HOJE E SEMPRE

1807 Palavras
Freya Eu estava correndo em um lugar escuro, eu não sabia onde estava ou para onde estava indo, mas eu sabia por instinto que tinha que sair dali. Eu precisava fugir, minha vida dependia disso. Eu conseguia ouvir os passos atrás de mim e só aumentava a medida que eu corria. Parecia que não havia como me distanciar, quanto mais eu me esforçava para correr, mais os passos se aproximavam de mim. Eu estava entrando em desespero, a respiração acelerada, os passos frenéticos, o nervosismo. Minha mente gritava apenas uma palavra de forma incessante. Fuja. Fuja. Fuja. Mas o meu corpo não aguentava mais. Eu havia chegado ao meu limite e mesmo que minha mente continuasse gritando que eu tinha que continuar correndo, eu não aguentava mais. Caí sem forças, a respiração ofegante e apressada. Parecia que eu estava morrendo sem fôlego algum, as grandes inspirações de ar não serviam de nada, só parecia que minhas vias aéreas se fechavam mais a cada instante. Mas naquele momento eu preferi aquilo, ao destino c***l que me aguardava se eu fosse pega novamente. Eu não queria ter que voltar aquele lugar, eu tinha certeza disso com toda certeza e enquanto eu estava no chão, eu desejei que a morte viesse e me levasse naquele instante, só para que o meu sofrimento acabasse de uma vez por todas. Eu estava cansada. Tão cansada. Infelizmente, eu não morri, mas fui pega novamente. As mãos geladas me seguraram pelo braço e me arrastaram de volta. Eu queria gritar e me debater, mas eu não tinha mais forças para isso. E fui arrastada para o inferno que era a minha vida novamente. E mesmo que a minha boca não conseguisse soltar o que eu estava sentindo, minha mente gritava o mais ensurdecedor dos sons. O som do desespero. *** Acordei assustada novamente. Eu estava molhada de suor novamente, os lençóis estavam grudados no meu corpo e minha respiração estava ofegante e meu coração acelerado. Coloquei a mão no peito por instinto e segurei ali como se pudesse acalmar meu coração com aquele toque. Minha pele estava arrepiada e eu sentia um frio aterrador no meu interior, como se eu tivesse frio nos meus ossos. Eu não tinha mais os pesadelos com frequência, mas eles ainda aconteciam eventualmente e mesmo depois de alguns anos ainda não deixaram de ser perturbadores. Talvez nunca deixem. Apesar da boa vida que tenho hoje, meu passado ainda me assombra por meio de pesadelos terríveis e mesmo sendo tão ruins, eu não chorei nenhuma vez em todos esses anos. Afinal, não há porque chorar pelo passado e nem faz sentido chorar por algo que aconteceu quando as pessoas que eram supostas me amar foram as únicas a me fazer tamanho m*l. O pior tipo de traição. Desisti de dormir, sabia que não seria tão fácil agora que eu acordei. Se eu tentasse dormir, seria como nas muitas outras vezes, eu ficaria perdido em flashs do pesadelo. Seria só um desconforto a mais. Agarrei a primeira coisa que eu vi, que resultou ser um robe. Vesti-lo e caminhei até o lado de fora do meu apartamento. O vento congelante assolou meus cabelos de um lado para o outro, mas achei aquilo reconfortante de alguma forma. Caminhei até uma espreguiçadeira e me deitei ali e fiquei contemplando os edifícios a minha frente e o céu daquela cidade tão bela. Respirei fundo e soltei a respiração lentamente, assim como o doutor me instruiu e ali do lado de fora parecia que tudo ficava mais fácil, mais leve. E junto com minhas respirações deixei sair todo o medo e todo o desconforto que senti enquanto sonhava. Me senti melhor depois de um tempo e achei melhor entrar. Mesmo que eu me sentisse em paz aqui fora, não era a melhor opção para passar a noite. Eu morava em uma cobertura e o vento era muito frio a essa hora da madrugada e não era uma boa ideia ficar doente. Voltei para o interior do apartamento, mas deixei a porta aberta. De alguma forma, o vento que entrava me acalmava o suficiente para que eu não ficasse paranoica com nada. Fiz um chocolate quente e resolvi trabalhar um pouco. Caminhei até o meu escritório e estava prestes a me sentar quando meu celular tocou. Vi o nome de Hanson no identificador e fiquei imediatamente preocupada. Hanson não era o tipo de pessoa que ligava sem um motivo, com certeza tinha algo acontecendo e era preciso que soubéssemos. – Hanson? – atendo. – Temos uma situação aqui. – diz. Fico imediatamente alerta. – Que situação? – Ontem houve um ataque na casa cinza. Estavam atrás de informações, pessoas morreram. E hoje à noite a senhorita foi atacada. – conta. Levantei imediatamente preocupada com aquela informação. – Como? Ela está bem? – pergunto rapidamente. – Um carro bateu no lado do passageiro dela enquanto dirigia para casa vindo do restaurante. Ela ficou apenas um pouco atordoada e teve alguns arranhões. Ilya e Bonnie estavam com ela, bem como dois rapazes que ela havia acabado de contratar. O homem que atentou contra ela, tinha uma bomba no corpo e se explodiu. Ninguém ficou ferido, mas ela precisou solicitar uma equipe de limpeza para cuidar do carro dela e dos restos do homem e seu carro. – explica. Fico imediatamente