Capítulo 4

1892 Palavras
Carolina então subiu as escadas sem encará-lo diretamente. Suas bochechas estavam um pouco quentes ao sentir o olhar dele, examinando seu passo sempre desajeitado e agora afetado pelo frio e pela calça jeans pesada pela água. Ele tocou sua cintura, fazendo com que seu corpo arrepiasse, ela olhasse diretamente para ele e ele a olhasse de volta. Carolina sabe que ele notou, mas esperava que ele encarasse o arrepio como frio... e não soubesse que seu toque foi o que arrepiou sua espinha e ativou os nervos de seu corpo. André a levou em um dos cinco quartos de hóspedes –Eliezer era exagerado quando podia- e se dirigiu ao banheiro, pegando uma toalha e voltando rapidamente, enrolando-a na mesma. - Você deveria tirar a jaqueta para secarmos você.- tinha suas mãos nos braços dela. -Eu... deveria. -olhou-o, sem se mexer. - Há algo errado com seus músculos? Eu demorei o suficiente para congelar você? Porra... - tirou-lhe a jaqueta. - Eu não achei que você falasse esse tipo de palavras, - Riu. - Obrigada por me ajudar.” - Por que não? Eu já disse, não sou mudo. E eu realmente falo palavras desse tipo. Às vezes, mais do que deveria. - ergueu a sobrancelha. - Você usa um terno que deve custar a mensalidade da minha faculdade. Tem a chave de uma casa que não é sua. Fala palavras como ‘apreciar’, mas também fala ‘p***a’. Você parece muitas pessoas em uma. - Talvez eu seja, querida. - encolheu os ombros. - Sou empresário. A casa é do meu irmão, isso explica a chave. Eu não sou um homem com boas maneiras sempre. E eu não sei por que dei tantas satisfações para você. Eu não faço isso, nunca! - fez uma cara de desapontamento. - Você é um Bueno? Então você deve ser... - Sim, André . O irmão mais velho, o adotado, a ovelha n***a. Merda, eu fiz de novo. Mais explicações indevidas. Vá se despir e entre no banheiro. Eu preparei uma banheira pra você. O rosto de André se fechou por completo, irritado consigo mesmo, mas aparentemente, também irritado com Carolina. Andou rumo à porta, mas Carolina o deteve, segurando seu braço. - Você não fez nada errado. E obrigada pela banheira, isso foi muito gentil. Eu... aprecio - Vá para o seu banho, então. - e saiu. Ela fechou a porta, sem entender a mudança repentina de comportamento. Ninguém gosta de dividir segredos em um primeiro encontro e isso nem foi um encontro, mas ninguém também prepararia uma banheira para uma desconhecida. Banheira! Carolina poderia contar nos dedos quantas vezes viu e entrou em uma. Despiu-se e mediu a água com um pé, colocando as pernas para dentro e sentando lentamente. A água era morna e eficiente, ajudando-a se recuperar do frio que parecia fazer parte dela. André não colocou espuma ou sais de banho, era apenas uma banheira com água quente e gentil, aguardando por ela. Ela se encostou e fechou os olhos, mas não conseguiu se concentrar em nada, já que a música da festa era extremamente alta e ela sentia o chão se movendo junto com as batidas. “A festa!”, ela pensou, mas não conseguia sair dali. Estava aquecida, distante do mundo que ela tentou fugir o dia todo. E ali, sentia uma ligeira proteção, nunca vista antes, por um desconhecido. Apesar, de que agora ele não era um desconhecido, era André . E apesar deles nunca terem se visto antes, apenas o nome dele era a apresentação e explicação exata de quem ele era. Mais exata ainda com a introdução que ele deu sobre a vida dele. Ele não a levou ali para machuca-la e Carolina sabia disso. - Ok, ele tem um mau humor péssimo - mas ela sabia que nada errado iria acontecer. A água começou a esfriar. Ela tentou ligar e regular, mas resultou em um total fracasso. Água espalhando por todo lado e ela tentando controlar com a mão enquanto ria. Haviam três torneiras, qual fecharia aquilo? Ela testou uma a uma, se divertindo com a confusão, até que finalmente a água parou de escorrer. Secou-se com a toalha e foi para o quarto. Não tinha notado antes, mas havia uma roupa em cima da cama, já que André definitivamente não entrou durante esse tempo. - Provavelmente ele já foi para a festa - pensou alto, enquanto respirou fundo. Provavelmente. *** André saiu do quarto, irritado. Ele não devia contar sobre ele à ninguém. Não é da conta dela ou de qualquer outra o porquê de ele ter uma chave, um terno ou o que seja. E sabia que apenas o nome era suficiente para se apresentar, já que a mídia fizera todo o trabalho pra ele. Ele deveria descer, já que seu trabalho com a desconhecida ainda sem nome acabara. Um homem enfurecido, com seus deveres terminados, apenas deveria descer e tomar uma cerveja em paz. Deveria. - Por que sigo nesse corredor? Eu vou esperar mesmo pela Garota Sem Nome? Ela deve saber se vestir sozinha e descer. Ela deve ouvir a música e encontrar o local certo da festa. Ok, mas talvez ela não saiba. E se ela continuar falando comigo e fazendo suposições ou continuar arrancando verdades de mim de uma forma que eu não consigo parar de falar? Ela pretende tomar banho para sempre? Merda, Eliezer está subindo. Ele abriu a porta rapidamente, entrando antes que seu irmão o visse e começasse a perguntar ou supor coisas, fazendo suas piadinhas de sempre. - Vamos, garota, você planeja tomar banho para sa…., se interrompeu, olhando o corpo dela. - Eu sinto muito. Eu... realmente sinto, droga! - Eu... eu já acabei! Você deveria bater! O que você está fazendo aqui?”, seus olhos estavam grandes, assustados. - E você deveria se trocar no banheiro! Eu vim porque… Enquanto discutiam, André demorou pra dizer o que realmente iria dizer, Eliezer estava perto. Com as vozes altas, rapidamente Eliezer reconheceu de onde vinha o barulho e a voz de seu irmão e abriu a porta. - Festas na piscina, já disse! - disse alto, mas rindo, olhando os dois. - Uma mulher nua, mas já, André ?” - Eliezer . Vá! Agora! - André a abraçou, gritando. - Me surpreendeu, hein? Espertão...já veio pro quarto. Espera, Carolina, é você?