Pego o meu celular e vejo que tinha uma ligação de Lucas.
- Leo, Lucas me ligou! - Digo tentando retornar à ligação para o meu namorado. - d***a, está indo direto para a caixa postal!
"Amor, estou aqui na festa da fraternidade ainda! Estou com o Leo."
Envio a mensagem, mas percebo que ela ainda não tinha chegado para o meu namorado.
- Malu, deixa o Lucas um pouco para lá! Eu estou aqui, e vou te proteger de qualquer coisa, ok? - Ele me oferece outro copo de bebida.
Não recuso e acabo bebendo.
Lucas precisava confiar em mim também. Ele tinha aproveitado o primeiro ano de faculdade como queria, e eu queria fazer o mesmo. Claro, não seria uma caloura irresponsável. Sei que tenho um compromisso sério com ele, mas não tinha nada de errado beber um pouco com o meu melhor amigo, vulgo o seu irmão, e depois ir embora.
Como não tinha comido nada, sinto o álcool chegar mais rápido nas minhas veias. Sinto a minha pupila dilatar um pouco, e começo a enxergar as coisas mais borradas.
Coloco o meu copo no canto do armário, e pergunto para Leo onde era o banheiro. Com as suas instruções, chego mais rápido ao lavabo. Me olho no espelho, e vejo que as minhas bochechas estão vermelhas.
Seria a bebida?
Fico me encarando por alguns segundos no espelho, e decido ligar novamente para o meu namorado. Aproveitaria o silêncio que estava no banheiro para poder falar com ele.
Caixa postal! d***a, Lucas.
Lavo o meu rosto, e uso o banheiro. Saio dali, e vou em direção à cozinha. Pego o meu copo que tinha deixado no armário minutos atrás, e tento procurar Leo.
- Oi, com licença! - Digo para um rapaz que tinha visto mais cedo ao chegar na fraternidade. - Você sabe onde está o Leo?
- Olha, acho que ele subiu com uma garota! Não sei se é uma boa tu ir atrás dele.
Era só o que me faltava. Leo me deixou sozinha nesta festa para t*****r?
Saio da cozinha ignorando o recado que o rapaz tinha me dado, e vou atrás do irresponsável do meu amigo. Subo as escadas, e peço sorte para localizá-lo.
Se eu não me engano, tinha por volta de uns 10 quarto por ali. Acho que era uma das maiores fraternidades que eu já tinha visto. Vou abrindo todas as portas que eu conseguia, mas a maioria estava trancada (por que será?). Estava chegando no final do corretor e nada do Leo.
- p***a, tem gente! - Um homem diz quando eu abro sem pedir, a porta do cômodo que ele estava usando.
Uma ótima visão. Duas mulheres com ele dentro do quarto.
Faltava 3 portas para eu concluir a minha missão de busca pelo Leo Andrews. Dou um último gole na minha bebida, e sinto a minha garganta queimar. Maldita tequila.
Abro uma porta, e vejo um grupo de homens no meio do quarto formando um círculo. Drogas?
- An... Oi! Desculpa... Estou procurando uma pessoa! - Digo sem graça ao ver o que eles estão fazendo.
Eu mataria o Leo quando colocasse as minhas mãos nele.
- Oi, princesa! Você é amiga do Andrews, né? - Um cara de barba vem até mim.
Princesa? Eu tinha dado i********e para ele, e não sabia?
- Exato... Estou procurando por ele! Vocês sabem onde eu posso encontrá-lo?
- Claro, ele desceu para pegar algumas bebidas para a gente, e já está subindo! - Ele me puxa delicadamente para dentro do quarto.
Começo a sentir um leve peso no meu estômago, mas decido esperar o Leo por ali. Não estava mais aguentando o volume alto do som.
- Mas então, o que você está cursando aqui na UW? - O mesmo cara que me atendeu questiona.
- Medicina Veterinária! Estou no primeiro semestre – Respondo.
Eu não sei o motivo, mas estava me sentindo incomodada com o cheiro de maconha que reinava naquele quarto.
- Muito legal! Admito que cuidar dos animais é muito mais vantajoso do que cuidar de pessoas – Ele se aproxima de mim.
Concordo com ele. Literalmente eu não serviria para cuidar de seres humanos.
Não fazia muito tempo que eu estava esperando pelo meu amigo, mas começo a sentir um leve sono iniciar pelo meu corpo. Eu não tinha bebido muito para ficar com aquele sono todo.
Pego o meu celular, e decido mandar uma mensagem para Leo.
"Oi, onde você está? Eu estou te esperando aqui no quarto com os seus..."
Acabo enviado a mensagem sem querer quando um deles puxa o celular da minha mão.
- Calma princesa! Leo já está vindo... Não tem o porquê você se preocupar! - Vejo ele guarda o meu aparelho no seu bolso.
Quem ele pensava que era para fazer isso comigo? Ele poderia ser o reitor do campus, não poderia ter pegado o meu celular daquela forma. Me levanto da cama para tomar o meu celular de volta, mas sou surpreendida com o meu corpo caindo no chão.
Vamos, Malu! Nada de sono agora, você tem que pegar o seu celular de volta.
Nada, o meu corpo não estava querendo obedecer aos meus comandos!
- Devolve o meu celular! - Tento dizer, mas estava fraca demais para continuar.
Vejo que estou numa enroscada quando todos eles começam a dar risada de mim.
- Pobre, Malu! Não deveria ter tomada a sua bebida quando voltou do banheiro. Sabia que em festa de fraternidade, as pessoas drogam geralmente as outras para aproveitar delas?
Droga, Malu! Como você não percebeu isso.
O cara que tinha aberto a porta do quarto, vem até mim, me pega no colo, e me coloca na cama deitada.
- Você é uma delícia! Não tem como recusar uma caloura linda como você - Ele começa a tirar a minha jaqueta com ajuda do restante do grupo.
Tinha uns 5 caras por ali, e eu sabia que cada um deles queria se aproveitar de mim.
- Sabe, é meio que uma tradição por aqui... Digamos que seja um trote... Pegar uma caloura, dopar, e ensiná-la como funciona o mundo da faculdade – o meu corpo só estava coberto pela minha calcinha e sutiã. - Não é nada pessoal... Só foi impossível te olhar, e não te desejar! - Ele diz beijando as minhas coxas.
Naquele momento eu queria gritar, e esmurrar todo mundo ali, mas o meu corpo não se mexia. Os meus olhos iam de um lado para o outro, eu estava lutando para isso, pois o sono estava pesando no meu corpo.
- Dodô, eu já estou gravando! - Diz um rapaz que estava ao meu lado.
Dodô é o apelido do rapaz que tinha aberto a porta para mim? Eu não poderia esquecer aquele nome.