Alina As palavras de Guilherme grudaram em mim como cheiro de fumaça em roupa de hospital. Passei o dia na enfermaria, na rotina de curativos, sinais vitais e anotações. Por dentro, a cena na sala de armas que Viktor descreveu se repetia: porta, prateleiras quebradas, um guarda caído, e um Viktor jovem, ensanguentado, com fúria no olhar. “Chamam isso de proteger. Eu chamo de instabilidade.” A pior parte é que eu sabia que ali tinha um pedaço de verdade. Não a conclusão, não o julgamento. Mas o núcleo cru de alguém que, um dia, errou pela força. Quem é o homem que anda ao meu lado, quando ninguém está olhando? Quando o turno noturno entrou, eu já não tinha mais desculpa para adiar o que sabia que precisava fazer. — Vai descansar um pouco, Alina — disse Dona Zuleide, aproximando-se co

