano a levara à mansão da família Pereira. No almoço, durante a refeição em família, ela m*l conseguira dar duas garfadas quando Lílian entrou em trabalho de parto de repente, sangrando muito. Em questão de minutos, toda a mansão virou um caos por causa do nascimento iminente. Lílian Dias, esposa de Marcos Pereira, o irmão mais velho de Cristiano. Seis meses antes, Marcos havia morrido em um acidente aéreo, sem que sequer o corpo fosse encontrado. Desde então, bastava qualquer problema com Lílian ou com o bebê em sua barriga. Um telefonema, e Cristiano largava tudo e ia embora. As cenas do dia passavam uma a uma pela mente de Isabela. No momento em que Lílian entrou em trabalho de parto, o empurrão que recebera fora forte demais. Ela caíra no chão e simplesmente não conseguira se levantar. Mas ninguém percebeu. Todos os olhares estavam voltados para Lílian, que chorava e gritava, cercada de gente em pânico. Cristiano passou por ela carregando Lílian nos braços. Isabela, caída no chão, esticara a mão e agarrara a barra da calça dele. — Meu ventre está doendo tanto… Mas tudo o que recebera fora um olhar impaciente, quase irritado. — Não faça drama. E então ele se virou, levando Lílian embora, sem sequer olhar para trás. Débora percebeu o quanto Isabela estava fraca. Apoiou-a com cuidado e a conduziu até a mesa da sala de jantar. — Sente-se aqui. A cozinha acabou de preparar algo. Vou trazer para a senhora. Pouco depois, colocou à frente dela uma tigela de sopa fumegante e alguns pratos ainda quentes. Isabela m*l dera duas colheradas quando, do lado de fora, vozes animadas se aproximaram, rindo e conversando. A porta se abriu em seguida. Eram Cristiano e sua mãe, Bruna Araújo. Ao ver Isabela ali, num dia que para a família Pereira era de pura comemoração, Bruna, raridade absoluta, não fez cara feia. Claro que também não olhou para Isabela. Limitou-se a dizer a Cristiano: — Vou pegar uma coisa. — Tá. Bruna subiu direto para o andar de cima. O sorriso no rosto de Cristiano desapareceu. Ele caminhou até a mesa e sentou-se de frente para Isabela. Cruzou as longas pernas com naturalidade. Tirou um isqueiro do bolso. A chama se acendeu. Acendeu um cigarro e deu uma tragada lenta. Isabela manteve a cabeça baixa, concentrada apenas na própria comida, como se ele não estivesse ali. O homem puxou o ar com força, como quem se sentia um pouco cansado. Então estendeu a mão e bagunçou de leve o cabelo dela. — Olha só você. Hoje era mesmo dia de fazer birra? — A voz vinha baixa, quase conciliadora. — Meu irmão já se foi. A cunhada ainda tem os filhos dele. O que você estava tentando provocar hoje? Ele soltou a fumaça devagar. — Os bebês são muito fofos, tão pequenos. — Disse com naturalidade. — Se você tivesse visto, teria gostado. A forma como ele falava, aquele tom indulgente dirigido a ela, e a suavidade ao mencionar os bebês… Aquilo foi demais. A raiva de Isabela finalmente explodiu. Com um movimento brusco, ela levantou a mão. "Clac!" O garfo bateu com força na mesa, interrompendo-o. — Os filhos dos outros é tão adorável assim? Isabela ergueu o rosto. Os olhos estavam vermelhos de fúria. Ela encarava Cristiano com um sorriso frio, carregado de ironia. Ao vê-la explodir de novo, o rosto de Cristiano também se fechou. — Que "filho dos outros" o quê? — A voz dele endureceu. — São os filhos do meu irmão! No fim da frase, o tom já havia subido. A raiva que ele vinha segurando escapou por completo. Diante daquele Cristiano irritado, cheio de autoridade ferida, Isabela soltou uma risada curta, gelada. — Ah, então você ainda sabe que são filhos do seu irmão? — O olhar dela era cortante. — Do jeito que você age, eu quase achei que fossem seus. — Isabela!

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