aliviada ao saber que a senhorita está sã e salva. Mas algo me incomoda nessa história – Que bom que ela está bem. Espero que o desgraçado apodreça. Mas não é só isso, é? – expresso minhas suspeitas. – Não. Antes de se explodir, o miserável disse algo um pouco misterioso e preocupante. – diz. Os pêlos da minha nuca se arrepiam. – O que ele disse? – pergunto. – Ele disse: Alteine manda seus cumprimentos. – profere as palavras do homem. Quem diabos é Alteine? – Quem diabos é Alteine? – expresso em voz alta os meus pensamentos. – Isso é o que todos nós queremos saber. – diz. Fico quieta por um momento. – Isso é tudo? – pergunto. – Por enquanto sim. Mas fique alerta, isso é apenas o começo. – avisa. – Ok. Me avise quando algo surgir. – peço. Hanson desliga a seguir e eu fico encarando o nada por um tempo. Fico aliviada ao saber que a senhorita está bem. Eu sei que ela é muito forte e tinha que ser algo mais do que um simples atentado para derrubá-la, mas é normal se preocupar em casos assim. Desde o momento em que Pandora me estendeu a mão e realizou o meu desejo, eu jurei minha total lealdade a ela e não me importa que tipo de pessoa ela é. Mesmo que ela seja má para algumas pessoas, ela foi a única que me salvou e eu devo minha vida e tudo o que tenho e sou a ela. Por isso eu jurei segui-la independentemente de onde ela vá. Ela é minha maior prioridade e está acima até do meu próprio bem-estar. Eu vivo por ela e para ela. Eu lhe jurei lealdade cega e é isso que eu vou lhe dar até o último dos meus dias, mesmo que eu seja usada por ela e morra no processo, ainda assim, eu farei de bom grado. Afinal, foi ela quem me salvou. Eu devo minha vida a ela. Hoje e sempre. Acabei não dormindo mais, e mesmo passando o dia inteiro ocupada, pois haveria uma evento importante onde várias das minhas meninas iriam trabalhar, não pude deixar de pensar no que poderia estar acontecendo em Miami enquanto estou aqui. Eu queria estar próximo da Senhorita Pandora, mas não posso abandonar meus deveres oficiais que ela me confiou sem uma convocação oficial. Estava voltando para a sala de treinamento quando encontrei Chase, ele é quase como um irmão para Pandora e é filho adotivo do tio dela. É um homem muito bonito e se não fosse a relação que temos no trabalho, eu não poderia dizer nada sobre ele. Olhos desavisados pensariam que se trata de apenas um homem muito bonito e bem-sucedido, mas eu sei quem ele é de verdade, porque trabalhamos para a mesma pessoa. Uma figura tão atraente e perigosa, exerce uma ação instantânea quando entra em qualquer lugar. Parece que ficam hipnotizados com o seu olhar e minhas meninas não são exceção. – Chase. O que faz aqui? – pergunto genuinamente curiosa. – Eu vim em busca de uma de suas garotas. – diz. – Alguém especifico? – pergunto. – Não. Eu preciso da sua melhor garota. Uma que seja excepcional em tudo que faz. Eu tenho uma missão delicada e preciso de uma mulher que seja capaz de seduzir, dissimular, que tenha classe, seja muito bonita e tenha um raciocínio rápido. – explica. Balanço a cabeça compreendendo exatamente o porque dele querer alguém assim. Deve ser algo importante para que ele venha pessoalmente. – Poderia ser eu? – pergunto. Eu tenho todas as características que ele quer e desejo fazer algo que não faço a tempos. Eu quero sentir a adrenalina correndo nas minhas veias novamente ao realizar uma missão. Comandar a Casa Vermelha não é fácil, mas não tem a mesma satisfação de quando você está no campo de batalha realizando missões. Até porque a Casa Vermelha usa mulheres bonitas que querem mudar de vida e estão dispostas a tudo para obter informações privilegiadas, espionagem e outros meios mais escusos. É claro que também fazemos o serviço de acompanhante normal para aquelas que não desejam se juntar à organização de outra forma. Nós pagamos bem e ajudamos muitas mulheres o que não nos traz problemas. – Não. Você é uma figura pública e também precisa estar disponível caso haja uma convocação do conselho. – justifica. Eu concordo porque entendo o que ele está dizendo, mas não posso deixar de ficar um pouco desapontada por não poder desempenhar esse papel. – Nesse caso, venha. Eu tenho a garota perfeita. – mostro o caminho com a mão e seguimos por corredores. Em uma sala, uma moça muito bonita treinava com um instrutor. Sua beleza era sem dúvida, algo que precisava ser apreciado por alguns segundos. O cabelo n***o chicoteando em uma trança no alto da cabeça, os movimentos rápidos e acertados, executados quase sem falhas. – Quais são as qualificações dela? – Chase pergunta. – Ela tem notas quase perfeitas em tudo. Raciocínio, espionagem, luta, tiro, fugas, também sabe se portar com perfeição e suavidade, se colocá-la em uma roupa certa, ela pode ser qualquer dama da alta sociedade. – digo com orgulho. – Certo. E qual o nome dela? – pergunta. – Allie. – Entregue meu cartão a ela e diga que compareça ao meu escritório. Temos muito o que conversar. Eu tenho que ir agora. – se despede e vai embora. Como sempre, ele está com pressa.
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