Episódio 5

1582 Palavras
— Um menino, minha querida, você vai ter um menino. Disse a médica, sorrindo, enquanto a emoção que eu estava sentindo trouxe algumas lágrimas travessas aos meus olhos. — Mas está tudo bem? Eu insisti. — Sim, Marian, o seu filho é perfeito. Disse a médica, enquanto tirava algumas medidas do fêmur, do osso do crânio e assim por diante. — Graças a Deus! Disse Olivia, olhando para o céu. — Continue cuidando de si mesmo como você tem feito e siga as minhas instruções à risca. Não se preocupe, vocês ficaram bem. Ela acrescentou. Nos duas saímos felizes da consulta. — O que você acha se formos comprar alguma coisa para o bebê? Eu disse, animada. — Acho que é uma excelente ideia. Respondeu Olivia. Passamos o resto da tarde comprando roupas de bebê, nada caro, mas tudo muito bonito. Azul-claro e branco predominavam entre as pequenas peças de roupa. Eu estava feliz, cheia de energia, a gravidez tinha sido maravilhosa para mim e, embora um pouco mais gordinha, eu me sentia muito mais bonita do que antes. — Adoro ver você sorrir, minha menina. Declarou Olivia. — Tenho um grande motivo para fazer isso. Eu respondi alegremente. Nos duas continuamos passeando pelas lojas e comprando tudo o que o meu orçamento permitia. — Então você encontrou a sua sogra? Questionou Olivia. — Ex-sogra. Eu respondi. — Bom, falando sério, ela não percebeu que você está grávida? Olivia insistiu. — Bem, não, ela não percebeu. Eu respondi com convicção. Olivia me olhou e parecia incrédula. Se ela, que nunca foi mãe, percebeu as mudanças no seu corpo a quilômetros de distância, como ela não as notaria sendo uma mulher que teve o privilégio de ser mãe. Mas, Olivia decidiu não tocar no assunto, não querendo sobrecarregar Marian com a possibilidade da sua gravidez, caso ela tivesse sido descoberta. Alguns meses depois... — Uau! Essa barriga está enorme. Disse a minha chefe quando me viu entrar no local. — Já estou de quase oito meses. Eu respondi, acariciando a minha barriga inchada. — Vim trazer os documentos da licença-maternidade. Preciso que você os assine, por favor. — Que bom que você veio, eu queria falar com você sobre uma coisa. Disse a chefe. Eu estava preocupada em não poder perder o emprego pouco antes do bebê nascer. Eu me sentei nervosa, pois tinha medo de que o que iria ouvir me fizesse cair devido ao choque. — Vi no seu currículo que você estudou contabilidade. Disse a mulher. — Sim, estudei. Na verdade... Só preciso do projeto final. Eu acrescentei. — Por que você pergunta? — Preciso de alguém para me ajudar com a contabilidade. O ideal é que a pessoa tenha as qualificações, mas acho que isso é algo que você pode ver no decorrer do processo. Disse a mulher. — Você está falando sério? Eu perguntei animadamente. — Sim, muito sério. Você só vai começar quando voltar da licença-maternidade e, claro, o seu salário será um pouco maior. Acrescentou a chefe, satisfeita. — Tenho visto o seu esforço e dedicação, Marian, e isso merece uma recompensa. — Obrigado, senhora, muito obrigado. Eu disse em meio às lágrimas. — Você não precisa me agradecer, querida. Eu esperei a minha chefe assinar os papéis e depois conversamos mais um pouco sobre o meu novo cargo antes que eu saísse do escritório. Quando cheguei ao vestiário, olhei para o céu, levantei as mãos e agradeci. Eu sabia que havia portas que somente Deus poderia abrir, e esta era uma delas. Uma semana depois, eu entrei de licença, por recomendação da médica de que nas últimas semanas seria melhor que eu descansasse, já que o bebê era bem grande. O que não me surpreendeu, já que Ethan tinha quase 1,80 m de altura. Eu me deitei na cama e comecei a acariciar a minha barriga. Em breve eu iria conhecer o meu bebê, aquela pequena pessoa que havia dado sentido à minha vida, que me fez querer lutar e seguir em frente, apesar de tudo o que havia acontecido com Ethan. — Eu prometo que farei o meu melhor para garantir que você tenha uma vida feliz, meu filho. Eu disse antes de começar a cantar uma canção de ninar para o meu bebê, o que o fez começar a chutar dentro da minha barriga. Eu adorava que o meu canto fizesse o meu bebê reagir daquele jeito. — Esse garotinho nem nasceu ainda e já está mimado. Disse Olivia, divertida. — Parece que sim. Eu respondi divertidamente. Nos dias seguintes eu me dediquei a descansar. Olivia se comportou