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1729 Palavras
Depois do episódio em que a nova duquesa tirou Lunna do trabalho, a jovem serva passou a ser vista de uma forma diferente entre os criados. A senhora Gertrudes agradecia intimamente por não haver sido entregue por ela a nova senhora da casa, afinal, os novos patrões ainda não tinham nenhuma i********e com os servos da propriedade, não seria difícil para eles demitir quem quer que fosse, e no fundo ela sabia que fora grosseira com Lunna, e sendo tão íntima da futura duquesa, ela poderia ter usado a situação para prejudica-la, porém, não o fez. Por outro lado, enquanto a senhora Gertrudes lhe era grata, algumas criadas mais jovens a invejavam por tudo: pela sua beleza e elegância digna da nobreza, por ser tratada de firma diferenciada e ganhar vestidos de luxo e ainda por cima se manter bem longe do serviço pesado, podendo ficar na biblioteca ou passear no jardim quando vem entendesse. Lunna ainda tentava se ajustar neste ambiente e para isso se aproveitou de todo apoio disponível. O da senhora Gertrudes, que como a governanta da casa era fundamental, algumas servas da cozinha, e o jardineiro Sammir, que também aproveitava todas as oportunidades que tinha para puxar algum assunto. Na medida do possível, tudo estava se encaixando. As criadas invejosas tremiam lhe enfrentar abertamente, e a convivência já não era tão difícil. Sammir sempre tornava o seu tempo livre mais agradável e gostava de ensinar mais sobre rosas, Andrew, que estava assumindo o ducado, agora estava cada vez mais atarefado e consequentemente Lunna agora também passava muito mais tempo com Ivy. Juntas, elas exploravam a propriedade, cavalgavam, passeavam pela cidade, faziam compras, enfim, a sua vida estava basicamente como antes, porém, sempre que a sua mente desocupava, e parecia relaxar, os sonhos indecentes voltavam e lhe reviravam pelo avesso. Para livrar-se disso, de uma vez por todas, ela decidiu dar uma chance para si mesma e corresponder aos flertes de Sammir, o que não seria uma tarefa tão difícil assim. O jardineiro da propriedade era na verdade um homem muito bonito, alto e forte, por todo serviço braçal que fazia, tinha os olhos cor de mel e cabelos castanhos que harmonizavam muito com os seus traços, sua barba bem aparada lhe dava um ar ainda mais viril e com toda certeza ele chamava atenção de todas as damas solteiras e menos abastadas da região. Apesar de ter chegado a pouco tempo em Gloucester, a ruiva parecia ter chamado a atenção de Sammir, e não lhe parecia m*l, passar um tempo extra ao lado dele. Por isso, no dia seguinte, depois de ajudar Ivy a se vestir e trançar os seus cabelos, Lunna foi direto ao jardim, onde já sabia que o encontraria. - bom dia, senhor Sammir. O que está cultivando esta manhã? - meu dia está bem melhor agora, senhorita Lowell. Estou fazendo algumas mudas de lavandas. Não é considerada a mais bela entre as flores, mas é muito boa para perfumar os ambientes. - de fato, eu até já sinto o perfume delas daqui. Posso ajudar com alguma coisa? - de forma alguma! Sua presença aqui já me ajuda de muitas maneiras. - ora, senhor Sammir, não seja tão galante. De que maneira minha presença poderia ajuda-lo? - ao vê-la aqui, eu me sinto mais revigorado. Tenho certeza que a partir de agora trabalharei mais rápido e terminarei mais cedo, bem a tempo de leva-la para um passeio mais tarde. Se desejar ir, é claro. - na verdade, eu adoraria. Tenho certeza que conseguirei ter um tempo livre depois da hora do chá. O jardineiro parecia surpreso agora. Há alguns dias que a jovem ruiva ignorava todas as suas investidas. Quase não conseguia acreditar que ela tinha dito um sim para esta tarde de passeio. - combinado então, senhorita Lowell. - A gente se vê logo mais. Tenho que ir agora. Pronto. Estava feito. Será que deveria se sentir nervosa ou ansiosa agora, ou era normal que estivesse tão indiferente? Ivy agora era uma mulher casada e mais experiente, talvez soubesse lhe aconselhar melhor. Quando voltou ao interior da mansão, procurou a sua lady, que se despedia do duque após o desjejum e logo caminhou em sua direção. - Acho que hoje, devo escrever algumas cartas. Acha que está muito cedo pra contar sobre o bebê?- perguntou Ivy, baixo o suficiente para somente Lunna escutar. - absolutamente, milady. Com o tempo que demorou para conseguir resolver tudo, acho que o quanto antes der a notícia, menos falatórios terá depois. - me parece que agora que o tempo de núpcias terminaram, começaremos a receber visitas aqui. Não será estranho se minha barriga já tiver dando sinais? - A partir do momento que você se anunciar grávida, já poderá usar vestidos mais soltos. De toda forma, mesmo que falem, quem poderá provar que estava grávida quando casou? Além disso, existe o alibe do internato, todos imaginam que passou os últimos seis meses antes do seu casamento por lá, nem a mente mais criativa poderia imaginar que fugimos para Itália. Durante a próxima hora, Lunna e Ivy se concentraram nas