Capítulo 2
VICK NARRANDO
Eu, Vick, estava envolta em um vestido branco e simples, cercada por luxo e pompa na festa do meu próprio casamento. As luzes cintilavam, os convidados riam e celebravam, mas eu me sentia como uma estranha no meu próprio conto de fadas. Casei-me com um CEO poderoso, mas não por amor, pelo menos não da parte dele. As decisões foram feitas por circunstâncias que escapavam ao meu controle.
Suspiro, observando discretamente meu marido conversando com seus amigos influentes.
– Ele está sempre cercado por esse ar de superioridade. Sinto-me como se estivesse em um mundo completamente diferente.
Falo comigo mesmo quando Adrian vira-se para mim com um sorriso nitidamente forçado.
– Vick, querida, está se divertindo?
Então forçando um sorriso em resposta respondo.
– Sim, claro. A festa está linda.
O silêncio dentro de mim era ensurdecedor. Meus sapatos velhos doíam nos pés e cada olhar de desdém dos convidados parecia cortar minha alma. Os murmúrios e risos abafados ao meu redor me faziam sentir como se estivesse sob um holofote, cada falha e fraqueza exposta para o escrutínio implacável dos que me rodeavam.
Então um convidado rindo alto enquanto olhava para mim diz.
– m*l posso acreditar que o nosso amigo poderoso se casou com alguém assim. Quanto tempo ela vai durar?
As palavras me atingiram como punhais afiados. Meu coração pesava mais do que o vestido simples que eu usava. Eu era uma estranha entre eles, uma intrusa em um mundo de riqueza e poder.
Eu estou mantendo a compostura, mas com os olhos marejados.
– Com licença, preciso de um momento.
Caminhei rapidamente para longe da multidão, buscando um refúgio na solidão momentânea. Lágrimas silenciosas traçavam caminhos solitários pelas minhas bochechas enquanto lutava para encontrar forças para enfrentar a festa que deveria ser minha felicidade, mas que se tornara um fardo doloroso.
Enquanto tentava recuperar o controle das emoções, uma sombra se projetou sobre mim. Levantei os olhos para ver meu marido, o CEO, parado ali, um olhar impaciente cruzando-se com o meu.
Então com um tom autoritário, ele diz.
– Victoria, o que está fazendo aqui fora? Todos estão te procurando lá dentro.
– Só precisava de um momento, mas agora estou bem.
Falo tentando conter a tristeza em minha voz.
Ele estendeu a mão, esperando que eu aceitasse. Relutantemente, segurei-a, permitindo que ele me puxasse de volta para a festa.
– Não podemos ficar aqui fora, Victoria. Você precisa se acostumar com esse tipo de ambiente.
Caminhamos de volta para a agitação da festa, mas a minha mente ainda vagava em um lugar distante. Meu marido me arrastava como se eu fosse uma peça decorativa, desconsiderando meus sentimentos.
– Estou tentando, mas é difícil.
Falo em voz baixa, quase para mim mesma.
Ele me conduziu de volta ao centro das atenções, onde os sorrisos falsos e olhares de piedade pareciam penetrar minha alma. Eu permanecia ali, fisicamente presente, mas emocionalmente distante, questionando o significado de uma vida onde eu era apenas uma adição decorativa ao status dele.
– Desculpem-nos pelo pequeno contratempo. Victoria está bem agora. Continuem aproveitando a festa!
Adrian continuou como se nada tivesse acontecido, mergulhando novamente na conversa com seus convidados importantes, enquanto eu me sentia cada vez mais distante e alienada em meio à celebração que deveria ser a minha felicidade.
Eu permanecia ali, tentando me ajustar à fachada de normalidade que todos esperavam de mim. Enquanto sorria e conversava superficialmente com os convidados, a sensação de solidão crescia dentro de mim. Meu marido continuava imerso em sua rede de influência, alheio à minha crescente agonia.
– Victoria, querida, por que não vai cumprimentar os convidados ali? São importantes para nossa imagem.
Cada passo que eu dava parecia um fardo. Cumprimentei os convidados, tentando ignorar os olhares condescendentes e as conversas vazias que me faziam sentir ainda mais isolada.
– É um prazer conhecê-los.
Por dentro, ansiava por um momento de autenticidade em um mar de formalidades superficiais. Meu coração doía com a necessidade de conexão humana genuína, algo além da frieza e da indiferença que permeavam esse mundo de riqueza e poder.
– Seu vestido é adorável, querida, mas talvez devesse pensar em algo mais... sofisticado.
Uma convidada fala me olhando de cima a baixo com um olhar crítico.
As palavras me atingiram como um golpe. Uma mistura de humilhação e frustração cresceu dentro de mim, mas respirei fundo, forçando um agradecimento educado antes de me afastar, procurando desesperadamente por um refúgio longe da multidão.
Busquei um momento de paz, um momento para respirar e tentar encontrar alguma serenidade naquela noite que deveria ser de celebração. No entanto, a sensação de estar aprisionada em um mundo onde eu não pertencia continuava a sufocar-me.
À medida que a noite avançava, a festa começou a chegar ao fim. E Adrian e eu nos encontramos novamente no centro do salão, despedindo-nos dos convidados. Cada despedida era acompanhada por um sorriso polido, mas por trás deles, percebia-se o julgamento e a indiferença.
– Parabéns novamente pelo casamento! E quem é essa moça? Oh, a esposa, claro.
