Capítulo 23 : Xadrez de Cela

1751 Palavras

Guilherme O som da casa-alcateia mudou. Antes, o lugar tinha um pulso confiante: passos firmes, ordens certas, ritmo previsível. Após a Lua N&gra, há hesitações: pausas, silêncio no corredor, sussurros onde antes havia certeza. De dentro da minha cela reforçada, escuto tudo como um espectador privilegiado. Grades duplas, concreto grosso, câmeras no alto, uma porta metálica com duas trancas e um visor estreito. Chamam-se de setor de contenção máxima. Para mim, é só um ponto de observação com menos conforto. Sento na cama estreita, encosto as costas na parede fria e deixo o ouvido trabalhar. Mudança de guarda a cada quatro horas. O peso das botas denuncia nervosismo: alguns pisam com força demais, como se precisassem lembrar a si mesmos de que ainda mandam em alguma coisa. Outros pisam

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR