Lunna tentava puxar assunto com vivienne e ignorar o visconde ao seu lado, porém, o Lorde Clifford parecia não querer contribuir com o seu plano e a cada minuto roubava a atenção da jovem atriz somente para si, até que os dois finalmente partiram discretamente para um lugar mais reservado do jardim.
Assim que ficou a sós com o visconde, Lunna sentiu uma tensão, já familiar, tomar conta do seu corpo, porque aquele homem permanecia tão irritantemente impassível ao seu lado?
- Então, senhorita Lowell, agora que somos apenas nós dois, acho que poderíamos conversar um pouco.
- e o que o milorde gostaria de conversar?- tentou falar normalmente, como se uma adrenalina inexplicável não estivesse fazendo o seu coração bater mais rápido agora.
- por que não me explica melhor, como foi parar em um navio, vestida como um cavalheiro?
- perdão, milorde, essa história não é apenas minha, mas, digamos que eu estava lá a trabalho. Se conversar com o seu amigo, Andrew, ele saberá explicar melhor o que de fato aconteceu.
- e a quanto tempo trabalha com a senhorita Sackville, ou melhor, com a duquesa de Gloucester?
- desde muito cedo. Ainda era uma criança quando cheguei a casa dos Sackville.
Naquele momento a banda iniciou uma nova música, e muitos casais se juntavam aos noivos para dançar. James estendeu o seu braço para Lunna e por um momento ela acreditou que a convidaria para dançar também, coisa que jamais havia feito em um baile como aquele, mas, ao invés disso ele a convidou para uma caminhada pelo jardim, longe de todo aquele barulho, onde pudessem conversar um pouco melhor. É claro que deveria recusar. Pelo menos Era isso o que a sua razão gritava pra ela naquele momento, mas, quando deu por si, já estava aceitando o seu braço, como uma serva sem a mínima noção do ridículo, que se permite iludir por um nobre.
Lentamente os dois caminharam em direção a praia, que podia ser vista do jardim, já que a propriedade ficava no alto. A vista do oceano sem fim, fez a jovem lembrar daquele dia no navio, quando o visconde pensou que ela se jogaria ao mar. Como se estivesse pensando na mesma coisa, James a encarou novamente, com aquele princípio de sorriso irritante nos lábios.
- e então, senhorita Lowell, já que não é mesmo uma ladra ou algo assim, como pensei antes, quando pretende devolver o meu chapéu?
- posso ir buscar agora mesmo, se o milorde desejar.
- não. Fica para próxima vez que a gente se encontrar, ou eu não teria uma desculpa para procura-la.
Era impressão sua, ou aquele homem estava mesmo flertando com ela? Porque se estivesse, ela não teria tanta certeza de que iria resistir aos seus encantos. Logo ela, que sempre soube exatamente qual era o seu lugar e que com toda certeza não era entre os nobres, agora se sentia atraída por aquele. Mas, como evitar, quando sonhava com o seu toque quente em sua pele constantemente?
Curiosidade. Esta era a única explicação que conseguia dar para si mesma. Estava curiosa para saber o que viria adiante, afinal, ele nunca a beijava em seus sonhos.
- e por que o senhor iria querer me procurar novamente?
- ora, aquele chapéu foi um presente do rei espanhol.- disse em tom de brincadeira.- mas, a senhorita sabe que não é por este motivo que eu desejo revê-la.
Naquele momento, Lunna percebeu que os dois já estavam em uma área bem reservada do jardim, e mais uma vez, desejos secretos começaram a se formar no seu interior. Precisava voltar para a festa o quanto antes e tomar um enorme copo de água fria, mas também ansiava por permanecer ali e provar o sabor dos seus sonhos, pelo menos uma vez.
- e que outro motivo teria para querer me ver novamente?- apesar da pergunta ousada, Lunna sentiu quando o rubror tomou conta do seu rosto.
- eu não sei explicar, mas sei que sente o mesmo que eu.- sua voz agora estava ainda mais grave, e em um instante ele já não estava mais ao seu lado, mas, na sua frente, olhando em seus olhos e devorando-a com aquele olhar que agora parecia tão n***o quanto o mar noturno que os aproximou pela primeira vez. - não precisa negar, eu posso sentir sua respiração e seu corpo reagindo a mim. Precisa disso tanto quanto eu.
Mesmo que desejasse fazer, Lunna jamais conseguiria negar o que o seu corpo gritava naquele momento, sua boca estava seca e sua respiração alterada, e ele sequer a estava tocando, senão com aquele olhar feroz.
