O INÍCIO

1698 Palavras
Andrew E sem motivo algum aparente, a vida se tornou uma loucura da noite para o dia. Eu pensei que depois daquele ataque haveria policiais para todos os lados nos interrogando e coletando evidências, mas isso não aconteceu. Pandora fez algumas ligações e foi embora como se nada tivesse acontecido. A partir desse momento eu tive as suspeitas de que ela não era apenas mais uma garota normal. Ela tinha essa aura de perigo um pouco contido em volta dela e isso era atraente, sem mencionar o fato de que ela parecia não se importar muito com alguém tentando matá-la, o que é bem estranho. Como se ela já tivesse passado por isso tantas outras vezes e já está acostumada. Um pouco assustador, porém, fascinante. Aaron resolveu faltar a aula hoje, parece que não se sentia muito bem, então eu vim sozinho. Confesso que eu não esperava gostar tanto desse lugar, mas tem acontecido tantas coisas interessantes nos últimos dias que eu estou ficando cada vez mais curioso para saber o que está vindo a seguir. Nesse exato momento eu estava aproveitando um momento no intervalo para conhecer melhor as garotas daqui. Tem uma garota na minha frente agora que me deixou muito interessado. Seu nome é Dora e eu pretendo ter um momento com ela mais tarde já que ela está tão disposta a isso. – Andy, onde está o seu irmão? – Pandora para ao meu lado, nem percebi que ela estava se aproximando. – Ele não veio. Parece que não se sentia bem e tomou remédios para dormir, resolvi deixar ele quieto em casa. Porque? – pergunto. – Onde você mora? Eu preciso falar com seu irmão. – diz parecendo apressada por algum motivo. Eu já estava prestes a dizer-lhe o endereço e seguir meu caminho, mas Dora resolveu interromper nossa conversa não tão gentilmente, o que me irritou. Não gosto quando as pessoas se metem em conversas que não lhe dizem respeito. – Querida, eu cheguei primeiro. Você deveria sair agora, tenho certeza que o seu tipo não serve para nenhum dos dois. – intervém. Do que diabos ela está falando? E por um acaso ela acha que serve com essa atitude irritante. – Sinto muito, querida. Mas, eu não poderia me importar menos se você chegou antes ou depois. – Pandora responde fazendo pouco caso. – É claro. Eu não deveria me importar, você não está nem na fila. – Dora responde cinicamente. Isso está começando a ficar seriamente irritante. Porque ela ainda está me interrompendo? – Isso que você disse é verdade. Eu não estou na fila, nem preciso. Eu sou prioridade a qualquer momento. – Pandora responde começando a soar irritada. Eu te entendo chefia, eu te entendo. – Você obviamente está sonhando alto. – Dora debocha. Eu gostaria de interromper isso agora, mas parece ser algo que eu não posso parar com apenas algumas palavras, e sinceramente, eu estou torcendo um pouco agora para que Pandora diga algo que a coloque me seu lugar. Apesar de ser bonita, esse tipo de atitude acaba com qualquer interesse que eu possa ter em uma pessoa. E nesse caso, Dora é essa pessoa. – E você está se metendo em um assunto que não é seu. – Pandora devolve ríspida. – Endereço, agora. – aponta uma caneta para mim e eu tomo sua mão no mesmo instante e começo a anotar o endereço. Por favor, Dora. Fica quieta por apenas alguns instantes. – Por que você está dando o seu endereço para ela? – o olhar da garota é de nojo. Porque você não cala a maldita boca um instante? Que garota irritante. – Isso não é da sua conta. – respondi calmamente. – É claro que é da minha conta. Eu, obviamente sou melhor que ela. – aponta Pandora que a encara com o mesmo olhar assassino que destina a Aaron. Isso quase me fez rir. Quase. Desde quando isso se tornou uma competição? Pelo amor, Pandora só queria o endereço da minha casa. Isso já está ficando cansativo. – Já chega. – Pandora rosna. Isso parece assustar um pouco Dora que retrocede o passo, mas rapidamente se recupera e volta ao seu modo irritante. – Quem é você para falar comigo assim? Por acaso, você é dona dele e do irmão? – caminha até ficar de frente com Pandora. Oh, garota. Péssima escolha. Eu realmente espero que você não seja surrada agora, não quero que Pandora entre em problemas por minha causa. – Eu não sou a dona, mas, eu, com certeza, tenho mais direitos que você. – diz. – E eu posso saber que direitos são esses? – se aproxima mais. Deus, parece que Dora realmente tem um desejo de morte. – Eles são meus funcionários. Trabalham para mim, eu sou a patroa, eu pago os salários de ambos, quer que eu explique mais. – Pandora sorri sarcasticamente. – Você mente. – cospe. Não, ela não mente. – Não. Ela não mente. – dou voz aos meus pensamentos. – Não pode ser. Você só está defendendo ela! – grita. Qual