cartas para os parentes e na forma como aquela novidade chegaria. Enquanto isso, a ruiva buscava alguma coragem para contar a amiga que sairia com o jardineiro, afinal, nunca antes tinha demostrado interesse por alguém e jamais ousaria contar os fatos reais que a motivaram a isso, essa era uma observação que não admitiria nem para si mesma em voz alta. - Ivy, minha querida, eu tenho algo mais para falar com você. - finalmente! Não aguentava mais sua inquietação, pensei que nunca me contaria o que a estava aflingindo. - não é nada sério, na verdade. É só que o seu novo jardineiro me convidou pra sair, e eu aceitei um passeio para hoje, depois do chá. Ivy largou o selo do ducado, com o qual estava selando as cartas, de lado e olhou profundamente para a amiga. - é por isso que tem andado tão estranha ultimamente? Está apaixonada? - claro que não. Ainda é cedo para isso, mas, eu espero conhecê-lo melhor, ele me pareceu um homem legal. - quem sou eu para me meter, mas, essa descrição não me pareceu das mais empolgadas. Onde está o fogo? A respiração ofegante? O coração disparado? A última coisa que passaria pela minha cabeça quando vi o Andrew pela primeira vez, era "um homem legal". Se ela soubesse que Lunna vinha sentindo tudo isso pelo homem mais improvável... - acontece, que isso não é tudo o que eu vejo nele. O senhor Sammir tem o seu charme, é um homem alto e muito bonito. - eu não posso criticar, porém, vou aconselhar. As regras da nobreza quase me obrigaram a casar com o homem errado, você melhor do que todas as pessoas, sabe de tudo o que eu sofri por isso. Minha amiga, você tem liberdade para viver um amor verdadeiro e desfrutar da mesma alegria que eu estou vivendo agora, então, não se precipite se não tiver certeza. Está bem? - eu não vou. Tenho pensado muito sobre isso. O restante da manhã e o início da tarde, seguiram como sempre e logo após a hora do chá, Lunna se retirou discretamente e sentou em um dos bancos reservados no jardim, até que o senhor Sammir se aproximou com um lírio nas mãos. - então falava mesmo sério? Não cheguei a crer que era verdade, até que a vi aqui. Lunna levantou e recebeu o lírio das mãos dele, que lhe segurou uma das mãos e a beijou por cima da luva. - obrigada pela flor, senhor Sammir. Eu não costumo brincar com as palavras, disse que estaria aqui, não disse? O jardineiro lhe estendeu o braço que ela prontamente aceitou e juntos caminharam por uma parte reservada do jardim, enquanto conversavam amenidades, até que Lunna avistou, em meio as plantações de tulipas, uma toalha estendida no chão e sobre ela uma variedade de guloseimas. - Sammir! Não precisava ter feito tudo isso.- diante do picnic, tão cuidadosamente preparado para os dois, Lunna se sentiu realmente culpada, pela primeira vez, por de certa forma o estar usando naquele momento. - ora, mas já valeu a pena, pela primeira vez, não me chamou de senhor. Pode me chamar assim mais vezes. Juntos, os dois passaram o restante da tarde conversando e aproveitando os quitutes deliciosos. Quando o sol começou a se por, e Lunna fez menção de voltar, Sammir se aproximou um pouco mais e a jovem ruiva já sabia o que ele pretendia fazer. Em qualquer outra situação o teria julgado ousado demais para um primeiro encontro e evitado a situação, mas, era exatamente aquilo o que ela também buscava ali. Um beijo. Somente um beijo, para apagar da sua mente todas aquelas lembranças perturbadoras. Quando Sammir a beijou, no entanto, nem tudo ocorreu como ela esperava. Primeiro ele parecia querer lhe engolir inteira, ao invés de beija-la. De alguma forma os seus lábios eram duros demais e molhados demais ao mesmo tempo e a sua língua insistente por uma aproximação ainda mais íntima, parecia estar viva, como um peixe molhado tentando entrar na sua boca. Nada de fogo, nada de calor, nada ardia em sua pele sob o seu toque, tampouco o seu coração estava acelerado ou sua respiração entrecortada. Nada a fazia ansiar por mais, pelo contrário, sua vontade agora era correr dali. Sem pensar duas vezes, se afastou abruptamente e para não tornar aquela uma situação ainda mais constrangedora, decidiu apelar para o recato, apesar de não ter feito nada para evitar o que já sabia que iria acontecer. - senhor Sammir, isso não foi correto. Nós m*l nos conhecemos. Acaso me toma por uma mulher vulgar?- perguntou com uma indignação fingida. Pelos céus, a que ponto havia chegado? - não, não, de forma alguma, perdão senhorita Lowell. Mantendo a sua performance, Lunna se afastou rapidamente, sem olhar para trás, sob os protestos de desculpas do jardineiro. Esperava com sinceridade que ele tivesse detestado aquilo, tanto quanto ela, e que desistisse de tentar corteja-la. Estava realmente irritada, mas, não com o senhor Sammir ou com o beijo desastroso. O que a irritava em demasia, era constatar que o visconde beijava infinitamente melhor. E que agora, se fosse ter outros sonhos de fato, seria com seres vivos e escorregadios na sua boca.
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