Guilherme Mudaram de cenário, mas não de intenção. A sala de interrogatório especial não tinha o cheiro úmido da cela. Era limpa, fria, organizada demais. Mesa metálica no centro, duas cadeiras de cada lado, câmeras discretas nos cantos do teto, um espelho falso ocupando meia parede. Havia pastas empilhadas, pranchetas, gravação de áudio. O tipo de ambiente em que acreditam que “prova” vence tudo. Eu sempre gostei de espelhos. Principalmente daqueles que acham que estão observando sem ser vistos. Os guardas me sentaram, algemas presas ao anel de ferro na mesa. Caio ficou de um lado, com postura de quem prefere ação a papel, mas está disciplinado o bastante para suportar. Do outro, um técnico com óculos finos, prancheta e caneta, pronto para registrar cada palavra. — Vamos reconstitui

