Guilherme A cela nunca foi só pedra e ferro. A verdadeira gaiola é o som. Os passos ritmados no corredor, a rotina repetida, as vozes que pensam que sussurram baixo demais para serem ouvidas. É o eco da casa lá fora, cada vez mais alinhado… não em torno de mim, mas em torno dele. Viktor. E dela. Alina. Nos últimos dias, os ruídos mudaram de textura. Menos correria desesperada, mais cadência de quem encontrou um eixo novo. A caçada contra a Corvus apertou, eu ouvia pelos relatórios que passavam de mão em mão, pelos cochichos de guarda impressionado com o “Alfa na linha de frente”, pela maneira como diziam o nome dela com respeito. “Rainha sem coleira.” “Ômega que fala no pátio.” Cada frase era uma farpa. Planejei rachaduras. Contei boatos. Plantei frases em guardas, conselheiros,