Os olhares de surpresa e a maneira como me tratavam eram uma confirmação dolorosa da minha posição naquela esfera social.
– Sim, esta é Victoria, minha esposa. Obrigado por terem vindo, foi um prazer tê-los conosco.
A despedida final ecoou como um lembrete c***l da minha insignificância aos olhos daqueles que orbitavam em torno do meu marido. Mesmo no final da festa, eu continuava sendo uma presença secundária, uma sombra no brilho do Adrian.
– Obrigada por virem. Tenham uma boa noite.
Assim que os últimos convidados saíram, o vazio do salão refletia o vazio dentro de mim. Envolvida em um casamento que era mais uma transação do que uma união, a solidão me envolveu mais uma vez.
– A festa foi um sucesso, não foi?
– Sim, foi.
A distância entre nós era palpável. Enquanto ele mergulhava em seus pensamentos sobre negócios e conexões, eu ansiava por um entendimento que parecia estar além do nosso alcance.
Enquanto observava o salão se esvaziar por completo, uma mulher jovem e deslumbrante se aproximou do Adrian com um sorriso radiante. Seus gestos e a familiaridade entre eles indicavam uma conexão além da formalidade.
– Oi, Lisa! Que bom te ver por aqui.
Ele fala abraçando ela e sorrindo.
– Claro que eu não perderia a festa do meu amor. Parabéns pelo casamento, vocês até que formam um belo casal.
Amor?
Os gestos íntimos entre eles, os risos compartilhados e a maneira como ele a tratava com um afeto mais evidente do que demonstrara comigo, despertaram um desconforto sutil dentro de mim.
Fico observando a interação de longe, e um nó se formando em meu peito.
Adrian sorrir das palavras de Lisa e diz.
– Obrigado, Lisa. Fico feliz que tenha vindo.
Sentimentos confusos de desconforto e ciúmes se misturavam enquanto eu via a proximidade entre os dois. Eu era a esposa, mas ali, naquele momento, me sentia mais como uma estranha do que nunca.
– Você deve ser a Victória! Ouvi tantas coisas sobre você, mês passado quando viajei com o Adrian para relaxarmos, porém ele precisou voltar antes para se casar com você. Parabéns pelo casamento.
Ela fala com um certo desdém.
Meu sorriso foi genuíno, mas por dentro, uma tempestade de inseguranças se formava. Cumprimentei-a com polidez, mas o desconforto persistia enquanto observava a interação entre ela e meu marido.
– Vamos Lisa, ainda temos um pouco de vinho ali. Quero ouvir mais sobre suas viagens recentes.
Adrian fala me ignorando por completo.
Eles se afastaram em meio à conversa animada, deixando-me com um turbilhão de sentimentos. Eu era a esposa, mas ali, naquela troca, senti-me como uma figura esquecida em um cenário onde não era mais a peça central.
Enquanto eles se afastavam, meu coração apertava com uma mistura de incerteza e preocupação. Era como se uma sombra tivesse se projetado sobre a certeza precária que eu tinha sobre meu lugar ao lado de Adrian.
Vejo a tal Lisa rindo e abraçando Adrian.
Cada gesto, cada risada compartilhada, parecia corroer a pequena confiança que eu tinha naquela relação. No entanto, eu permanecia em silêncio, sufocando a sensação crescente de ser relegada a um papel secundário.
Um turbilhão de perguntas invadiu meus pensamentos. Será que ele se importava mais com ela do que comigo? Será que eu era apenas uma conveniência em sua vida? O peso do desconforto e da solidão aumentava a cada segundo.
– Victoria, você está bem?
– Sim, estou bem Adrian.
Então ele voltou-se para Lisa novamente, e a conversa continuou, enquanto eu me sentia cada vez mais distante e isolada, tentando disfarçar a dor que se intensificava em meu peito.
O restante da noite passou em um borrão de aparências e sorrisos forçados. Eu me sentia uma estranha no próprio casamento, uma espectadora de um mundo ao qual eu nunca pertencera de fato.
A noite finalmente chegou ao fim, para Adrian e a tal Lisa, então eu e Adrian nos preparamos para partir rumo à nossa lua de mel. O silêncio no carro enquanto nos dirigíamos ao aeroporto era ensurdecedor, um reflexo do abismo que parecia crescer entre nós. Olho pela janela, perdida em pensamentos.
– Está animada para a nossa viagem, Victoria?
Sua tentativa de iniciar uma conversa parecia distante, como se estivéssemos seguindo roteiros diferentes. Eu forçava um sorriso, tentando esconder a incerteza e a confusão que dominavam meus sentimentos.
– Sim, claro. Deve ser ótimo.
A atmosfera entre nós era carregada de tensão não verbalizada, palavras não ditas pairando no ar como um peso que ambos evitavam abordar.
– Bom você sabe, Victoria, essa viagem é importante para nós. Precisamos estabelecer algumas coisas, conversar sobre o nosso futuro juntos.
Suas palavras ecoavam como um sinal de alerta, despertando uma mistura de apreensão e esperança dentro de mim. Era um chamado para uma conversa que precisávamos ter, uma conversa que poderia definir o curso de nossa relação.
Eu apenas confirmo com a cabeça e não falo nada.
Enquanto nos aproximávamos do aeroporto, o peso do que estava por vir se instalou ainda mais profundamente. Era o início de uma jornada que poderia determinar o destino da nossa união, ou talvez revelar as brechas que existiam desde o início.