Como se lesse os seus pensamentos mais uma vez, James segurou uma de suas mãos entre as suas e traçou um caminho suave, acariciando do seu pulso até o ombro delicado, e tocou o pescoço fino e sensual, deixado a mostra pelo penteado alto que ela usava. Ali ele sentiu através do seu toque, o calor do seu corpo e a pulsação que acelerava cada vez mais.
Sem resistir, Lunna fechou os olhos e deixou que o toque dele lhe queimasse a pele, aproveitando cada segundo da realidade que a envolvia. James envolveu sua cintura fina com a outra mão e a puxou ainda mais próximo de si, até que não restasse nenhum espaço entre os dois. O cheiro que ele emanava era inebriante, e quando os lábios dele alcançaram o seu pescoço, ela quase desabou.
O visconde sorvia a sua pele de uma forma sensual e tentadora que a faziam querer mais e mais e deixavam o seu corpo arrepiado e vulnerável. sem perceber, seus próprios lábios deixavam escapar pequenos sons de prazer, que foram calados quando James finalmente uniu a sua boca a dele, provando do seu sabor e lhe mostrando que a realidade era na verdade muito melhor do que qualquer sonho.
Quando james se afastou, Lunna imediatamente sentiu falta do seu beijo, não estava satisfeita e sentia que nunca estaria.
Ele pegou novamente a sua mão e a guiou até uma árvore imensa, que os tornava ainda mais reservados do olhar de quem quer que fosse.
De forma ousada, voltou a beija-la e passear as suas mãos lentamente, pelo corpo macio e curvilíneo, quente, mesmo por baixo de toda a seda que o cobria. Conforme os seus toques se tornavam mais ousados, algo bem lá no fundo da mente de Lunna despertava para o que ela estava fazendo.
Quando james tentou subir a barra do seu vestido, sua razão pareceu despertar por completo, e ela percebeu que tinham que parar.
- milorde, por favor... Nós não podemos continuar.
- e porque não?- questionou sem se afastar.
- como "porque não"?- o tom repreensivo de Lunna, fez com que o visconde se afastasse dessa vez e a encarasse nos olhos.
- então, porque veio até aqui, senhorita Lowell? Não faça de conta que não sabia o que iria acontecer.
Lunna abria a boca para falar, mas não conseguia elaborar nenhuma palavra naquele momento. Era o mesmo de sempre se repetindo. Um nobre que a tratava com cortesia, até descobrir que ela era uma criada, para então trata-la com desonra e fazer uma proposta indecente. Infelizmente, dessa vez ela se comportou exatamente como todos eles imaginavam que uma criada devia se comportar, seguindo qualquer um deles facilmente até um local reservado do jardim e se permitindo seduzir de forma vulgar.
É claro que ela imaginou que seria beijada, e que seria maravilhoso, como de fato foi, mas isso não queria dizer que também esperava levantar a saia do vestido por trás de uma árvore e se comportar como uma rameira qualquer.
Que ele pensasse isso dela a magoava profundamente, o que não deveria acontecer, afinal, ela já sabia há muito tempo como os nobres se comportavam. Então, por que se sentia assim? Como se tivesse sido atingida por um t**a no rosto.
Para início de conversa, por que havia ido até ali com um visconde? Um sonho i****a jamais lhe mostraria quem ele era de fato.
- como o senhor mencionou, eu não poderia negar o que o meu corpo sentia, mas, a minha razão acabou de acordar para o homem repugnante que realmente é, visconde de Severn.
Lunna notou a surpresa em seus olhos e se aproveitou do momento para empurra-lo e correr para longe dali. No dia seguinte partiria com Ivy para Gloucester e não o veria mais.
Devido ao casamento, a mansão dos Sackville em Dorset, estava lotada com os convidados e familiares mais próximos dos noivos, alguns outros ainda se hospedavam em alguma estalagem pelos arredores. Por ser um dos padrinhos do noivo, o visconde era um dos que dormiriam por lá, e como uma criada da família a anos, não foi difícil para Lunna, descobrir onde ele estava. Naquela mesma noite, ao entrar no seu quarto, James notou algo em cima da sua cama. Era o seu chapéu. Intacto.
No dia seguinte, tentou algumas vezes encontrar com a jovem ruiva que tanto o perturbava, mas ela parecia se esconder, e logo partiu juntamente com a caravana que iria com os noivos para Gloucester, e ele teve que seguir para a sua propriedade em Severn.