Capítulo 3

1358 Palavras
Já estava escuro quando o celular de Carolina começa a tocar. Na verdade, tocou algumas vezes, antes, mas ela dormiu de maneira profunda, se desviando de qualquer barulho ou problema. Dessa vez, o celular tocou repetidamente, três vezes, despertando-a. - Oi... - a voz saiu baixa, enquanto seus olhos estavam semi fechados. -Amor, eu - Cristiano tinha a voz doce, agora. - Você... Eu vou voltar a dormir. - Não! Eu não quero brigar outra vez. Queria te chamar pra sair. - Você é bipolar, só pode ser! Eu não sei se quero mesmo sair com você, hoje. - Sei que não quer nenhum encontro romântico, Carolina. Não sou i****a! Eddie vai dar uma festa, suas amigas vão estar lá. Por que não vamos? - Hum... - passou a mão no cabelo. - Posso ir. Só quero que fique claro, é pelas minhas amigas! Eu vou me arrumar. - Só que tem um problema... - Claro que tem...- rolou os olhos. - É aniversário da tia Eliana. Eu vou à casa dela, dar um oi e depois, corro para a festa e te encontro. - Você quer dizer... que não vem me buscar? - disse, sarcástica. - Mas vou te encontrar lá! - Ok, Cristiano. Como sempre, ok. Carolina desligou, ignorando as duas ligações seguintes de Cristiano . Ele fazia muito por ela, mas sempre tinha um “mas...” escondido entre suas ações. Ela sabia que ele a convidar para uma festa onde ele poderia ter outra garota e seus amigos esconderiam esse segredo, definitivamente significava que ela era a escolha dele. Mesmo assim, não podia esconder que seguia desapontada pelo que aconteceu e por ele não ir com ela, como um casal. - Ele não deveria me convidar para ir ao aniversário, também? - era a pergunta que rondava sua mente. Logo depois de se arrumar, contou suas economias , um táxi nessa chuva foi sua melhor ideia. Vestiu uma jaqueta, ao ouvir o vento agitar sua janela, pegou seu celular e foi rumo à casa de Eliezer. - Sem mais pensamentos sobre Cristiano até ele chegar. Eu sei me divertir sozinha. Afinal, é sozinha que ele me deixa...- pensou. A chuva começou a cair, enquanto ela admirava a paisagem através do vidro do carro. Carolina não vive na parte “rica” de Seattle e as decorações caras e exageradas de Natal, atraíam seus olhos. Quando o táxi estacionou, a chuva se intensificou. - O senhor tem um guarda chuva pra emprestar? Eu só preciso até chegar ao portão! - perguntou ao taxista. - Hoje não, Senhorita. Então é melhor correr. - respondeu com sotaque indiano, sorrindo, humildemente. - Droga! Obrigada! Carolina saiu correndo em direção ao portão. Correu quase um quarteirão, já que haviam inúmeros carros estacionados para a festa e o taxista não conseguiu parar tão perto. Quis gritar quando as luzes se apagaram, mas seguiu correndo até que se acendessem novamente. Ela sempre se esforça para ser mais forte do que sente que é. Na verdade, Carolina é forte, mas ainda não sabe. Ao se aproximar, cruzou com um homem, olhando um pequeno molho de chaves, provavelmente decidindo qual abriria o portão. Rapidamente, ele se decidiu e o abriu. - Hey, você! Não fecha, por favor- disse mais alto do que esperava. André se virou e viu uma Carolina completamente molhada e com os lábios tremendo. Desajeitada, despenteada, mas ainda assim bonita. Olhou seus lábios trêmulos mais do que devia, eram grossos e estavam mais do que vermelhos com a mordida que ela deu para controlar o tremor. Seu olhar cruzou o dela por um segundo, trazendo-o para o mundo real. Rapidamente, abriu a porta do seu carro e pegou um terno que tinha guardado. Ela poderia ter entrado na casa antes dele, mas parece que Carolina sabia exatamente as intenções de André . O acompanhou com os olhos, até ele voltar. Olharam-se enquanto ele cobria a cabeça dela e seu corpo com o terno. André envolveu o pequeno corpo de Carolina com um braço, a apertando forte contra a lateral de seu corpo e entrou, correndo com ela. - Obrigada por me emprestar o terno - sorriu, batendo os dentes. Ele não respondeu, sequer acenou com a cabeça ou a olhou de volta. Tinha os olhos focados à frente e um passo acelerado, apertando-a mais contra seu corpo, correndo contra o vento. André estava ocupado demais para ser gentil, enquanto pensava “Como essa garota vai passar a festa toda molhada?”