como a melhor mãe e avó que eu e o meu filho poderiam ter tido. ..... — Faz força, Marian, faz força. Gritou a médica, enquanto eu estava no meio de uma contração dolorosa. Eu senti os meus quadris se abrirem e uma dor indescritível atingiu o meu corpo, a minha respiração estava um tanto difícil e, embora a dor me impedisse de pensar com clareza, eu estava ciente de que tinha que obedecer a minha médica, então fiz o que me foi instruído. Poucos segundos depois, eu ouvi o som mais lindo e cativante que já tinha ouvido. O choro do meu bebê encheu o quarto onde, até um minuto atrás, tudo o que se ouvia eram os meus gemidos de dor. Eu imediatamente senti aquela dor horrível desaparecer, olhou para o corpinho do meu filho, que chorava como se a sua vida dependesse disso. Eu vi a médica se aproximar com o bebê nos braços e imediatamente o colocou no meu peito. Sentir ele no meu peito me fez chorar, só que dessa vez eu não chorava de dor, mas de felicidade. Era um pedacinho de mim que eu agora segurava nos meus braços, um presente do céu que eu tinha acabado de receber. — Vou levá-lo para limpá-lo. Disse a médica, pegando o bebê nos braços. — Não, não leve. Eu disse, alarmada. — Só vamos levá-lo por alguns minutos. Fique tranquila. — Como o seu bebê será chamado? Perguntou uma enfermeira que se aproximou. — Ethmar. Eu respondi, sorrindo. — Nunca ouvi esse nome antes. Respondeu a garota. — Parece diferente. — Sim, é uma combinação do nome do pai dele e do meu. Eu respondi. Eu não queria dar a ele o nome do pai, porque sentia que não tinha o direito de fazer isso sem o consentimento dele, mas uma noite, me ocorreu de combinar os dois nomes e esse surgiu. Duas horas depois, eu estava num quarto com o meu bebê ao meu lado. Eu nunca me cansava de admirá-lo. O seu cabelo claro e espesso era uma herança de Ethan, já que eu era morena. — Como ele é lindo. Disse Olivia. — Sim. Ele é lindo. Eu respondi enquanto entregava o bebê nos braços de Olivia, que estava louca para segurá-lo. Nos duas estávamos tão entretidas admirando o lindo bebê que nenhum de nos duas notou a pessoa que tinha acabado de entrar no quarto. — Bom dia! Disse aquela voz, que ambas conseguiram reconhecer perfeitamente. — Posso entrar? Ela acrescentou. Eu e Olivia nos olhamos, com os olhos cheios de angústia, mas a única que assentiu em resposta foi eu. Eu gostaria de ter dito não e pedido para ela sair do quarto imediatamente, mas naquele momento isso não fazia sentido. — O que a senhora está fazendo aqui, Sra. David? Eu finalmente perguntei. — Por favor, querida, me chame de Amélia. Respondeu à mulher. — Afinal, somos uma família. Ela acrescentou, enquanto se aproximava de onde Olivia estava, segurando o bebê. — Nós não somos mais, o seu filho e eu, já estamos divorciados. Eu afirmei. — Sim, estou ciente disso, mas agora sou avó do seu filho e esse vínculo não pode ser quebrado. Declarou Amália. — Desculpe-me, mas meu filho não é seu neto. Eu menti. — Vamos, querida, você não precisa mentir para mim. Não vim aqui com más intenções. Eu só quero conhecê-lo, mimá-lo e enchê-lo de beijos. Disse ela animadamente. Eu tentei refutar, mas quando a mulher chegou ao lado de Olivia e começou a acariciar o bebê, eu fiquei sem palavras. — Ele é lindo! Ela declarou, com a voz embargada. — Como se chama? — Ethmar. Respondeu Olivia. — Lindo nome, pelo visto a sua mãe resolveu juntar o nome dela com o cabeça oca do seu papai, meu amor. Disse Amélia, segurando a mãozinha do bebê. — Posso segurá-lo? — Sim. Eu, respondi. A mulher pegou o bebê nos braços e apertou-o contra o peito, de repente uma canção de ninar saiu dos seus lábios e ela começou a embalá-lo. — O seu pai amava essa canção meu amor, tenho certeza de que você também gostará. Quando Amélia sentiu o calor daquele corpinho, que cheirava a céu, ela não conseguiu evitar desatar a chorar. Foi uma mistura de emoções que a dominou. Por um lado, a alegria de segurar o seu primeiro neto nos braços, o que a fez lembrar da primeira vez que segurou Ethan nos seus braços. Mas ela também estava cheia de dor, raiva e frustração ao ver como Ethan havia permitido que a m*aldade de Alden destruísse a sua família. ‌‌​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​‌‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌‌​​​‌‌‌‍
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