Viktor A noite na fronteira tinha o cheiro metálico de chuva represada e pólvora prestes a acordar. Eu observava o galpão à distância, sentado atrás da mureta de concreto que usávamos como cobertura. As luzes externas falhavam em intervalos irregulares; um defeito na fiação ou uma escolha de quem se acha esperto demais para ser visto. A van branca parada ao lado direito, sem identificação, era o sinal mais claro de que estávamos no lugar certo. — Movimento padrão há três noites — murmurou Caio, ao meu lado, binóculos apoiados nos olhos. — Dois homens entram, três saem. Entregas curtas, sem permanência prolongada. Célula Corvus em modo cauteloso. — Cauteloso demais — respondi. — Quem sabe que está sendo caçado, anda leve. Isso significa que Guilherme entregou o suficiente para assustá-l