é o problema dela? Será que ela ainda não conseguiu entender? – É a verdade. Inclusive eu estive no apartamento dela ontem para acertar os últimos detalhes. – esclareço cansado desse assunto. – Isso não é um problema. Você é só a pessoa que paga seus salários. Eu ainda sou melhor que você. – Dora continua sua disputa unilateral onde ela é melhor em alguma coisa que eu não faço a mínima ideia. Ok. Definitivamente é hora de acabar com isso. Sinto que se eu não fizer isso agora, vou ficar aqui até o fim dos tempos. Esse assunto já rendeu mais do que devia e eu estou um pouco irritado com isso agora. Tudo seria mais fácil se ela só ficasse quieta e deixasse eu entregar o endereço e Pandora iria embora no minuto seguinte, mas ela tinha que fazer essa cena ridícula e totalmente desnecessária. – Já chega disso. Vá embora, Dora. Eu não sei de onde você está tirando essa necessidade ridícula de mostrar que é melhor que os outros. Ela é minha patroa e amiga, ela é prioridade, a qualquer hora e em qualquer lugar. Já estou farto de você tentando diminuí-la por qualquer motivo bobo. Você não é melhor do que ninguém, ela é capaz o suficiente para provar que pode se sobressair em muitos atributos que tenho certeza que você não conseguiria sequer chegar a tentar. Ela é bonita, inteligente, e eu adoro o m*l humor dela, principalmente se é destinado ao meu irmão. Então não venha me dizer o que você é ou não melhor que ela, se você tentar vai perder. Até porque eu não te conheço de forma alguma. – termino em tom sério. Dora sai correndo e eu não posso me importar menos com isso. Se eu soubesse o quão irritante e territorial ela podia ser, eu nem tinha conversado com ela. Até porque, eu nem a conheço, como diabos ela acha que podia marcar território quando eu só sei o nome dele e nada mais? Só pode ser louca. Eu estava indo para casa depois de fazer um desvio quando deixei o colégio, mas recebi uma ligação dizendo que em hipótese alguma eu fosse para casa e que eu me encaminhasse para a cobertura de Pandora e aguardasse meus irmãos lá. Não fazia a mínima ideia do que isso quer dizer, mas parecia ser algo urgente e eu estava seriamente curioso para saber o que estava acontecendo. Dirigi até lá, feliz por poder subir imediatamente. E certifiquei de ficar à vontade e já fui ligando os aparelhos e comecei a jogar, mas dois caras enormes apareceram e começaram a me encarar de uma forma assustadora. – Quem é você? – um loiro pergunta. – Quem é você? – devolvo. – Garoto, é bom você responder. Ou eu vou jogar você pra fora daqui. – avisa sério. Esse cara não parece estar brincando. – Meu nome é Andrew. Pandora mandou que eu viesse para cá. – digo. – Você conhece a senhorita? – pergunta surpreso. – Sim. Eu trabalho para ela. – respondo com sinceridade. – Certo. Nesse caso, avise que estamos lá dentro quando chegarem. – diz e volta pelo corredor que veio. Certo, isso foi estranho. O tempo foi passando e ninguém apareceu. Comecei a ficar preocupado com essa demora. O que podia ser tão importante que eu nem sequer poderia passar em casa antes, e porque eu não posso ir para lá? Comecei a andar de um lado para o outro e estava ficando realmente apreensivo quando a porta se abriu e todos começaram a entrar. – Que bom que vocês chegaram, eu estava começando a ficar preocupado. – abraço Aaron e depois Tyler. Pandora tem um semblante sério, assim como os outros e eu me preocupo de verdade. Não foi por qualquer motivo que eu tive que vir para cá. – Tivemos um contratempo. – Aaron responde olhando Pandora de soslaio. – Contratempo? – pergunto curioso. – Homem armado no shopping. – esclarece. Merda. – Merda. – xingo. – Oh, antes que eu me esqueça, quando eu cheguei aqui, tinha dois caras, eles estão esperando vocês lá dentro. – aponto Pandora e seu pessoal. – Certo. Fiquem aqui. – um cara sério ordena. Sério. Quem são essas pessoas? – O que está acontecendo? – pergunto assim que todos se afastam. – Não faço a mínima ideia. Só sei que tinha um atirador na frente da nossa casa e parecia pronto para matar. Tivemos que fugir dali e depois um armado estava pronto para atirar dentro de um shopping lotado. Parecia tudo muito surreal. – Aaron revela. Realmente surreal. Se Aaron não estivesse parecendo tão sério, eu pensaria que tudo isso não passa de uma brincadeira, mas os vincos na testa de Tyler não mentem nunca. Ele está claramente preocupado com essa situação e não é sempre que ele se preocupa conosco, a não ser que nossa vida esteja claramente em risco. O que parece ser o caso agora. Foda-se. Mesmo com a vida em risco não posso deixar de ficar animado com isso. Eu sou estranho.
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