- a risada terminou. - Eliezer, não me faça ir aí. Agora, eu disse ou vai se arrepender! - gritou mais. - Ok! Tchau, casal. Não façam barulho. Eliezer fechou a porta, enquanto André lançava a bota de Carolina, com fúria, na porta. O outro braço seguia ao redor dela, pressionando-a contra ele. Ela não podia se mexer. Ela não queria. Tinha seus olhos vidrados em cada movimento dele e o corpo vibrando a cada grito. Ela não teve medo, teve curiosidade. O mesmo homem que discutia com ela, a abraçava e gritava com outra pessoa. Doce e rude. Protetor e arrogante. Confuso, mas interessante. André tinha a respiração acelerada e seus olhos pareciam mais escuros do que Carolina tinha visto mais cedo. O rosto sério, as sobrancelhas arqueadas e o maxilar forte, fazendo seus lábios se pressionarem ainda mais. Tudo em André parecia mais agressivo, até o abraço. Os dois se olharam um tempo. Ele com fúria, ela sem deixar que o medo tomasse conta dela. - Por que você me abraçou? - disse em voz baixa. - Porque não quero que Eliezer veja você assim, de toalha! - respondeu, incrédulo. - Mas... Por que? Eu poderia ser uma das cinco mil ex que ele tem! - Você é?? - arregalou os olhos, soltando seu corpo. - Não. Não, eu não sou! André , eu não sou! - segurou a toalha, dando um passo para frente. - Eu saberia se você tivesse se apresentado. Eu não sei nem o seu nome e agora... Uau, poderia ser a ex do meu irmão e eu a vi quase nua! Me sinto patético, um i*****l! Eu sinto muito, espero você lá fora. - Meu nome é Carolina ! Por que me abraçou? Me diz, não sai do quarto grosso comigo outra vez. Você acabou de me proteger! - Eu não queria que meu irmão visse seu corpo exposto e vulnerável. Não queria que ele tivesse ideias fantasiosas com você, Carolina - respirou fundo. - Por quê? - deu mais um passo para frente. - Isso é tudo. Vista-se. André saiu do quarto e, dessa vez, encostou-se à porta, como um guardião. Nem Eliezer, nem outra pessoa, nem sequer os próprios pensamentos dele entrariam no quarto. - Carolina. Então assim chama a Garota Sem Nome. Carolina faz mil perguntas. Eu odeio responder perguntas! Por que a abracei? Por que a protegi? Por que sigo aqui? Não é obvio? Se ela soubesse como os homens são e que qualquer um poderia se aproveitar dela, nunca teria deixado a porta destrancada. Ela deveria aprender à se cuidar. Talvez ela saiba e esse foi apenas um m*l momento. Afinal, ela sabe de mim, mas eu não sei nada sobre ela. Nada além de um nome. Ele decidiu descer e esperá-la no sofá. Ninguém poderia entrar na casa sem ele notar, de qualquer forma e ficar na porta do quarto de alguém que ele apenas sabia o nome, não parecia algo comum ou ideal. Enquanto isso, Carolina se trocava no seu tempo, sempre olhando a porta, como se esperasse André voltar. A roupa que ele providenciou estava no closet, provavelmente roupa de alguma ex de Eliezer. Havia uma calça roxo claro de ginástica, uma camiseta com o rosto da Minnie e um cardigã cinza. Não era a melhor combinação, mas com um olhar breve no que restou no closet, apenas isso caberia nela. André descobriu isso rapidamente. Carolina sorriu, saindo do closet. - Então foi por isso que ele demorou! Ele veio escolher uma roupa para mim... e como sabia meu número em menos de 5 minutos comigo? Talvez...quando ele me abraçou para entrarmos ou quando me viu na sala. Como ele fez isso? Será que eu devia perguntar ou ele vai se irritar de novo? Tem tanto que eu quero me perguntar... Eu preciso de mais tempo com ele! Ela mordeu o lábio, contendo o sorriso de excitação por saber que ia vê-lo ao abrir a porta. Ela havia se decidido: ia perguntar tudo o que queria saber sobre seu protetor e não importa a raiva com que ele a olhe ou responda. E ela teria a festa toda para isso, até que seu celular toca. - Alô? - fechou os olhos com força. - Amor, em 5 minutos estou aí...esperei a chuva passar. Já chegou? - riu. - Hum... já. E ok. Até daqui a pouco. - Até. Eu te amo... Carolina desligou, sem responder. Ela tinha apenas mais cinco minutos com André . Talvez os últimos cinco minutos para nunca mais. Era a chance que tinha. Saiu rapidamente, em direção à porta, abrindo-a e olhou o corredor. Seu peito apertou quando não o viu, apesar de seu perfume seguir presente. Ele havia desistido de esperar? Ele desistiu pelas perguntas? Ela puxou o ar e gritou. - Andre ! - No sofá! - gritou de volta. Seu peito acalmou e ela sorriu, andando rápido, rumo à escada. Ele não desistiu dela. E ela não desistiria dele.
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