ARIELA
Tiro minhas roupas e entro na banheira quando ela está cheia de água quente e espuma. Meus músculos relaxam no instante em que afundo e deixo minha cabeça pousada sobre a borda enquanto seguro a taça de vinho na mão direita e meu cigarro na mão esquerda.
Fechei os olhos, aproveitando o silêncio, a tranquilidade dos meus pensamentos e do resto do meu corpo. Algumas horas depois, saí de lá envolta num pijama minúsculo da cor do meu vinho tinto. Eu precisava dormir antes de chegar na Itália para poder lidar com tudo o que me esperava.
Assim que saí do banheiro, avistei uma costa larga na escuridão me dando as boas-vindas. Michael estava encostado na soleira da pequena sacada que decorava minha cabine. Parei de respirar. Ele estava exibindo seu corpo atraente diante dos meus olhos famintos e nem se moveu um pouco para me provocar.
— Boa noite, senhorita Vittore.— ele murmurou, ainda sem se virar. Como ele sabia que era eu?
Não parei para pensar nisso. Ele cruzou meus braços e eu corri meus olhos por todo o seu corpo. Lambi meus lábios, sentindo-os secos só de olhar para ele.
— O que você está fazendo aqui? Saia daqui, Andrews.— Aproximei-me dele com passos determinados.
— Minha presença te incomoda?
— Sim, incomoda muito — Ele riu ironicamente.
— Você tem medo de que algo aconteça entre nós?
Ele decidiu me confrontar. Seus olhos me perfuraram e seu cheiro me atingiu brutalmente, me deixando desorientada. O sorriso dele desapareceu, em vez disso, sua frieza se instalou como um iceberg. Eu tremi.
— O que aconteceu entre nós deve ficar no passado, esqueça agora.
Michael examinou meu rosto com seus olhos famintos, e senti minha pele queimar sob seu olhar.
Com os dedos ele alcançou meu queixo, desceu até meu pescoço até agarrar ele e com a mão livre me pressionou contra seu corpo. Sua proximidade e seu toque continuavam enviando eletricidade por todo meu corpo. d***a, preciso acabar logo com isso.
— Minta para o mundo inteiro, até mesmo para o seu namorado perfeito. Mas você nunca conseguirá fazer isso comigo, Ariela. – Ele falou com a voz rouca.
Ouvi suas palavras enquanto ria cinicamente, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. Existem homens arrogantes e existe Michael Andrews.
— Você não me conhece. — limitei-me a dizer, não conseguia dizer muitas outras palavras, embora eu estivesse morrendo de vontade de insultá-lo. A dura realidade é que eu não queria que ele fosse embora, mas minha mente continuava me lembrando do óbvio.
— Você é difícil, Ariela. O que te incomoda tanto? — pergunto de repente. — A primeira vez que uma garota como você ouve um não, ela começa uma guerra, né? Você não aceita a ideia de que eu não sou como o Felipe, que eu não te amo, que eu não quero passar tempo com você, é isso? É por isso que agora você me odeia? É por isso que agora quer ficar com ele?
Encontrei força onde não tinha e sustentei seu olhar com confiança. Cheia de raiva, dei um passo para trás, rompendo todo o contato e a palma da minha mão atingiu seu rosto. O som seco rugiu pelo ar. Se Michael pensou que poderia me insultar daquele jeito, ele não poderia estar mais enganado.
Ele olhou para mim com tanto desgosto que meu peito apertou. E mesmo que todo o meu ser gritasse para ele ficar, ele não conseguiu ouvir e saiu do meu quarto sem dizer mais nada.
— m***a. — murmurei, jogando-me na cama.
É fácil para o Michael me desestabilizar tanto com apenas algumas palavras. Não posso permitir isso, o que quer que tenha acontecido acabou, acabou há meses, não posso deixá-lo voltar e agir como se nada tivesse acontecido. Como se eu fosse apenas um brinquedo manipulável.
Não sei como farei isso, mas apagarei Michael Andrews da minha vida para sempre.