. A parte frontal da casa de Eliezer é totalmente descoberta, enquanto a festa ocorria na parte traseira. Um lugar coberto, fora da casa principal, de frente para a piscina. Adrian poderia ter feito o percurso normal e a acompanhado até os fundos da casa, deixando-a na festa, mas a sua preocupação foi extrema. Decidiu entrar na casa, que era contra as políticas de Eliezer em dias de festa, mas sabia que poderia ligar o ar condicionado e aquecê-la por um tempo. Apesar do homem rude, arrogante e sério, André era um cavalheiro e sabia, exatamente o que fazer para uma mulher. Especialmente para aquelas que atraíam seus olhares. No momento, Carolina havia atraído não só isso, mas como sua preocupação, atenção e cuidado. Diferentemente de como olhava Samanta , André olhava Carolina com seriedade e preocupação. Talvez, estivesse preocupado demais para olhá-la como um material. Talvez, Carolina fosse desajeitada demais para ele. Talvez. Quem entende André ? - Por favor, sente-se - apontou o sofá. - Eu vou subir e ver o que posso providenciar para você. - Uau! Você fala! - abraçou uma almofada, sorrindo. - Eu pensei que você era mudo. Só mudo, já que me ouviu gritar lá fora. - Oh, não, querida. Eu não sou mudo.-deu um sorriso curto. - Eu aprecio as palavras e o impacto que elas têm quando eu as uso, muito mais do que você possa imaginar. Me dê um momento. Carolina prendeu o ar quando viu o sorriso de André . Ela se surpreendeu pela piada dela atrair qualquer atenção dele e fazer o rosto sério desaparecer, mesmo que por instantes. O sorriso foi sarcástico, mas ainda assim, fantástico. O deixava mais bonito. Carolina agradeceu aos céus por ele não ser mudo, ao ouvir o tom de voz grave que ele tinha. Nenhuma voz era tão grossa e quente como a dele. Tão quente, que a fez esquecer-se do frio, por alguns instantes. E ele falava de uma maneira muito correta para fazer parte da festa que ela estava esperando, com pessoas bêbadas m*l sabendo pronunciar o próprio nome. Ele subiu as escadas e ela apertou mais a almofada contra o corpo, assistindo-o. Quando ele desapareceu da sua vista, a voz dele parecia ainda presente. - Eu aprecio as palavras (...)querida - ela sussurrou, tentando pronunciar da mesma forma que ele. Ela tirou os sapatos e colocou as pernas no sofá, se cobrindo com o terno, que exalava o perfume forte de André cada vez que ela se movia. Carolina se encolheu dentro do terno e o cheirou, suavemente, enquanto encarava a escada, esperando-o descer. Ela sentia seu corpo mais quente, com a ajuda do terno e do ar condicionado. Já conseguia ter pensamentos grandes e se mover sem tremer. - Como será que o Senhor Palavras Bonitas e Cheiroso se chama? Ele deve ser mais velho. Nenhum garoto da minha idade tem um terno no carro. Quem é ele? O que será que ele faz? Você precisa dar um tempo com os pensamentos, garota. Ele é um homem comum que ajudou uma garota com cara de louca. É o que as pessoas fazem. Não tem nada demais aqui. Isso não é um conto de fadas. Vida real, Carolina. Vida-real. - pensou. Os pensamentos se apagaram à medida que ela ouvia os passos dele se aproximando da escada, outra vez. Ele não desceu, chamando-a com a mão. - Venha. Eu tenho algo para você. Sem questioná-lo, ela se levantou rapidamente e foi em direção à escada. Ao ouvir o comando de André , seu corpo reagiu. Estranhamente, ela poderia ir à qualquer lugar, com ele. E ela estava indo.
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